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Quarta-feira, 05 de agosto de 2020

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O poder comunicativo da moda

Autor: Bianca Poppi

24 Mai 2013 - 12:36

Antes de pensarmos sobre o que está na moda, o que devemos vestir, tendências, ser ou não ser, devemos observar porque o modo de vestir nos representa tanto.

A moda do vestuário antes de tudo é uma linguagem, que a partir de um contexto histórico e sócio-cultural, tem seu significado. Hoje, a moda se caracteriza principalmente pela produção e obsolência acelerada, que se manifesta através das tendências.

Nos primórdios, o homem sentiu a necessidade de se cobrir com algo que lhe protegesse do frio e de elementos externos da natureza. Foi ai que surgiram as primeiras vestimentas, ainda não denominada moda, mas com caráter de suprir as necessidades físicas do homem.

Na Idade Média, as vestimentas tinham a função de diferenciação das classes sociais – os tecidos e as cores, por exemplo, comunicavam a classe social pertencente ao indivíduo, fosse ele membro do clero, nobreza ou proletariado.
Mais pra frente, no período de 1929 – 1945, na 2º Guerra Mundial, houve uma drástica mudança na maneira do vestir e nos materiais que eram usados na confecção de roupas. As mulheres foram para a indústria e devido à crise provocada pela guerra, os materiais eram escassos. Nesse período de recessão, a moda feminina, tem ar de seriedade por influência dos uniformes dos soldados.


Na foto à esquerda: Com a escassez causada pela 1ª Guerra Mundial, a estilista Coco Chanel inovou ao utilizar jersey
em suas criações, tecido até então utilizado para roupas íntimas
Na foto à direita: New Look de Dior, a silhueta que consagrou os anos 50


Já num momento mais recente, décadas de 70 e 80, os movimentos hippie e punk foram marcados não só por ideais, mas principalmente pelo seu apelo estético e antimoda (entende-se por antimoda, um movimento de contratendências, que se firma através de ideais, valores e também concepção estética que vem em direção oposta ao padrões vigentes). Estes, entre outros grupos, são chamados de tribos urbanas, surgidos na efervescência das ruas e também servindo de inspiração para criações de estilistas nas passarelas, com propósito de difundir suas mensagens ou apenas agregar valor estético.


Na foto à esquerda: Jum Nakao desfilou roupas de papel e as destrui na própria passarela, em 2004. Uma ode a
efemeridade da moda
Na foto à direita: O movimento hippie pregou o amor livre e a paz, entre outros ideias políticos e de contracultura 


Por um outro lado, o vestuário exerce função fundamental no nosso dia-a-dia, já que em nossa vida social somos obrigados a exercer diversos papéis sociais (ora como alunos, pais, profissionais, idealistas etc). Para cada lugar que ocupamos, um comportamento é necessário, logo exige-se um vestuário específico. A roupa, nesse caso, torna-se um fenômeno comunicacional de representação social, sutentando a nossa cultura e nos representando como integrantes de determinada época, grupo social ou profissional.

Vale também ressaltar, que mesmo desempenhando vários papéis sociais, cada um imprime no seu modo de vestir, um estilo, ou seja, uma identidade visual que tem por base todas as nossas referências passadas e diárias, seja o lugar em vivemos, a música, o esporte, o passado, e até o tipo de vida que cada um leva, as situações a que somos submetidos diariamente (seja trabalhar de bicicleta, andar de ônibus, sair a noite).

O que a moda dita, já não é regra essencial nos dias atuais. É claro, que são as tendências da moda que movimentam a indústria de pigmentações, confecção de tecidos, aviamentos, matéria-prima, os próprios comerciantes e criadores, e que dá essa característica de efemeridade, de mutação constante que a moda tem.

A moda é um reflexo mutável do que somos e dos tempos em que vivemos. As roupas revelam nossas prioridades, nossas aspirações, nosso liberalismo ou conservadorismo (Georgina O’hara Callan)

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