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Segunda-feira, 21 de junho de 2021

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Pierrôs e Colombinas em permanente carnaval

Autor: Isolda Risso

04 Jun 2015 - 14:52

Arquivo Pessoal

Segundo o mito popular, pode-se conhecer alguém pelo modo como se veste, cumprimenta, senta, pega em um copo. Há quem professe que o maneirismo por mais inócuo que seja, é o bastante para dizer quem é quem. É impressionante como ainda tem gente que decifra o outro por se basear na aparência, em algumas palavras bem estudadas.

Vivemos dias de vitrine humana. Mostra-se muito e de tudo exageradamente. Pouca leitura, muita falação, e o pior, sem ter o cuidado de certificar se é fato ou não. E mesmo que seja verídico, se não me diz respeito, por quê comentar?

Ter o zelo de não ferir o outro, tem se tornado irrelevante. É certo que os modos de uma pessoa, seu jeito de se comunicar, seja no frente a frente ou online, pode nos levar a “supor” como ela age e reage diante da vida, dos acontecimentos mais significativos ao mais banais. Podemos também “imaginar” seus valores, seus princípios, mas jamais saberemos estar certos ou não enquanto nosso alcance ficar na casa do olhar.

Todos aqueles que pretensamente conhecem as pessoas dessa maneira meramente, aceitam viver baseados em um possível conjunto de marketing e mitos. O modo como uma pessoa se apresenta, comprova apenas a forma que ela se apresenta, assim como o modo que ela dobra um lenço mostra apenas o modo como dobra um lenço, e nada mais!

Dizer que conhecemos, de fato alguém, será concreto quando formos tratar com ela algo que poderá influenciar em seus interesses pessoais, aí meu amigo(a), é que veremos de verdade quem é Pedro e Mané!

Comumente ouço: o homem é um bicho ruim, o pior do reino animal. Também ouço: o homem não tem jeito, quem nasce torto, morre torto. São muitas as impressões negativas que chegam aos meus ouvidos, que testemunho e ao ouvir ou comprovar, me desagrado, mas a realidade está posta, só não enxerga o descaso com que alguns lidam com as relações quem opta por viver o mundo das ilusões.

Nos últimos tempos este descuido foi acentuado e me parece que não são muitos os interessados em modificar o quadro. Tenho sido surpreendida com atitudes vindas de pessoas que eu tinha em alta conta, que jamais, nem nas piores previsões , poderia imaginar posturas tão vis como já presenciadas. Me entristeço, minha confiança no ser humano tem se tornado muito frágil.

É muito triste ver a cultura de que os fins justificam os meios alcançando ressonância em tantas mentes e falsos corações. É lamentável ver pessoas tratando outras tendo como objetivo principal: o que ela pode me render!

É surpreendente a rapidez com que os laços são feitos e desfeitos nos dias atuais. Do dia para a noite se tornam melhores amigos (as) e da noite para o dia , são indiferentes ou inimigos mortais. Nem sempre ocorre algo que justifique tal ruptura, comumente são os interesses que não interessam mais.

Faz bem aos ouvidos ouvir palavras bonitas e tão mal para a alma quando comprovamos que não passam de belas palavras. Quando chegam às portas das conveniências pessoais, tudo que foi dito é esquecido.

Bem sei, o que falo não é novidade para ninguém, nunca tive a pretensão de ser anunciante do inusitado, sei também ter idade suficiente para não me surpreender com certas coisas, mas ainda me inquieto quando vejo máscaras encobrindo e desnudando rostos transfigurados pela ambição, pelo orgulho e vaidade. São os Pierrôs e as Colombinas dançando permanente carnaval!

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