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Domingo, 24 de outubro de 2021

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Marido na Cozinha fala sobre Agrotóxicos X Orgânicos

Autor: Marido na Cozinha

08 Jul 2015 - 13:45

Arquivo Pessoal

Sexta-feira vou assinar um Jantar com 4 pratos no Restaurante Acácia Cozinha de Família, com o tema Sabores do Nordeste. Para mais informações sobre o cardápio completo fale comigo: (65) 9937-2077. Os lugares são limitados e as reservas estão acabando. ;)

Semana passada tivemos um grande retrocesso em relação à questão dos agrotóxicos.



A Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA aprovou a liberação de um agrotóxico mais nocivo à saúde do que outros já existentes no mercado com o mesmo princípio ativo e para o mesmo fim.

Após a péssima repercussão e muitos questionamentos em reportagem à Folha, a agência justificou a liberação como sendo um "erro".

Afirmou que o produto foi classificado como "mais tóxico" porque não conseguiu fazer os testes corretamente.

Agora, mesmo sem parte dos exames, a ANVISA vai reclassificar o produto como menos nocivo, a fim de regularizá-lo. #ComoAssimGente

Entenda o procedimento:

Para que um defensivo agrícola possa ser comercializado, é necessário aprovação do IBAMA (órgão ambiental), da ANVISA (saúde) e do Ministério da Agricultura, que avalia a eficácia agronômica e, por fim, emite o registro.

Os testes da ANVISA nessa etapa analisam a "toxicidade aguda", que afeta principalmente o agricultor que manuseia e aplica o agrotóxico, além das comunidades no entorno das plantações.

Entenda o caso:

A fabricante do produto liberado no ano passado, a Ourofino, já havia sido beneficiada de falhas na área de toxicologia da Anvisa em 2012, quando um ex-chefe do setor denunciou irregularidades.

Na ocasião, cinco produtos tiveram problemas, como "pular" a avaliação ou obter a aprovação apesar de serem mais tóxicos que os chamados produtos de referência. Ao proibir a liberação de defensivos mais tóxicos do que os já existentes (produtos de referência), o objetivo da lei, de 1989, é estimular a indústria a desenvolver tecnologias menos danosas.

Após a Folha publicar uma série de reportagens sobre as irregularidades praticadas em 2012, a AGU (Advocacia-Geral da União) emitiu parecer em fevereiro de 2013 reafirmando que "nenhum agrotóxico pode ter toxicidade maior do que a daqueles já registrados para o mesmo fim".

Ou seja, a própria agência está descumprindo a norma, o que deixa a nossa saúde à mercê de ataques por parte das indústrias.

E o susto não pára por aí!!!!

De acordo com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva o brasileiro ingeriu em média 7 litros de agrotóxicos nesse último ano. Sabia?

Essas substâncias são extremamente nocivas à saúde, que podem causar desde dor de cabeça até câncer.

O uso de agrotóxicos gera doenças que aparecem a longo prazo o que dificulta associar os sintomas ao uso contínuo dessas substâncias.

O Laboratório de Agrotóxicos e Contaminantes do Instituto de Tecnologia de Pernambuco analisou duas amostras do alimento mais contaminado em 2014, de acordo com as pesquisas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - o pimentão.
Os resultados foram preocupantes. Sabia que várias substâncias proibidas, perigosas à saúde, foram encontradas nas verduras?

Estamos enfrentando uma total inversão de valores, onde aquilo que é notoriamente um veneno para a saúde como gordura trans, adoçante artificial e glutamato monossódico pode!!!

Como confiar???

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) lançou um posicionamento a respeito do uso de agrotóxicos (veja em www.inca.gov.br) e os riscos dessas substâncias para a saúde do agricultor e de todos os consumidores.
👉Alguns dados alarmantes:

- Venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões em 2001 para mais de US$ 8,5 bilhões em 2011 no Brasil;

- Desde 2009, o país é o maior consumidor mundial dessas substâncias;

- Consumo médio de um milhão de toneladas por ano, o equivalente a 5,2 kg de veneno por habitante (a média dos EUA é de 1,8 kg por habitante);

- Na última década, o mercado de agrotóxicos no Brasil cresceu 190% (a média mundial foi de 93%).

- Os principais responsáveis por este aumento são os transgênicos, que requerem grandes quantidades de pesticidas, principalmente as lavouras de soja, cana-de-açúcar, milho, entre outras.

Sempre que puder opte por produtos com o selo de orgânico e produzidos de forma segura. Muito mais fácil cuidar da saúde do que viver em hospitais!

Acompanhe minha peripécias gastronômicas no Instagram: @TolentinoNeto.

E lá está rolando o Sorteio de um Curso de Culinária comigo. Já está participando? Corre que ainda dá tempo.



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