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Domingo, 24 de outubro de 2021

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Manias que amo

Autor: Isolda Risso

16 Jul 2015 - 14:11

Arquivo Pessoal

Atire a primeira pedra quem está isento de manias, todos temos e conforme o tempo passa, elas aumentam. Eu sou aquele tipo de gente rotineira e cheia de manias. Gosto de acordar mais ou menos no mesmo horário, nunca muito cedo, antes das 8h30 me soa como antiético e ser ético é algo sério para mim.

Meu desjejum deve ser sem atropelos, até porque meu cérebro não funciona mesmo ao acordar. Fico meio zumbi por uma hora, depois desse tempo, lentamente, começo a pegar no tranco e aí o problema é me desligar ao término do dia.

Meu cardápio não é muito variado, gosto de comer as mesmas comidinhas, de preferência quanto mais simples, melhor. Variar de vez em quando faz bem, mas sem muitas aventuras. Aí esta uma coisa que não me pega mesmo: aventura e filme de terror estão no mesmo patamar, ou seja , Deus me livre.

Não vejo problema em comer mamão, pãozinho francês com manteiga ou queijo branco, café forte com uma gota de leite, pasta de maracujá ou coalhada com um fio de mel quase todas as manhãs. Vez ou outra entra omelete , suco, melão, mas por que algumas pessoas se incomodam tanto com nosso jeito de ser ?

Por que tenho que mudar meu cardápio se ele me satisfaz e me dá prazer? Se fosse um caso de saúde, ok, mas não é. Sou muito caseira, detesto lugares cheios e barulhentos, por que é que tenho que ir sempre a festas ?

Dia desses, em meio a outras pessoas, ouvi: “Todo mundo gosta de festa. Na hora rebati : “eu não!” Pronto, foi o suficiente para se darem o direito de me convencer do quanto eu estava perdendo com esse comportamento. Mas gente... estou perdendo o que?

De ver pessoas? De ver amigos ? Para isso pego o telefone e converso com eles, marco um encontro na minha casa, na casa deles, ou em outro lugar. Por sinal acho mais agradável a convivência nessa situação do que em lugares que terei que me esforçar para falar e ouvir.

Também outro dia ouvi uma assim: “meu domingo foi péssimo, passei o dia todo arrumando armário”. Pensei: que delícia, adoro arrumar armário nos fins de semana, não toda semana, óbvio, mas de vez em quando é tão bom!

Meus domingos são em casa de pijama e por falar em pijama, tenho uma calça de malha branca onde está escrito NY, o domingo que não passo com ela não me parece domingo, é mais uma das esquisitices que me faz bem.

Tenho um ritual antes que me deite à noite, banho, escovar dente, fio dental, hidratante corporal, face, bepantol na boca e pentear minhas sobrancelhas. Sim... não consigo ir para a cama sem penteá-las e toda vez que minha filha me vê fazendo isso, fala: “mãe, que absurdo pentear a sobrancelha para dormir, de onde você tirou isso”? Não tenho a menor ideia de onde veio essa mania, mas ela me acompanha há anos e não me incomoda em nada.

Se por um lado não vejo problemas com minhas manias, acho muito chato ter que ficar respondendo perguntas do tipo : Pasta de maracujá todos os dias? Por que não sai de casa? Porque não gosto, oras... saia você! Falo que gosto de caminhar ao redor do quartel, ai vem um e fala : no quartel não, o parque é muito melhor. Eu pergunto: o parque é melhor para quem ? Para você ? Então vá...

Comento que vou viajar para tal lugar e o plantonista da vez diz: “de novo para este lugar ? Quantas vezes você já foi para lá ? Isso está errado, você tem que variar”. Ué, se gosto por que não ir de novo e de novo ?

Ok, a vida como levo pode não ter brilho nem ser interessante para muita gente, mas é a vida que gosto de levar, eu levo a minha, você leva a sua e os outros que levem do jeito que for melhor para si!

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*Isolda Risso é pedagoga por formação, coach, cronista, retratista do cotidiano, empresária, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento, é possível transformar as amarras em andorinhas libertadoras.

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