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Sexta-feira, 15 de outubro de 2021

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Eu e Don...

Autor: Isolda Risso

20 Ago 2015 - 14:10

Arquivo Pessoal

Todos temos um amigo do peito, um amigo irmão.
Amigo de viagem
Amigo de festa
Amigo confidente
Amigo de fé
Um amigo mentiroso, um folgado, um sonhador.
Amigo chato
Amigo engraçado
Amigo para rir, amigo para chorar, sem contar o amigo da onça.
Independente do tipo de amizade, adoro todos os meus amigos, se assim não fosse, não seriam meus amigos e sim meus conhecidos.

Entre os meus amigos, um deles é para caminhar, passamos longos períodos sem nos ver e quando nos encontramos é sempre a mesma alegria, parece que foi ontem a última caminhada.

Nossa marcha além de longa, tem uma singularidade: terminamos sentados em uma mesa de bar filosofando, cantarolando, acompanhados de muitas geladas.

Depois de algumas horas assim voltamos para casa, um quase escorando no outro, rindo e planejando a próxima caminhada, que nunca acontece na data acordada.

Na última vez em que saímos para bater perna o papo rolou sobre a dureza da vida e a forma de enfrentá-la.
Dizem que a vida é bela, mas eu vejo a vida mais dura do que bela e este mundo é cão.

Gostaria de ver diferente, de sentir diferente, de falar o contrário, infelizmente não posso.

Quer gostemos ou não, as adversidades fazem parte da existência e superá-las é um dos maiores obstáculos que enfrentamos.
Elas nos são apresentadas durante toda uma vida, não privilegia raça, credo, intelecto ou condição econômica.
Nos coloca a todos no liquidificador e bate sem dó .

Todavia, há pessoas que parecem ter nascido para enfrentá-las de forma mais intensa, são muitos os infortúnios, os desafios não dão trégua, lutam com todo tipo de adversidade e não é raro as vermos serenas, confiantes, conseguindo sorrir e até aconselhar positivamente quem as cerca.
Enquanto a maioria dos mortais já teriam jogado a toalha, ela está ali, firme, forte, fé inabalável.

Há outro tipo de gente também, são aqueles que diante de um pequeno obstáculo se desesperam, revoltam-se.
Sentem-se esquecidos por Deus, se intitulam de azarados, praguejam, ninguém os entende, ninguém os ajuda.
Gente assim vive falando que é perseguido e não descarta a possibilidade de terem feito uma boa macumba para ele, por inveja é claro, e quer saber.... dificilmente esse tipinho tem algo a ser invejado.

Eu e meu amigo ficamos filosofando sobre o que faz com que haja essas diferenças, hipoteticamente somos todos feitos do mesmo barro, por que alguns encaram os percalços com altivez, enquanto outros se encolhem ?

Será que está na educação recebida dos pais? Se fosse assim, porque há irmãos que diante de desafios semelhantes encaram de forma tão diversa?
Será que ao nascermos alguns trazem um chip que os fazem mais habilidosos para lidar com as vicissitudes?

A ciência explica muita coisa, a psicologia também, mas o fato é que quando se refere ao ser humano não há formulas, nada é lógico, o homem surpreende sempre, às vezes para o bem e muito para o mal.

Lá pelas tantas, Don que é um homem de sabedoria e da psicologia, falou o seguinte: “Há fatores que ajudam a todos , não como uma regra, mas nos dá um norte, se vamos nos nortear por eles vai de cada um”.

- Diante de um problema tente se afastar e o olhe de fora, um problema quando visto de relativa distância é igual a uma paisagem, tem-se uma visão melhor do todo. Evite preocupar-se em demasia, a preocupação desmedida é igual a uma cadeira giratória, ela nos dá alguma coisa para fazer, todavia não nos leva a lugar algum.

Um fato curioso sobre a preocupação é que há muita gente que pensa que se não se descabelar ela não está dando importância à situação ou que está sendo irresponsável.

Aceite, ao aceitar um fato teremos mais facilidade de enfrentá-lo e resolvê-lo, afinal aceitando ou não, a encrenca está posta.
E para fechar a noite, o sabido do meu amigo, disse algo que a princípio é paradoxal com o que falou até então, mas faz todo o sentido: É preciso um pouco de fantasia e imaginação para elaborar a realidade concreta!

É isso aí, Don...

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*Isolda Risso é pedagoga por formação, coach, cronista, retratista do cotidiano, empresária, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento, é possível transformar as amarras em andorinhas libertadoras.

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