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Sexta-feira, 15 de outubro de 2021

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Surpresas...

Autor: Isolda Risso

03 Set 2015 - 09:35

Arquivo Pessoal

Desde que nasci, e não faz pouco tempo, ouço falar que quanto mais se vive mais se aprende. Os anos passam e a cada dia que passa comprovo a veracidade dessa fala.

Quem vive muito, pode aprender muito, e surpreender-se mais ainda.
A vida está cheia de surpresas e essas surpresas chegam até nós em tempos diferentes, e de diferentes formas.
Ao longo dos anos a vida tem me proporcionado momentos com boas e más surpresas e não posso e nem devo me queixar, afinal se eu for colocar as diferentes surpresas que chegaram até mim em uma balança, a balança vai pender para as boas surpresas... Sendo assim, está tudo certo.

Buscando na memória o que mais tem me surpreendido ao longo dos anos, a resposta, sem a menor sombra de dúvida, fui eu!

Sim, venho me surpreendendo a cada dia e cada vez mais!
Quem me conhece há mais tempo sabe que sempre usei meus cabelos escuros, mesmo tendo mais de 90% de fios brancos, sempre os mantive escuros.
Digo que minha alma é morena, que gosto de ser morena, e que jamais alguém iria me ver de cabelos claros.
Bradei aos quatros cantos que era mais fácil eu assumir os brancos ( vontade não falta, só a coragem que é pouca) do que ficar loira.

Então, pois é... nos últimos dias, algumas pessoas do meu círculo de amizade tem quase rasgado os olhos de tanto abri-los ao me ver. Até poucos dias, quando eu via um amigo se espantar ao botar os olhos em mim, eu perguntava: “que foi ? até parece que viu um fantasma”?
Não, eles não viram um fantasma, o que viram é a pessoa aqui que sempre fez questão de dizer que morreria de cabelo escuro, quase loira.

Sinceramente não sei o que me fez mudar, só sei que um dia acordei e já estava com vontade de clarear meu cabelo. Não deu outra, fui para o salão e quase matei meu cabelereiro do coração ao expressar a ele meu desejo.
Por alguns dias eu ficava justificando para mim e para os outros que eu estava cansada de retocar a raiz de dez em dez dias, mas sendo muito sincera com meus sentimentos, essa minha fala era só uma desculpa para explicar o que não sei explicar, na verdade eu quis clarear meus cabelos, não sei o porquê e ponto!

Outra coisa que tem me surpreendido é o meu desempenho no fogão.
Até bem pouco tempo atrás eu odiava cozinhar... além de não saber, nunca me interessei e na porta da geladeira aqui de casa o que mais se tem é imã com os Disk de comida. Era daquelas que ao estar com fome e não ter nada pronto na geladeira pegava uma bolacha, uma fruta, e se não tivesse nenhuma das duas, eu tomava um copo de água de boa, mas ascender um fogão para cozinhar um ovo sequer, nem pensar.

Difícil confessar, mas meus filhos comeram muito miojo na vida e depois que cresceram aprenderam a se virar rapidinho, porque mãe na cozinha para fazer comidinha eles nunca tiveram.
Não sei também quando nem como foi que começou meu interesse pela culinária, o fato é que a cada dia tenho sentido mais prazer em me aventurar com as panelas e tenho tido bons resultados. Quem não está gostando disso é meu bolso, afinal a conta do supermercado aumentou consideravelmente.

Sempre gostei de decoração, minhas casas sempre foram decoradas por mim.
Tenho jeito para a coisa, mas sempre que concluía um ambiente ele tinha que ficar impecável com os objetos depositados em seus respectivos lugares e ai de quem mexesse um milímetro sequer.

Meus olhos de radar detectavam na hora e aquilo me irritava absurdamente.
Colocava um vaso em um lugar e dali ele não saía por anos, só se eu mudasse de casa.
Pois não é que de uns tempos para cá dei de trocar tudo de lugar, a toda hora?
Coloco o vaso ali, daí uns dias troco as flores e coloco o vaso acolá... e depois acolá de novo... e virou uma trocação de coisa que não pára mais.

Poderia ficar aqui e descrever muitas outras situações em que tenho me surpreendido, mas o fato é: o que faz com que mudemos? Será que vamos aprendendo e mudando ao longo dos anos?
E aquelas pessoas que não mudam jamais?
Não tenho essa resposta, nem sei se quero ter, o que me importa, é que quero continuar a me surpreender, a cada surpresa tenho me sentido melhor em minha própria pele!

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*Isolda Risso é pedagoga por formação, coach, cronista, retratista do cotidiano, empresária, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento, é possível transformar as amarras em andorinhas libertadoras.

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