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Sexta-feira, 18 de setembro de 2020

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Cuiabá e a expectativa da conservação do nosso encanto

Autor: Raul Fortes

02 Abr 2018 - 15:41

“Terra agarrativa e linda”! Assim Gervásio Leite, poeta, cronista, jurista e jornalista, descreveu seu amor por nossa venerável Cuiabá. A afirmação afetuosa intitulou sua obra. E quando se fala de Cuiabá também penso em seu passado histórico, dos bandeirantes e desbravadores que, vindos com espírito dos tropeiros de Sorocaba, encontraram ouro; o mel das terras dos Paiaguás. Ao degustar um bom tinto português, tento imaginar o que sentiram Antônio Pires de Campos e Pascoal Moreira Cabral ao chegarem nessa terra.

No dizer do cronista José Barbosa de Sá, a abundância de dourados no rio fazia brilhar ao sol as águas, onde se banhavam as lontras também brilhantes. Muito brilho, luz, peixe, simplicidade e carisma. A terra detalhada em versos e prosas como sendo noiva do sol, tinha tudo para ser e acontecer. 
E, assim, atraente, foi.

Passados quase três séculos, aqui estamos a usar tecnologias que nos conectam na velocidade da luz, sem muitas vezes reverenciar figuras como Marechal Rondon que, instalando postes e fios telegráficos com a aspereza e as dificuldades do caminho, seguiu firme em seu propósito de interligar o Brasil com nosso imenso Centro-Oeste. Não contive aqui minha emoção ao imaginar Rondon conhecendo um smartphone equipado com GPS. Imagine se Dom Aquino tivesse a oportunidade de escrever a letra do seu imortal Hino a Mato Grosso utilizando touch screen? E se a saudosa Zulmira Canavarros pudesse escrever suas partituras num software Sibelius?

Mas, aqui estamos nós com tanta tecnologia ao nosso dispor. Contudo, tão ocupados com as ilusões da modernidade, sequer lembramos que um dia tudo se fez com ingredientes da coragem e resignação. Então, ao recordar as figuras que marcaram nossos trezentos anos, incluindo Zé Bolo Flô, Maria Taquara, Mãe Bonifácia, Dona Bem-Bem, Dunga Rodrigues, dentre tantos, em minha oportunidade de saudar nossa capital em seu aniversário, quero deixar aqui o meu apelo: que nós, os jovens conectados bandeirantes do presente, direcionemos empenho para nutrir um legado muito maior aos próximos trezentos anos. Vamos colocar nossa marca criando o novo e revigorando a história. Não nos faltarão ferramentas e oportunidades.

Em tempo: O que o futuro falará sobre nós?

Bom, mãos à obra!

*Raul Fortes é músico educador e apresentador.

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