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Sinto raiva sim, e dai?

Autor: Isolda Risso

17 Mai 2018 - 09:38

Falar sobre os nossos sentimentos não é fácil para ninguém. Algumas pessoas apresentam maior facilidade em se abrir, outras são verdadeiras conchas fechadas em suas emoções. No grupo dos fechados podemos dividi-los em dois:
 
Grupo 1 - aqueles que são fechados por natureza, personalidade introvertida, circunspecta;
Grupo 2 - aqueles que não expressam seus sentimentos por questões culturais, ou por não terem tido convívio em um meio que falar sobre as emoções é natural e faz muito bem.
 
Agora falar sobre os nossos sentimentos menos nobres é dificílimo para os falantes e para os discretos. Assumir sentimentos como a raiva, a inveja, o egoísmo, o orgulho, a ganância, é como se assinássemos uma promissória onde atesta que somos o Ser mais desprezível do universo. Fomos educados para sermos bonzinhos, afinal, só os bonzinhos são aceitos e amados. Qualquer coisa que fuja disso, somos considerados maus, criaturas abomináveis.
 
Veja bem, eu acredito na justiça divina e já que Deus é justo, bom e perfeito, porque ele nos daria como destino a terra, um planeta lindo, mas vamos lá, verdade seja dita, aqui tem um monte de catástrofe natural que causa estragos dantescos. Eu acredito que se fossemos perfeitos, Ele teria nos enviado para um lugar melhorzinho não! Para os completamente bons e perfeitos, creio que deva haver um endereço mais simpático que o nosso. Nós somos seres humanos em evolução e é absolutamente natural que os sentimentos inferiores ainda faça parte da nossa estrutura psicológica e emocional. Enquanto nós não assumirmos estes sentimentos de forma amorosa e respeitosa, nós estaremos vivendo cheio de máscaras e com isso retardando nosso crescimento emocional e espiritual. Se eu não tenho a consciência de um fato, como vou solucionar? Ou, se estou consciente da verdade mas procuro escondê-la por acreditar ser feia, fico sem um resultado positivo também. Obviamente que retirar a venda dos nossos olhos e nos deparar despidos da ilusão que criamos sobre nós mesmos, não é agradável para ninguém. Constatar que ainda não somos o que desejamos ser nos causa dor. Todavia manter-se ignorando a necessidade de melhoria é muito pior.
 
Todo sentimento revela algo sobre nós, sobre nossa personalidade, que na maioria das vezes nos negamos a ver e quanto mais nos negarmos, mais se avoluma, é como um fermento, cresce, cresce e transborda. Vou me utilizar da raiva não expressada ou assumida como exemplo. A raiva quando não assumida, e assumir o sentimento não significa sair soltando cobras e lagartos por ai, e sim ter consciência dele, ela cria distâncias transatlânticas entre as pessoas, é uma distância invisível aos olhos humanos ,mas quase palpável para o coração. É muito comum nos relacionamentos amorosos e familiares. Um dos envolvidos toma uma atitude que desagrada o outro, o outro fica furioso, não expressa o sentimento através do diálogo e ai vai se formando continentes entre os comprometidos. É muito comum que por temor da rejeição, nos calarmos diante de um aborrecimento, de uma ofensa, de uma incompreensão, ou para passarmos a impressão de bonzinhos vamos engolindo os sapos e sem conseguir digeri-los, a raiva se transforma em mágoa que se converte em toxinas emocionais que acabam por nos adoecer.
 
É fundamental fazermos o exercício de nos olhar despidos das máscaras que vamos acumulando ao longo dos anos e detectar nossas imperfeições, olhar para elas como parte do nosso estado de humanidade e nos trabalhar emocionalmente para transformá-las em virtudes. Quanto mais formos honestos com nossas emoções, maiores são as chances de vencê-las, assim como o distanciamento delas, irá nos distanciar na mesma proporção de nós mesmos e daqueles que amamos. Assuma seu sentimento, dialogue com ele, pacifique-o. Ouça sua raiva, ouça seu orgulho, sua ganância, ou outro sentimento qualquer, de atenção a ele, procure compreendê-lo, ele esta ali por alguma razão e comumente para te defender, proteger, só que de forma equivocada. Não o ignore, trate-o com respeito, desenvolva uma relação de confiança entre vocês e aos poucos se tornarão íntimos e juntos vencerão.
 
*Isolda Risso é Personal & Professional Coaching Executive, Xtreme Life Coaching, Neurociência no Processo de Coaching, Programação Neurolinguística (PNL) pedagoga por formação, cronista, retratista do cotidiano, empresária, Idealizadora do Café Com Afeto, mãe, aprendiz da vida, viajante no tempo, um Ser em permanente evolução. Uma de suas fontes prediletas é a Arte. Desde muito cedo Isolda busca nos livros e na Filosofia um meio de entender a si, como forma de poder sentir-se mais à vontade na própria pele. Ela acredita que o Ser humano traz amarras milenares nas células e só por meio do conhecimento, iniciando pelo autoconhecimento.

1 comentário

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  • Egnalos
    14 Jun 2018 às 15:42

    Amei o texto "Sinto raiva sim, e dai?". Reflete o meu eu no momento.

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