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Quarta-feira, 12 de agosto de 2020

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Marcello Antony diz querer torcida do público por casal gay de 'Amor à vida'

G1

26 Jun 2013 - 15:38

Ao falar sobre seu personagem em “Amor à vida” – um advogado bissexual que, na trama, vive relação homoafetiva estável –, Marcello Antony cita um dependente químico. Mais precisamente, o Guilherme Toledo de “Torre de Babel”, exibida entre maio de 1998 e janeiro de 1999. “Era uma novela muito forte”, lembrou o ator durante entrevista ao G1 na festa de lançamento da atual trama das 21h da TV Globo. “‘Torre de Babel tinha assuntos muitos novos.”

No caso, vício em drogas e “essa coisa das lésbicas”, nas palavras de Antony. Refere-se agora às mulheres interpretadas por Silvia Pfeifer e Christiane Torloni. Elas dividam o mesmo teto – “e, nos primeiros capítulos, tomavam banho juntas”, enfatiza o ator. “Mas em nenhum momento foi verbalizado, textualmente, que formavam um casal.”

É exatamente o contrário do que acontece com Eron, o papel de Antony, e seu companheiro, Niko (Thiago Fragoso). Em “Amor à vida”, formam declaradamente um par. “Nunca fui mostrada à população uma relação entre um casal homoafetivo”, afirma o ator ao explicar por que acha inédita a abordagem. “Vou fazer um personagem que nunca foi feito na TV, um bissexual”.

“É como se eles fossem um...” – ele, então, interrompe a descrição. “Como se fossem não. É como um casal normal, só que homossexual.” Segundo Antony, a possível (ou provável) aceitação do relacionamento vai se dever à “barriga de aluguel”. É que os personagens estão em busca de uma mulher que aceite gerar uma criança para eles. No momento, fazem entrevistas com candidatas ao “cargo”. “O foco vai estar mais em cima desse tema”, observa ator. Ele avalia que, com o desvio de atenção, ficam reduzidos riscos de rejeição por parte da audiência.

Antony aponta que não houve qualquer outro personagem homossexual que lhe tenha servido de inspiração. Dizendo que tentou escapar de “caricatura” e “estereótipo”, admite ter buscado exemplo em amigos. “O personagem do Thiago é mais solto. O meu é muito mais contido, por ser bissexual, por ser advogado, vive de terno e gravata...”

Para o ator, a bissexualidade de Eron deve contribuir. “Ele já foi casado com uma mulher antes, e aí se apaixonou pelo Niko. Mas, mais à frente, pode vir a ter um atrito de relação, e o Eron voltar a ter relação com uma mulher”, conta. A proposta é, a partir do conflito, fazer o público torcer pela manutenção do casal. “O nosso objetivo maior tem sido construir e dar um direcionamento aos personagens de tal forma, que, quando tiver esse atrito, o público diga: ‘Não separa, fica junto!’.”

Perguntado se isso representará um avanço de dramaturgia ou de direitos civis, Marcello Antony responde que “está tudo caminhando normal”. E recorre a esta comparação: “É um assunto ao mesmo tempo novo e batido. Porque todo mundo tem um amigo homossexual. Que nem antigamente, homem não podia usar brinco, [falavam] ‘pô, é viado!’. Homem dia, todo mundo usa brinco, sabe?”.

Ele acha que há chances de casal gay de “Amor à vida” ser mais bem acolhido que o de “Torre de Babel”. Recorda-se de que, nesta última, saiu de cena precocemente. “Houve aquela rejeição com meu personagem. Morri duas vezes: de overdose e soterrado pela ‘Torre’ [um shopping] que caiu.” Na mesma explosão que vitimou o dependente químico Guilherme, morreram Rafaela Katz e Leila Sampaio, as personagens de Christiane Torloni e Silvia Pfeifer.

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