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Do quintal ao Festival Internacional: Conheça o grupo de Siriri que reúne jovens da periferia cuiabana

Da Redação - Isabela Mercuri

18 Jul 2016 - 10:41

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Grupo pede ajuda para ir ao Festival

Grupo pede ajuda para ir ao Festival

Cerca de cinquenta crianças, jovens e adultos tem um encontro marcado toda sexta-feira à noite. O objetivo é um só: dançar o siriri. É no bairro periférico ‘Parque Atalaia’ que nasceu o grupo que, hoje, já participou de um festival nacional de dança no Rio de Janeiro e vai para um festival internacional de dança folclórica no Rio Grande do Sul.

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Tudo começou como uma brincadeira, quando Cristina Zuita decidiu fazer uma coreografia para apresentar em sua festa de aniversário, em novembro de 2013. “Eu queria fazer uma festa com o tema Cuiabá. Contratei o corógrafo Cleber de Moraes, ensaiamos dois meses e apresentamos no dia”, conta a cuiabana, hoje presidente do grupo.


Cristina Zuita, idealizadora e presidente do grupo (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

A ideia deu tão certo, que os que participaram quiseram continuar dançando. Aos poucos, mais e mais pessoas do bairro – e também de bairros vizinhos – se juntaram ao grupo. Khauanny Brenda, hoje com 15 anos, foi uma das que participaram desde o início. Hoje, ela conta que “se fica sem dançar, parece que falta uma parte do meu corpo”.


Khauanny Brenda (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

A experiência é compartilhada por grande parte do grupo. Muitos não sabiam dançar e tinham como única diversão ir à Igreja. “Eu enxergo este trabalho como um trabalho sócio-cultural. Porque toda sexta-feira a gente se reúne, fica duas horas aqui dançando, e esses jovens aprendem cultura ao invés de ficar na rua”, comemora Cristina.

Outro diferencial do grupo, para a presidente, é que tudo é feito ali: desde a música até o figurino. “No começo a gente dançava com música dos outros, ouvindo no pendrive. Hoje, a gente mesmo que compõe as letras, toca os instrumentos e canta”, conta. Assim, o Flor de Atalaia se torna cada vez mais autoral, sendo que cada integrante fica com uma função.

O amor pela dança é tanto que Marisete França Dias, irmã de Cristina, só parou quando a barriga de gestante não a deixou dançar mais. “Desde o início minha família apoiou, quando minha irmã teve a ideia de fazer a coreografia na festa”, afirma. Hoje, Marisete cede ao grupo o espaço onde ensaiam, e mesmo sem dançar está sempre presente.


Marisete, irmã de Cristina (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Festival Internacional

Hoje, o grupo Flor de Atalaia se mobiliza para participar, em setembro, do 1° Festival Internacional de Folclore “Mundo em Dança”, que acontece na cidade de Espumoso, no Rio Grande do Sul.

No festival, já estão confirmados grupos da Argentina, Bolívia, Paraguai, Colômbia, Peru, Equador, México, Paraguai, Peru, Portugal e Venezuela. Do Brasil, participarão somente o grupo cuiabano ‘Flor de Atalaia’ e mais um de Porto Alegre.

“Em abril participamos do Festival no Rio de Janeiro, levamos o primeiro e o segundo lugar na categoria ‘Dança Folclórica’, e fomos os escolhidos como ‘Coreografia do Dia’ e ‘Destaque do Festival’. Agora, é diferente, porque além de ser um festival internacional, é também um festival dedicado totalmente ao folclore”, afirma Cristina.

Para conseguir participar, eles pedem ajuda. Em abril, precisaram vender canecas para comprara as passagens e, desta vez, o grupo está vendendo rifas. “O melhor prêmio é uma bicicleta, mas tem também uma cesta de chocolates, um colchonete e um jogo de toalhas”, conta Cristina. Quem quiser ajudar o grupo, pode entrar em contato com ela pelo telefone (65) 99614-9469.

Para o coreógrafo Cleber de Moraes, esta é uma grande oportunidade. Depois de sete anos trabalhando com outros grupos, hoje ele se dedica totalmente ao Flor de Atalaia: “É importante principalmente o reconhecimento do trabalho, além de levar o nome de Cuiabá e de Mato Grosso para todo o país e o mundo”, comenta.

Natali da Silva, uma das dançarinas, de 16 anos, terá a primeira oportunidade de se apresentar fora do estado. “Eu vi o grupo se apresentando um dia e comentei com a minha amiga que tinha achado muito legal. Fui perguntar pra Cristina e ela me convidou pra participar. Fui num ensaio e não parei mais”, conta. A garota, que já fez aulas de Ballet, conta que foi difícil aprender o Siriri, mas que hoje também não consegue mais parar.


Natali e o coreógrafo Cleber (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Um dos dançarinos, que começou no grupo com apenas onze anos, hoje já tem 14 e também se prepara para dançar no Rio Grande do Sul. “Vamos chegar e arregaçar!”, brinca.


Gabriel de Souza, 14, dança desde os 11 (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Serviço

Conheça mais sobre o Flor de Atalaia na FAN PAGE ou pelo telefone da Cristina telefone (65) 99614-9469.

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