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Artista desde os 6, Valques Rodrigues expõe obras em novo café da capital

Da Redação - Isabela Mercuri

07 Ago 2017 - 09:23

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Valques Rodrigues

Valques Rodrigues

Fugindo da zona rural com destino à Paris e Londres, o artista plástico cuiabano Valques Rodrigues, 34, abriu, há cerca de um mês, sua exposição ‘Valques’nessência’ em um café na capital. Em pouco tempo, já foram sete obras vendidas, e outras colocadas no lugar. Vivendo da arte há anos, o pintor conta que fez essa mudança de tema para mostrar que sabe pintar de tudo. E sabe.

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Valques é filho do artista plástico Nilson Pimenta, considerado um dos 40 melhores artistas populares do mundo em 2012, pela Fundação Cartier para a Arte Contemporânea em Paris. Ele começou a pintar aos seis anos de idade, e desde cedo já comercializava sua arte.

“Eu acompanhava meu pai, via ele pintando e dando os cursos, mas ele nunca quis me ensinar, porque queria que eu criasse um estilo próprio”, contou Valques ao Olhar Conceito, em uma conversa na tarde do dia 4 de agosto. “Eu comecei a pintar, e vendia nos bancos da UFMT. No começo vendia mais desenhos, porque eram mais baratos, e era mais fácil de vender”, lembra. “E eu mesmo conseguia comprar meus trajes, minhas roupas. Era o menino mais arrumadinho da escola”.

Ainda criança, ele já expôs no Centro de Arte Primitiva de Brasília, em 1991. “Nessa parte meu pai me influenciou na questão de fazer minhas inscrições, porque só podiam maiores de 18 anos. Ele se inscrevia como meu representante, mas ia o meu nome”.

Ele cresceu, foi trabalhar em outras áreas, mas sempre continuou pintando. No ano 2000, uma de suas obras foi exposta na Bienal de São Paulo, e em 2001 ele foi chamado para servir ao exército. “Eu servi ali no 44, e levei o livrinho da Bienal. E aí todo mundo falava, rapaz, tem um artista aqui dentro do Batalhão, ele vai fazer umas artes aqui, e eu fazia uns desenhos”.

Quando saiu do exército, um ano depois, Valques já sabia que queria viver de arte. Para aprender a ganhar dinheiro com isso, então, ele fez alguns cursos de marketing e abriu uma Micro Empresa em seu nome. Com isso, passou a oferecer novas formas de pagamento e facilitar o acesso dos clientes.

Alguns anos depois, ele recebeu uma visita importantíssima em sua casa: Gilberto Châteaubriant, filho de Assis Châteaubriant. “Ele foi na minha residência em 2012 e comprou três telas”, lembra. Dois anos depois, o Museu de Arte Moderna (Mam) do Rio de Janeiro entrou em contato com o cuiabano, o parabenizando porque uma de suas obras seria exposta no local.

A obra “Cortadores de Canas”, de Valques, integrou a exposição “Novas Aquisições 2012/2014 – Coleção Gilberto Chateaubriand”. A coleção está no local desde 1993, tem mais de oito mil peças e é internacionalmente conhecida como um dos mais completos conjuntos de arte moderna e contemporânea brasileira. 

Quatro anos depois da primeira visita, em 2016, Gabriel voltou a comprar as obras de Valques. Desta vez, no entanto, foram 12 obras adquiridas.

Flor café

A nova exposição de Valques Rodrigues veio ao encontro da inauguração do café-bistrô “Flor Café”, que abriu as portas há 45 dias. O proprietário, Luiz Gustavo Nunes, voltou do Paraná há pouco tempo, e viu na mostra uma forma de valorizar a ideia de seu espaço.

Luiz Gustavo Nunes (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

“Um jornalista amigo meu veio aqui e falou, esse é um espaço legal, você já pensou em transformar aqui numa galeria, trazer artistas pra expor aqui? E eu falei, olha, é tudo que eu queria. Porque a ideia da concepção do café, desde o início é que fosse um espaço multiuso. Eu até brinco que eu não queria isso com cara de fast food. É um espaço slow food, e arte tem tudo a ver com o que a gente quer”, explicou o empresário.

As obras de ‘Valques’nessência’ foram feitas especialmente para a exposição. “Eu quis fazer telas de uma temática que nunca fiz, para provar que eu sei fazer além de pinturas sobre a zona rural. Então pintei Paris, pintei a Inglaterra, e os santos”, explica o artista.

As telas de Valques são vendidas por uma média de R$2 mil, dependendo do tamanho e do grau de dificuldade. Desde o início da exposição, já foram compradas sete obras. “Eu chego a pintar doze horas por dia, quando estou inspirado. E não tenho dificuldade para vender, não. Tem pessoas que vendem minhas obras também, e já foram para Mato Grosso do Sul, São Paulo... vários lugares”.

Obras da exposição (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Além das telas, Valques também faz suas obras sob encomenda, em paredes, e na última semana pintou nove frigobares na pousada Chateau Camalote. “Lá eu fiz mais temas regionais, como galinhas d’angolas, peixes... mas ficou muito bom. Porque pintamos e depois passamos verniz de carro em cima, então não tem como sair”, comenta.

Quem quiser conhecer mais o trabalho de Valques pode entrar em contato pelo celular (65) 99309-8879.

Serviço

Valques'nessência
Entrada: Grátis
Local: Flor Café Cuiabá: R. Luiz de Caio Pinheiro, 449, Santa Helena, Cuiabá – MT

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