Olhar Conceito

Sábado, 05 de dezembro de 2020

Notícias / Artes visuais

OAB realiza reunião pública contra a censura das artes após obras de Gervane serem retiradas de Shopping

Da Redação - Isabela Mercuri

20 Set 2017 - 17:00

Foto: Reprodução / Ilustração

Obra de Gervane de Paula foi censurada em Shopping

Obra de Gervane de Paula foi censurada em Shopping

Após duas obras do artista plástico cuiabano Gervane de Paula serem censurada na exposição ‘Amo Cuiabá’, que foi lançada no Pantanal Shopping no último dia 29 de agosto, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) decidiu fazer uma reunião pública de manifesto contra a censura às artes e liberdade de expressão na próxima quarta-feira, 27.

Leia também:
Exposição fotográfica que une o nu feminino com elementos do cerrado é censurada e retirada do Goiabeiras Shopping
 
A censura aconteceu após um visitante do shopping fazer um vídeo, no início desta semana, dizendo que a obra era imprópria para crianças. “Pessoal, eu estou em uma exposição aqui no Shopping Pantanal e aí para vocês verem como o negócio a nível Brasil banalizou mesmo. Dá uma olhada no tipo de quadro que está sendo exposto aqui”, dizia o homem.
 
As obras em questão eram do artista plástico Gervane de Paula, que nasceu em Cuiabá e tem um extenso portfólio de obras e intervenções. Em 1976, entrou em contato com o Ateliê da Fundação Cultural, instalado no Palácio da Instrução, onde foi orientado por Dalva de Oliveira e Humberto Espíndola. Em toda sua carreira, já foi citado por grandes críticos de arte como Frederico Morais, Aline Figueiredo - que o acompanha desde o início de sua carreira -, Aracy Amaral, Xico Chaves, Roberto Pontual, Ivens Cuiabano Scaff, Ludmila Brandão, Ferreira Gullar, entre outros.

Gervane de Paula (Foto: Luiz Marchetti)

De acordo com a assessoria da OAB/MT, a decisão de realizar a reunião veio após a intensificação das ações de protesto, boicote e censura às manifestações artísticas. Além da obra de Gervane, na semana passada um caso parecido aconteceu em Porto Alegre, quando o Santander Cultural decidiu cancelar a exposição “Queermuseu – cartografias da diferença na arte brasileira”, depois de protestos e boicote de clientes da instituição financeira.
 
Em Cuiabá, no ano passado, o fotógrafo Tchélo Figueiredo teve sua exposição “Cinco Elementos do Cerrado” retirada do Goiabeiras Shopping, também após reclamações. Depois da censura, as fotos foram abrigadas na Galeria Silva Freire, na OAB/MT, e também no Museu de Arte de Mato Grosso (MAMT).
 
Exposição fotográfica foi censurada no Goiabeiras em 2016 (Foto: Reprodução)

Atualmente, a Galeria Silva Freira recebe a exposição do artista plástico Amâncio Ribeiro, que em seu acervo, conta com a tela “173 Dias de Corrupção”. Amâncio conta que esta foi a primeira vez que expôs sua obra, pois durante sua execução chegou a sofrer um atentado que visou destruir a tela.

173 dias de corrupção (Foto: da Assessoria)

“É uma pressão pequena e que começou a ganhar corpo e isso é muito perigoso”, alertou Flávio Ferreira, vice-presidente da OAB e presidente da Comissão de Cultura e Responsabilidade, que realiza a reunião na próxima quarta. O encontro terá por objetivo reunir artistas, profissionais da advocacia e a comunidade em geral para discutir a intransigência que tem se repetido no cenário cultural mato-grossense.
 
“Não podemos ficar tranquilos quando se impõe censura à arte principalmente. Então, a finalidade desse encontro é definir como a sociedade pode agir para que atitudes de censura não se perpetuem num ambiente democrático tão duramente conquistado”, afirma Flávio.

Comentários no Facebook

Redes Sociais

Sitevip Internet