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Domingo, 26 de junho de 2022

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Cuiabania

Preparos para a Festa de São Benedito 2018 já começaram; Igreja serve Maria Isabel toda terça-feira

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto/Reprodução

Maria Isabel é vendida por R$ 10 todas às terças-feiras, ao lado da Igreja do Rosário

Maria Isabel é vendida por R$ 10 todas às terças-feiras, ao lado da Igreja do Rosário

Às margens do Córrego da Prainha, São Benedito está a abençoar e amparar todos aqueles que passam pelas vias abertas de Cuiabá, o coração da América do Sul. O santo negro e pobre, analfabeto e sábio, é um dos mais venerados em Mato Grosso, antes mesmo da construção da Igreja do Rosário. Sua história de humildade remete a própria identidade cuiabana, de um povo de suor e sangue, e hoje é tido como um dos padroeiros da Capital.

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A Festa de São Benedito é celebrada desde 1722, conforme os registros. Tamanha foi sua popularidade, que acabou sendo erguida uma capela ao santo, finalizada em 1930.

Realizada anualmente, a tradição continua, e a imagem de São Benedito percorre as comunidades no mês de maio, a bandeira visita as casas em junho para enfim, dar início aos festejos na “domingueira de julho”.

Após a presença de 130 mil pessoas nesse ano, os preparos para a celebração em 2018 já está caminhando, e já foram definidos o rei e a rainha: o vice-prefeito de Cuiabá, Niuan Ribeiro e Cecília Alonso Correa Fortes.

Vice-prefeito, Niaun Ribeiro e Cecília Alonso foram escolhidos rei e rainha em 2018

Todas as terças-feiras são destinadas duas missas a São Benedito, às 5h da manhã e 19 horas, marcadas pelo tradicional “chá com bolo” e jantar ao final da missa, vendidos à R$ 3,00 e $10,00, respectivamente. O dinheiro das vendas é revertido para a realização da festa e manutenção da Igreja.

O primeiro contato de Niaun com São Benedito foi aos seis anos e por intermédio da avó, que morava na região e era devota do santo. Vinte e seis anos depois, ele diz se orgulhar de ter sido coroado rei, cuja missão é trazer a população mais jovem para celebrar a festa.

“Isso aqui é a cara da cuiabania. Não tem nada que dá mais orgulho, para quem gosta da sua cidade, do que cultuar sua tradição e Cuiabá tem que fazer isso. Nós temos uma cultura rica, tricentenária e precisamos cultuar isso para que não se perca. O mais importante de eu estar aqui hoje é de trazer gente nova também, que não conhece a tradição”, disse.

Cecília Alonso, que morou no Araés, foi eleita e primeira rainha da Festa em sua família, que é toda devota do santo. Diante da responsabilidade, ela e os festeiros já coordenam os eventos futuros de arrecadação e divulgação, como a primeira Feijoada de São Benedito, marcada para novembro. “Estamos esperando como vai ser o decorrer do ano para poder definir o tema da Festa de São Benedito. Nós queremos fazer nossa primeira feijoada, a corrida de São Benedito e vamos fazer uma manhã de recreio, no Parque Mãe Bonifácia, com todos os fiéis do santo”, explica.

Se na cozinha São Benedito intercedia – inclusive é protetor dos cozinheiros -, com os fogões dos festeiros não é diferente. Nos fundos da Igreja, se reúne os cuiabanos antigos e tradicionais, todos devotos ao santo. Assim como ele fazia milagres, o pessoal da cozinha também se desdobra para conseguir atender a demanda dos jantares das terças-feiras e na semana da festa.



Terezinha Pereira Neves, de 61 anos, dedicou mais de 20 deles à cozinha de São Benedito. Em 2013, após passar 50 dias no hospital para operar a vesícula, ela recebeu um milagre do santo, e como promessa, serve nos preparativos da festa.

“Depois de muita necessidade e dificuldade, atravessei muita situação difícil, então esse ai é caso confirmado. Porque o que aquele ali falar, minha filha, você pode escrever, não nega de jeito nenhum!”, diz, e manda um beijo à estatua de São Benedito, que fica numa prateleira da cozinha.

“Eu tive uma recaída, o médico falou para eu operar a vesícula. Ela foi retirada, deu hemorragia no fígado, ai acabou o mundo, mas quando eu entrei, para a cirurgia, entrei confiante em São Benedito e vi até aquela coroa dele”, relembra.

Junto com Nilson Paulo de Arruda – outro que também recebeu o ‘milagre do santo’ -, eles revezam os horários da cozinha. Na semana da Festa, eles chegam a entrar até de madrugada.

“Todo mundo que me conhece pergunta ‘mas Tete, que diacho é esse? De segunda à segunda? Sábado e domingo, você vara o ano trabalhando?’ E eu digo graças à Deus, é pra ele. Só minha vida, de estar aqui, eu agradeço a ele. O Nilson também, quase foi pra gaita, eu e ele! Esse solo aqui, que você ta pisando, é bom, mas tem muito a se fazer”, conta enquanto mexe a farofa de banana, depois servida com a Maria Isabel após a missa.
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