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Brasil é o 1º país em recursos naturais, mas falta de infraestrutura e divulgação atrapalha turismo de natureza

de São Paulo - Isabela Mercuri

29 Set 2017 - 16:10

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

Observação de onça atrai turistas ao Pantanal

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Serras, praias, cavernas, cachoeiras, praias: o Brasil foi colocado, pela ‘Wolrd Travel &Tourism Concil’, em 2015, em primeiro lugar no ranking de países com mais recursos naturais, e em 8º no de recursos culturais disponíveis. Apesar disso, o país ainda precisa lutar para estar entre os mais populares nos sonhos de viagens dos estrangeiros. O que os números mostram, principalmente, é que existe – e muito – espaço para crescer.

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Os dados foram passados por Luiz Del Vigna, sócio-fundador da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura, durante sua palestra ‘Turismo e natureza: uma oportunidade de negócios’, que foi realizada na tarde desta sexta-feira (29) na Vila do Saber, dentro da 45ª Abav Expo, em São Paulo.

Luiz trabalha na área há 40 anos e foi um dos fundadores da Associação por acreditar na necessidade de levar as pessoas para ‘viver mais ao ar livre’. Desde o início, há 13 anos, a ABETA prega esta ideologia buscando, também, transformar o turismo de aventura e o ecoturismo em uma grande fonte de renda.

Luiz Del Vigna (Foto: Isabela Mercuri / Olhar Conceito)

“O que os turistas buscam quando vão atrás do ecoturismo e turismo de aventura? Se reconectar com a infância. O que eles querem é se lembrar da época em que não tinham com o que se preocupar porque tinham quem cuidasse deles”, alertou o palestrante.

Segundo Luiz, os diversos recursos naturais do Brasil precisam ser explorados de forma inteligente. “Nós acreditamos que o que temos em nossas mãos é uma gigantesca oportunidade de mudar a economia brasileira”, garantiu. Para isso, no entanto, é necessário investimento, de diversas formas.

A primeira delas, lembrou Luiz, é o conhecimento do próprio país. “É impossível apresentar o Brasil para os estrangeiros se a gente não conhece o nosso próprio quintal”. Outra necessidade vem das infraestruturas, principalmente em aeroportos, rodovias, sinalização turística, segurança pública e saneamento básico.

Um dos focos, ainda pouco lembrado pelos brasileiros, são os Parques Nacionais. “O Brasil possui 73 parques nacionais, 26 estão abertos para visitação, somente 18 possuem estrutura adequada. E em 2012, 5,1 milhões de pessoas visitaram esses parques, deixando R$27 bilhões. Mas este é um número mentiroso”, afirmou. “Mentiroso porque destes 5,1, 70% são em Foz do Iguaçu, uma maravilha da natureza, e no Parque Nacional da Tijuca, que também é uma maravilha da natureza, mas que o pessoal não vai visitar o Parque. Eles vão visitar o Cristo, e fica computado como se fosse o Parque”. Enquanto tudo isso acontece por aqui, nos EUA os Parques Nacionais receberam 275 milhões de visitantes em 2012.

Um destes parques ‘esquecidos’ pelos turistas é o de Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. Ele compete pelos 30% junto a outros grandes, como os de Chapada Diamantina e dos Veadeiros. Para a conselheira da ABETA em Cuiabá, Lisa Canavarros, o grande problema está na divulgação. “Eu acho que falta divulgação, falta um trabalho também de estruturar a cadeia turística, tanto cadeia hoteleira, de acesso, de estradas, e de divulgação mesmo, porque potencial nós temos”, afirmou, em entrevista ao Olhar Conceito, após a palestra. Segundo Lisa, a ABETA possui somente três associados em todo o Mato Grosso.


Conselheira da ABETA em Cuiabá, Lisa Canavarros (Foto: Isabela Mercuri / Olhar Conceito)

Sem divulgação, o turista não sabe o que encontrar. E o Brasil acaba ficando de fora, por exemplo, da lista do site Virtuoso de ‘Tendências do Turismo de Natureza 2016’, que tem, em primeiro lugar, a Islândia. “Quanto vale pra um chinês, que passa o inverno em Pequim, respirando aquele ar sólido, passar uma temporada aqui com a gente respirando ar puro e tomando água boa?”, indagou Luiz. O que falta, é só ele saber onde ir. 

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