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entenda o fim

“Até quando a cultura vai aguentar viver de decepção?”, indaga presidente da AML sobre cancelamento do Literamato

Da Redação - Isabela Mercuri

18 Out 2017 - 14:06

Foto: Rogério Florentino Pereira / Olhar Direto

“Até quando a cultura vai aguentar viver de decepção?”, indaga presidente da AML sobre cancelamento do Literamato
Marcada para começar na próxima quinta-feira (19) e seguir até sábado (22), a feira literária ‘Literamato’ morreu na praia. Com extensa programação que continha mesas redondas, oficinas e até mesmo a presença de um autor angolano, o evento foi cancelado, segundo nota dos organizadores, “em virtude de questões técnicas e operacionais”, e com a promessa que aconteça em 2018. Para a presidente da Academia Mato-Grossense de Letras, Marília Beatriz, no entanto, a sensação que fica é a de decepção.

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“Nós sabíamos que não seria algo parecido com o Literamérica, mas ficamos esperançosos porque haveria muitas trocas. E a literatura, a arte em geral só se faz a partir da diferença”, disse ao Olhar Conceito. “Eu, Marília, tinha esperança, mas, no fundo, estava desconfiada porque há tempos vejo que os poderes, tanto públicos quanto privados, têm feito coisas impróprias com a cultura. E quais são essas impropriedades? De prometer coisas e não cumprir, ou fazer diferente do que foi proposto”, lamenta.

O Literamato era uma iniciativa da Associação Casa de Guimarães, uma organização social, e seria realizado por meio de emendas parlamentares impositivas destinadas à Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer (Seduc). De acordo com a assessoria de projetos da secretaria, no entanto, a feira teve parecer negativo porque se entendeu que ela não tinha um cunho pedagógico, e sim cultural. Ou seja, deveria ser encaminhado à Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

No total, a feira custaria aos cofres um valor de R$3.056.150,00, e as emendas viriam dos deputados Max Russi (PSB), Romoaldo Júnior (PMDB) e Jahjah Neves (PSDB). Outro problema pontuado pela assessoria da Seduc foi de que até a data do parecer, nem metade do valor necessário havia sido efetivamente destinado à secretaria.

O projeto, inclusive, havia sido encaminhado somente em setembro, ou seja, pouco mais de um mês antes da realização da feira. Para a escritora e membro da AML, Marta Cocco, este tempo pode ter sido um dos fatores que prejudicou a realização da feira. “Quando me convidaram eu achei realmente que estava em cima da hora. Eu não tinha lido as obras dos autores que estariam na mesa comigo, e comecei a ler para participar”, disse. “Eu não sou, de forma alguma, contrária a essa feira, inclusive acho que é algo que tem que acontecer, mas eu acredito em um evento que começa a ser realizada um ano antes, e que a feira em si é só o final”, afirma.

Marta Cocco (Foto: Olhar Conceito)

Marta, que é também professora de literatura, e iria compor, no evento, a mesa “A Literatura brasileira e o livro hoje”, com os escritores Luiz Ruffato, Stella Maris Rezende, e Lorenzo Falcão como mediador, afirma que o ideal seria desenvolver todo um trabalho anterior nas escolas, para que os alunos conhecessem os autores convidados “e olhassem para eles nas mesas não só como pessoas físicas, mas sim como autores de obras complexas, que podem ser analisadas de diversas formas”. “A gente precisa disso. Os professores, hoje, fazem das tripas coração para que os alunos leiam, porque eles não querem mais ler”, lamenta. “E eu vejo que eventos como estes estimulam a leitura”.

Prêmio de literatura

Uma das promessas do Literamato era de integrar, também, o 3º Prêmio Mato Grosso de Literatura, com a premiação e o lançamento das obras escolhidas pelo edital. Apesar de a feira ter sido cancelada, o prêmio vai acontecer normalmente, na próxima quarta-feira (25), a partir das 19h30, no Salão Clóvis Vettorato, no Palácio Paiaguás.
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