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Instante de delírio e afeto, Espetáculo OraMortem volta em curta temporada no Sesc Arsenal

Da Redação - Vitória Lopes

19 Abr 2018 - 09:08

Foto: Juliana Segóvia

Instante de delírio e afeto, Espetáculo OraMortem volta em curta temporada no Sesc Arsenal
OraMortem, primeiro espetáculo do in-Próprio Coletivo (MT), estreou em Cuiabá em outubro de 2014 e, desde então, já passou por mais de 30 cidades brasileiras, além de receber dois Prêmios Cenym de Teatro Nacional. Nesse fim de semana, nos dias 20, 21 e 22 de abril, o espetáculo faz uma curta temporada no teatro do Sesc Arsenal, com duas sessões por dia. “Pra quem já viu o OraMortem, eu sugiro que veja novamente, porque dessa vez teremos algumas surpresas”, afirma Karina Figueredo, iluminadora do in-Próprio Coletivo.

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OraMortem é fruto de uma experiência em criação compartilhada. O espetáculo trata das sensações de uma senhora ao projetar possíveis encontros com um jovem. Em cena, dois atores, três músicos e uma iluminadora performer adentram um espelho d’água para, juntos, tecerem uma narrativa que se apoia nas sombras projetadas, nos sussurros dos amantes e no compasso dos seus (des)encontros.

Não há utilização da palavra, algo que convoca o espectador a construir uma narrativa subjetiva baseada nos estímulos audiovisuais a que é exposto. Assim, experimentar OraMortem requer que essa convocação seja um acordo tácito entre os artistas e a plateia. O convite está feito.
 

Sinopse

OraMortem é um momento inesperado, um delírio disparado no encontro da Velha com o Menino. Dois personagens se fragmentam em reflexos e projeções para expor aquilo que não cabe, que é desajustado, que escapa das clausuras do espaço-tempo. A proximidade da morte como sintoma de vida. O corpo dela transborda e o espaço inundado está na iminência de derramar.

O impulso vital

OraMortem é inspirado num instante de delírio e transbordamento dos afetos da avó de Daniela Leita, dona Maria de Lourdes, uma mineira de 90 anos. Ela viveu junto a José durante 65 anos, seu companheiro que faleceu em 2011, devido a um enfisema pulmonar. Logo após a viuvez, Lourdes passou por uma cirurgia de catarata e, possivelmente devido ao uso de anestésicos somados às fragilidades emocionais daquele período, passou a ter delírios.

Acreditava ser jovem, como numa mudança brusca de percepção do tempo. Preparava-se para o encontro com seu namorado, com todos os anseios peculiares de uma adolescente. Além disso, confiava que suas filhas eram, na verdade, suas irmãs e, desde então, começou a compartilhar intimidades de sua vida nunca antes reveladas. 

Processo de criação

A partir da narrativa do delírio da Dona Lourdes, foram criadas imagens que nos levaram à construção do espelho d’água como o lugar do acontecimento. Ele foi o disparador de possibilidades para a composição da trama e de todos os corpos em cena. Os procedimentos criativos foram acessados em fluxo contínuo e em justaposição de camadas, nas quais as partes envolvidas, ou seja, o espaço, a luz, a música e a atuação retroalimentaram-se e influenciaram-se simultânea e constantemente.

A construção das personagens se pautou em aspectos do teatro performativo. Assim, o grupo optou por investigar estados de presença e não apenas explorar uma representação óbvia do que seria uma senhora e um jovem. Os desenhos de cenário, trilha sonora e luz foram construídos no encontro e através de experimentações com objetos e instrumentos disponíveis, bem como suas possibilidades em relação com o espaço. Assim, foram criados recortes, intensidades, tons e efeitos que propuseram diretamente os desenhos das cenas. A dinamicidade desse modo de criar arte interage criação, processo e formalização. A obra, pensada na via do work in process (Renato Cohen), é inteiramente dependente do processo, sendo permeada pelo risco e, sobretudo, pelas vicissitudes do percurso.

O espetáculo

O que é possível ver pela fresta da memória? OraMortem é um exercício de projeção do que é recôndito. É um momento inesperado, fragmento de sonho, fração de loucura, desarranjo do tempo, a última gota, um delírio. Trata a iminência da morte como um sintoma de vida. Dois personagens se fragmentam em reflexos e projeções para expor aquilo que não cabe, que é desajustado, que transborda das clausuras do espaço-tempo, que está fora do esquadro.

O espetáculo desarticula a noção de ficção e propõe fricções de presença entre os artistas e o público. Não esconde as engrenagens técnicas pois escancara a estrutura interna da criação, em que a iluminadora/performer e os músicos manipulam seus instrumentos luminosos e sonoros dentro da cena. Manejam múltiplas linguagens, recursos e hibridizações para tecer a dramaturgia que é engendrada no fluxo de estímulos e contaminações proposto por todas as linhas envolvidas, como a luz, a música, o espaço e os atores.
 
Serviço

Dias: 20, 21 e 22 de abril
Duas sessões | dia: 19:30h e 21h
Local: Teatro Sesc Arsenal
Valor: R$ 15,00 (inteira) | 7,50 (meia) | 5,00 (comerciário)
Ingressos começam a ser vendidos 1 hora antes de cada sessão.
Classificação indicativa: 12 anos

Ficha técnica
Concepção: in-Próprio Coletivo
Argumento: Daniela Leite
Elenco: Daniela Leite e Pedro Vicente
Concepção e operação de luz: Karina Figueredo
Criação e execução da trilha sonora: Estela Ceregatti, Jhon Stuart e Gustavo Lima
Cenário: Luis Segadas e Daniela Leite
Figurino: Einstein Halking
Confecção de figurino: Loraine Costa, Roseni Peron, Kimberly Cristy e Adalgiza Barros
Fotografias: Juliana Segóvia e Latitude Filmes
Agradecimentos especiais: Felipe Vicentim (in memoriam)

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