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Peça 'Três Dias de Chuva' mostra um conflito que revela segredos

Estadão

26 Jul 2013 - 15:30

Um casal de irmãos é surpreendido com a leitura do testamento do pai, recém-falecido: sem nenhuma explicação, o homem deixou o bem mais valioso da herança para um rapaz, filho de seu sócio no escritório de arquitetura. Como Ned poderia ter feito isso com Walker e Anna? Esse é o ponto de partida de Três Dias de Chuva, peça que estreia hoje no Teatro Raul Cortez.

Escrita pelo americano Richard Greenberg, o espetáculo inicialmente se passa em 1995 e, ao longo desse primeiro ato, o público acompanha os irmãos discutindo e julgando o passado do pai, acusando-o de ser ausente em suas vidas. "Mas, na verdade, a herança é apenas o motivo para os filhos julgarem os atos dos pais no passado, mesmo sem conhecer suas razões", comenta Jô Soares, tradutor e diretor da montagem, a primeira desse texto no Brasil. "A habilidade de Greenberg está em surpreender a plateia no segundo ato, quando muitas verdades desabam."

De fato, quando a peça se reinicia, volta-se ao passado, ao ano de 1960, quando os jovens arquitetos Ned e Theo ficam presos em seu escritório durante três dias, devido a um forte temporal. Com eles, está a noiva de Theo, Lina, que, durante aquele período de convivência forçada, vai despertar a paixão de Ned. "É essa misteriosa relação triangular que, aos poucos, vai responder às questões levantadas no primeiro ato", disse Jô, que comanda um trio de atores que representam papéis diferentes nos dois atos.

Perspectiva. No primeiro, os irmãos Walker e Anna são interpretados por Otávio Martins e Carolina Ferraz, enquanto o filho do sócio, Pip, é vivido por Petrônio Gontijo. Já no segundo tempo, quando acontece o recuo ao passado, Martins e Gontijo representam Ned e Theo, e Carolina assume o papel de Lina. "Isso reforça o interesse do autor em mostrar como a perspectiva dos fatos acontecidos na nossa vida são variáveis dependendo de como são observados", observa Jô.

Escrita em 1997, Três Dias de Chuva comprova o talento do dramaturgo Richard Greenberg para a elaboração de tramas que apontam para um caminho quando, na verdade, pretendem conduzir o espectador para outro campo. Comparado pelos críticos americanos a outros dramaturgos de diálogos afiados, como Noel Coward e Philip Barry, Greenberg se caracteriza por evitar especificar o ambiente da trama (em Três Dias de Chuva, pipocam indícios de que se passa em Nova York) e também a desenhar sem grande definição seus personagens. Certa mesmo é a tática de criar falas ao mesmo tempo engraçadas e inteligentes, em que a crítica é maquiada por comentários espirituosos.

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