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Sábado, 02 de julho de 2022

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Em Cuiabá, muçulmanos iniciam mês de sacrifícios e jejum nesta quinta-feira

Foto: Rogério Florentino Pereira/ Olhar Direto

Em Cuiabá, muçulmanos iniciam mês de sacrifícios e jejum nesta quinta-feira
Centenas de cuiabanos começam, nesta quinta-feira (17), a jejuar e evitar relações sexuais desde o nascer até o pôr do sol. Não há dados concretos sobre quantos são, mas sabe-se que a comunidade islâmica na capital existe desde antes de 1975 – quando foi inaugurada a Mesquita – e todos passarão um mês no ‘Ramadã’, sacrifício que é um dos pilares da religião muçulmana.

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Em Cuiabá há três anos, o sheik Abdussalam Almansori, 34, nascido no Iêmen, explica que o Ramadã só começa quando é possível ver a lua crescente no céu, o que indica o início do nono mês no calendário lunar muçulmano. “É obrigação para cada muçulmano jejuar nesse mês. E nesse mês, nos ensinamentos islâmicos, Allah abre as portas do paraíso, fecha as portas do inferno, temos a misericórdia de Allah, o perdão de Allah. Então os muçulmanos ficam mais próximos de Allah, mais próximos de Deus”, explica.

Abdussalam Almansori (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Abdussalam nasceu no Iêmen, país no sudoeste da Península da Arábia. Estudou bacharelado em religião na Universidade do Islã, e ‘Lei do Direito’ em uma universidade do estado. Ele explica que foi possível fazer as duas graduações ao mesmo tempo porque a Universidade do Islã segue o calendário lunar, enquanto a do Estado não. Quando se formou, foi enviado para Cuiabá para comandar a Mesquita.

Mesquita de Cuiabá (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O sheik afirma que não existem estudos claros que mostrem quantas famílias muçulmanas vivem em Cuiabá hoje. “Tem pessoas que falam que são 200 famílias, outros falam em 400 famílias... outros menos, outros mais. Não tem o numero exato”. Muitos deles vieram de países árabes, mas outros tantos, afirma Abdussalam, já nasceram no Brasil, ou se converteram aqui.

A partir de quinta-feira, todas essas pessoas terão a obrigação de não comer nem beber nada, e nem praticar relações sexuais, da alvorada até o pôr-do-sol. Além disso, poderão realizar uma oração noturna, além das cinco que já são obrigatórias durante o dia, caso quiserem. “O que é jejum? Para nós é uma adoração”, explica. “Jejum é deixar de comer, beber e ter relações sexuais com intenção de adorar Allah. Intenção que vem do coração”.

Esta rotina é mantida durante um mês, até quando se puder ver novamente a lua crescente no céu. Durante este tempo, os fieis se reúnem algumas noites na Mesquita durante a semana para fazer as orações, conversar e ouvir a palestras.

Quando acaba o ramadã, a comunidade comemora em uma grande festa, chamada ‘Eid al-Fitr’. “Porque festas? porque ficamos alegres? Porque nós terminamos de adorar Allah; Então nossas festas não são por causa da vida mundana, mas sim por causa da vida mundana e também da vida depois da morte. Nós acreditamos que tem paraíso, tem inferno”.

A religião

O sheik e o alcorão (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O Eid al-Fitr é uma das grandes festas da religião islâmica. A outra acontece logo depois que o muçulmano termina sua peregrinação à Meca, – o que todos devem fazer pelo menos uma vez na vida – e se chama o Eid al-Adha.

Além das duas grandes festas, os fieis também costumam se reunir toda sexta-feira na Mesquita para uma pequena comemoração “porque terminamos uma semana de adoração e oração semanal”, explica o Sheik.

A rotina de adoração dos muçulmanos é intensa. Diariamente, devem fazer a oração obrigatória às 5h da manhã, ao meio dia, às 15h15, às 17h30 e às 20h30. No Ramadã, quem quiser também pode fazer mais uma oração noturna, após a última.

A oração é feita com diferentes movimentos. O primeiro é a purificação, em que se lavam as mãos, boca e nariz, rosto, braços, molha-se a cabeça, as orelhas e lavam-se os pés. Depois disso, o fiel deve se direcionar para Meca, a cidade sagrada islâmica, olhar para baixo (para o local aonde vai se prostrar), fazer uma súplica específica e declamar o primeiro capítulo do Alcorão.

O ritual se segue com a pronúncia de súplicas, até que o fiel se prostra no chão e repete as frases de adoração. Todos os movimentos são repetidos duas vezes na primeira oração, quatro vezes na segunda e na terceira oração, três vezes na quarta oração, e quatro vezes na última. (Veja o processo da oração detalhado AQUI).

Sheik direcionado para Meca (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O sheik explica que, apesar de parecer rígido, as regras são maleáveis. “As regras do islã são regras lógicas e fáceis, não são difíceis. Por exemplo, o islã nos obriga a rezar em pé. Mas se eu tenho uma doença e não consigo rezar em pé, não tem problema de sentar na cadeira e fazer minha oração. Se eu não consigo sentar na cadeira, eu posso fazer a oração na cama. Não consigo fazer na cama? Eu posso fazer minha oração só mexendo o dedo. Não consigo mexer o dedo? Eu mexo só os olhos. O islã nos obriga, mas facilita para nós”, garante. Os horários também são flexíveis: é possível fazer uma das orações no intervalo de tempo entre ela e a próxima.

A máxima funciona, também, para o Ramadã. “A pessoa que está doente, ou é viajante, ou a mulher grávida, pode quebrar o jejum, comer e beber, e depois de ele ter cura, ou chegar de viagem, pode fazer os dias que quebrou. Por exemplo, se ano passado eu quebrei três dias [de jejum] porque estava viajando, eu tenho que fazer três dias além do Ramadã [neste ano] para pagar aqueles dias que eu não fiz”.

Para além de regras, o sheik afirma que o verdadeiro jejum está nas ações. “Esse é um ritual, mas os objetivo das adorações no Islã são sociais. Não significa que os muçulmanos só adoram Allah dentro da Mesquita e depois saem, mentem, falam mal das pessoas, prejudicam as pessoas, roubam dinheiro delas. Não é isso. No islã você reza, faz a oração, e ela deve entrar no coração, na mente e deve melhorar sua vida com os semelhantes. Você tem que tratá-los bem. O objetivo da oração e do jejum é esse”, finaliza.

Mesquita de Cuiabá (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Islamismo

O islamismo é uma religião monoteísta, fundada em 622 pelo profeta Maomé. Os islâmicos (ou muçulmanos) aceitam Maomé (Mohammad) como seu profeta, e obedecem a Allah, que na língua árabe significa Deus. O livro sagrado da religião se chama ‘Alcorão’, e ‘Meca’, onde nasceu Maomé, é considerada uma cidade sagrada.
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