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'Parcerias privadas são essenciais para desafogar o poder público', defende secretário dos 300 anos

Da Redação - Isabela Mercuri

15 Jul 2018 - 08:25

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

'Parcerias privadas são essenciais para desafogar o poder público', defende secretário dos 300 anos
A Secretaria dos 300 anos comemora um ano de sua criação no próximo dia 1 de agosto. Doze meses após uma apresentação gloriosa, com direito a promessas gigantescas, como uma torre de 150 metros de altura e um restaurante giratório, ainda falta muito para que tudo o que foi dito seja entregue. O secretário Junior Leite, no entanto, é esperançoso. Em entrevista ao Olhar Conceito, ele comentou tudo o que já foi feito, como o ‘BusTour’, o que está encaminhado, como os dois viadutos, um na avenida Beira Rio e outro na Avenida das Torres, e os outros, que ainda estão engatinhando e esperando aprovações, como o próprio restaurante.



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Leite comentou a relação com as outras secretarias, lembrou que a dos 300 anos é um ‘meio’, criada para cobrar as adjacentes, e enalteceu as parcerias com a iniciativa privada, afirmando que elas são um meio de desafogar o poder público, e deixá-lo responsável pelas áreas que mais importam.

Leia a entrevista na íntegra:
 

Olhar Conceito – A Secretaria completa um ano no dia primeiro de agosto. Fazendo um balanço do que já foi feito, e do que querem fazer ainda, quais foram os principais pontos já alcançados?

Junior Leite – Na verdade, depois de alguns contratempos que nós tivemos na própria criação da secretaria, questão legal dessa secretaria, a gente já vem colhendo alguns frutos. Daqueles projetos que nós apresentamos lá na coletiva - no dia que foi criado, foi dado posse, pra que a gente pudesse estar à frente dos trabalhos – nós já tivemos alguns resultados significativos. Por exemplo, nós, com muito trabalho, em parceria com os outros secretários, nesse caso específico, vou te dar um exemplo agora, que são dos dois viadutos, é a Secretaria do Meio Ambiente, por intermédio de um TAC, já entregou os dois projetos completos para a construção dos dois viadutos.

OC – Quais viadutos?

JL – Um na Beira Rio e o outro na Avenida das Torres, no Jardim Itália. Serão dois viadutos que vão desafogar o trânsito de maneira bastante eficaz nesses dois pontos de estrangulamento da cidade. A Beira Rio, que é num entroncamento com a Ponte Sérgio Motta, que ali, de manhã e à noite é um caos, em virtude inclusive das faculdades que tem ali na região, e é um acesso bastante importante para o aeroporto. Então ali é um ponto muito importante. E o do Jardim Itália, que vai desafogar, principalmente, a grande população ali da Avenida das Torres, que tem que fazer esse caminho todos os dias de manhã e no período da tarde.

Portanto, esses dois projetos já estão prontos. Nós sabemos o quanto é difícil fazer a contratação, e o quanto se demora na execução de um projeto dessa envergadura. Os dois projetos já estão prontos, tanto o arquitetônico quanto todos os executivos, e agora nós estamos, junto com a Secretaria de Finanças, o prefeito já assinou o financiamento – aprovado, inclusive, na Câmara – com o Banco do Brasil para que a gente pudesse fazer esse financiamento dessas duas obras.

Eu lembro que algumas vezes, você inclusive, me perguntou: Junior, mas tem dinheiro pra todas essas obras? E eu te dizia que a gente preferia trabalhar mais do que falar, e deixar pra falar quanto as coisas estiverem efetivamente executadas e prontas pra se licitar, prontas pra dar o próximo passo que é o mais importante. Então agora nós já estamos prontos, com os projetos dos dois viadutos, o financiamento e o recurso necessário para a construção dos dois viadutos, já com o Banco do Brasil. Agora é uma questão burocrática de licitação, e tão logo finalize esse prazo legal de licitação, se dá a ordem de serviço.

OC – Isso é pra ser entregue até quando? Até abril?

Na verdade essas obras estruturantes são, como a gente já vem dizendo, tanto o prefeito Emanuel Pinheiro quanto nós, a gente vem falando sempre que essas obras estruturantes são até o final do mandato. Até porque são obras complexas, não são obras simples de se fazer, e o prefeito Emanuel Pinheiro tem uma característica muito importante para um gestor público: o serviço tem que ser feito, e feito com qualidade, dentro do prazo. Então se um prazo maior é necessário pra que essa obra seja entregue com qualidade à altura daquilo que está se pagando, não tem problema, desde que seja entregue e seja entregue com qualidade. Então, como ele costuma dizer sempre, os projetos da Cuiabá 300 anos vai até 2020, que é dentro do mandato do prefeito, que é o prefeito da capital do tricentenário. Então esses projetos estruturantes, como é o caso dos dois viadutos e do contorno leste - que o projeto ainda está ficando pronto, que vai ligar 230 mil cidadãos onde ele vai passar, vai dar mais qualidade de vida, vai abrir esses bairros pro mercado efetivamente, da nossa cidade – esses projetos mais estruturantes, evidentemente, tem um prazo um pouco maior em virtude da complexidade das obras e projetos.

Nós temos outro projeto, também, que foi anunciado na coletiva e que nós já estamos dando ordem de licitação. O prefeito assinou a ordem de licitação na quinta-feira passada, quando o ministro do turismo esteve aqui, dando ordem para licitar o Mercado do Porto, que é um ícone da nossa cidade, turisticamente dizendo, e que vai se transformar não num mercado reformado, mas sim, como diz o prefeito, em um novo Mercado do Porto, com praça de alimentação, garantidos os direitos de todos os feirantes que estão lá até hoje, com estacionamento... Enfim, um verdadeiro mercado à altura do povo cuiabano e de todos aqueles que vêm nos visitar. Será mais um ponto de visitação, dentre tantos que nós temos hoje na cidade.

Este já é mais um projeto de grande porte, com recurso devidamente alocado, com emenda parlamentar, inclusive do senador Wellington Fagundes, e também com os projetos todos prontos, e já vai para a licitação.

Iguais a estes projetos, e aí eu estou dizendo sobre projetos estruturantes, todos eles, evidentemente, são para o mandato. Agora, nós temos outros projetos, que a gente vem tocando, que são ações e projetos mais simplificados, mas que mudam e ajudam a melhorar a qualidade de vida das pessoas. E é com esse intuito que o prefeito Emanuel Pinheiro criou a secretaria dos 300 anos, pra que ela pudesse dar o direcionamento daquilo que ele pensa, que é uma capital moderna, uma capital que pensa nas pessoas que aqui vivem, e que possa melhorar a vida dessas pessoas. Um dos exemplos é o ponto de ônibus, que nós criamos, que está sendo instalado agora em toda a cidade, que é uma referência no Brasil, estamos recebendo aqui vários secretários de transporte do Brasil inteiro, de algumas capitais inclusive, pra conhecer o que deve ser um case de sucesso desse que é o ponto de ônibus container. Ele é 100% sustentável, com placa solar, pra que possa dar a energia necessária tanto de iluminação, quanto de tomada pra celular; painéis de LED dando informações importantes para os usuários internamente; nós temos também uma mini biblioteca, onde são colocados livros pra que as pessoas possam fazer ou uma leitura rápida, ou mesmo se o cidadão quiser levar esse livro, porque a gente entende que se ele está pegando esse livro e levando, é porque realmente quer fazer a leitura, e é importante a leitura pro cidadão. Estamos recebendo, inclusive, doações desses livros, pra que a gente possa fazer a manutenção dessa, que seria uma mini biblioteca pros usuários daquele local. Sem contar que vai dar uma verdadeira qualidade de vida pro usuário que necessita desse serviço, que é a proteção, seja do sol, seja da chuva. Uma vez que os pontos de ônibus que hoje existem na cidade, não dão nem proteção do sol, e muito menos proteção da chuva. Evidentemente que o calor é uma característica da nossa cidade, e aí só resolveria se fosse, por exemplo, igual a Alencastro, que é toda climatizada. Mas, infelizmente, nós não damos conta de fazer isso em toda cidade com ar condicionado. O custo seria elevado, e a manutenção disso também, logisticamente dizendo, seria um pouco complicado. Mas acho que a gente avança muito naquilo que é a qualidade de vida pra esses que são os que mais precisam. Serão 82 pontos de ônibus iguais aqueles que estão hoje lá no Shopping Pantanal, espalhados na cidade, em locais onde passa o maior número de usuários. De cinco a dez mil usuários receberão esses containers adaptados para pontos de ônibus. Então são projetos como esses que vão melhorando a vida das pessoas, e fazem com que a nossa capital se torne, não só referência nacional, mas também se torne uma capital mais moderna, mais bonita de se ver, mais agradável aos olhos daqueles que vem nos visitar.

Nós temos também outro exemplo. Nós temos as parcerias público-privadas que estamos fazendo via Secretaria dos 300 anos. Uma delas é o relógio dos 300 anos, que devemos inaugurar ainda no final deste mês - se houver algum atraso do patrocinador, talvez no início do mês de agosto - em que nós estaremos com um relógio ali onde era o antigo relógio da Centro América. Depois de 18 anos, que aquele equipamento já estava extremamente defasado e, até certo ponto, até enfeando uma das avenidas mais emblemáticas da nossa cidade, que é a Avenida Mato Grosso e a Prainha, nós conseguimos retirar aquele equipamento dali, e já estamos, agora, entrando com a construção do novo relógio.

Esse novo relógio foi fruto de um chamamento público, onde a iniciativa privada foi procurada, pra que pudesse patrocinar esse relógio, com modelo, inclusive, de uma viola de cocho estilizada, que ‘enraíza’, literalmente, a nossa cultura, em contraste com dois painéis de LED, de 21 metros quadrados de cada lado, onde será anunciado tanto propagandas do patrocinador, quanto propagandas da Prefeitura Municipal, de interesse público.

OC – O patrocinador é o Fort?

JL – Quem ganhou o chamamento foi o Fort Atacadista, e aí a contrapartida pra que ele pudesse explorar publicitariamente esse equipamento, era a revitalização de toda a Avenida Mato Grosso, desde a Presidente Marques, até a Prainha. Toda a Mato Grosso está sendo revitalizada. Vamos colocar ali um projeto do IPDU, tirar aquela sensação de concreto que existia até pouco tempo atrás – parte dele já foi, inclusive, removido – e será plantado 100%, até a Prainha, toda gramada, e com árvores ipês, pra que possa colorir e deixar aquela avenida mais bonita, e valorizar mais aquele espaço, que é um espaço bastante emblemático.

Fora isso nós temos alguns pontos. Por exemplo, nós temos bancos que serão colocados ali, principalmente na frente do colégio, lixeiras que vão ser colocadas ali; aquele entroncamento que vai pra Barão e vem da Comandante Costa será todo revitalizado, inclusive com mudança de mão no trânsito pra facilitar o motorista a atravessar a Mato Grosso, e também a revitalização do canteiro onde será feito o relógio dos 300 anos. Essa parceria foi feita via chamamento público, o Fort Atacadista se habilitou e ganhou o chamamento, e o custo vai ser 100% do patrocinador, a Prefeitura entra somente com a mão de obra da revitalização do canteiro central. E após a entrega da obra, o Fort Atacadista tem um contrato de três anos de manutenção do relógio e de todo o canteiro central. Isso faz com que a Prefeitura economize recursos da fonte, em qualquer tipo de projeto parecido com esse, neste caso, na Mato Grosso, e ainda faz com que a prefeitura economize recursos na manutenção desse canteiro central, que é preciso e necessário fazer pelo menos uma vez a cada mês. Então, ao invés da prefeitura alocar servidores pra fazer a manutenção deste canteiro central, desta Avenida, ela vai alocar pra fazer em outras localidades, que talvez, por a cidade ter crescido tanto, a gente não consiga atender a todos da forma que gostaria e deveria. Então, com essas parcerias, a gente vai tirando um peso do poder público municipal.

Iguais a essa já existem mais três parcerias e revitalizações em andamento, já com chamamento praticamente pronto, pra que a gente possa ir também, com parceiros na iniciativa privada interessados em fazer da mesma forma.

OC – Onde serão essas outras?

JL – Nós estamos já com a Praça Santos Dummond (Praça do Getúlio), a Sávio Brandão (em frente à Lélis) e a Oito de Abril (Praça do Choppão). Essas três praças já estão com os projetos praticamente prontos, dois deles já estão prontos, só falta a da Oito de Abril, e a partir daí lança-se o chamamento e vamos ao mercado da iniciativa privada pra buscar os parceiros. Já existem, inclusive, empresas que estão procurando a Prefeitura com essa intenção.

OC – Nestas praças qual será o benefício da iniciativa privada?

JL – Na verdade, você tem os próprios equipamentos da praça. Por exemplo, na praça da Getúlio Vargas [Santos Dummond], de acordo com o projeto, será incluído ali alguns equipamentos, ou alguns mecanismos que façam com que o patrocinador tenha a visibilidade necessária. Vou te dar um exemplo, na praça da Lavapés [Sávio Brandão] foi criado duas importantes peças pra que o patrocinador criasse o interesse de estar junto nessa parceria, um deles é o banheiro container, que é um banheiro público, onde as pessoas da comunidade, ou mesmo que estiverem passando, vão poder usar. Esses banheiros vão estar envelopados, evidentemente, dando visibilidade pra um patrocinador que fizer toda a praça. E o outro é que em um dos lados da praça, é onde tem hoje uma feirinha, do lado ali do Moitara. Essa rua seria um calçadão misto, de carro e pedestres, onde durante a semana ao carros podem trafegar normalmente, e no sábado seria utilizado para a feira. E ali foi criado um pergolado no perímetro dessa rua, com trepadeiras, pra dar um sombreado bastante confortável pros feirantes, e também para o cidadão que vai nessa feira. E esse espaço seria, também, utilizado para o patrocinador para que ele pudesse fazer o anúncio e, evidentemente, tem interesse de fazer o patrocínio de toda a praça. São elementos que vamos utilizando, nessas obras, pra que a gente possa fazer com que o patrocinador tenha interesse. Porque você fazer uma praça e colocar o nome do patrocinador no banco, muitas vezes não é atrativo. E ele quer ser visto, evidente. E eu acho justo, uma vez que ele está pagando todo o custo, e vai dar manutenção no período em que ele vai anunciar, é justo que ele faça o anúncio dele naquele local.

OC – Estas parcerias com a iniciativa privada tem sido, de certa forma, uma marca da secretaria. Todos os eventos, como carnaval, natal, a maioria teve essas parcerias. Como você enxerga isso? Quais são os benefícios para a Prefeitura? Isso não poderia, de certa forma, tirar o interesse público em detrimento do interesse da iniciativa privada nestes locais públicos da cidade?

JL – Na verdade, o que acontece, o poder público em todas as esferas, não tem mais condição financeira de gerir as suas responsabilidades com o cidadão. Sejam elas no município, no estado, ou na federação. A gente vê o Governo Federal tendo déficits históricos por falta de condição de gerir boa parte daquilo que ele tem responsabilidade, como segurança e saúde. Estamos vendo o poder estadual, no nosso caso, vivendo uma crise sem precedentes no estado, inclusive com parcelamento de folha de pagamento de servidores. Então a Prefeitura não é diferente.

O prefeito Emanuel Pinheiro conseguiu ajustar as contas pra que pelo menos os servidores e os fornecedores não fossem prejudicados, de uma forma muito segura. E um dos caminhos que enxergamos por determinação do Prefeito, é que a gente vá buscar a iniciativa privada pra dentro desses projetos, mas daqueles que são possíveis. Não haveria lógica nenhuma e talvez, acho que nem conseguiríamos parceiros nesse nível, de, por exemplo, investir na saúde, por exemplo, em determinadas áreas. Mas nós conseguimos, por exemplo, que a iniciativa privada investisse na educação, que foi aquele protocolo que nós assinamos, e que está em andamento, da Microsoft, que investiu R$13 milhões em soluções tecnológicas na educação.

Então, em algumas áreas, não são só possíveis as parcerias, como eu diria até que são necessárias pra que a gente possa melhorar a qualidade de vida das pessoas, e fazer com que o poder público consiga gerir melhor esses recursos, que são poucos, em outras áreas que são essenciais. Quanto mais dinheiro a gente colocar pra dentro, mais dinheiro vai sobrar pra o poder público investir naquilo que realmente importa e precisa. Não que nenhuma dessas áreas seja importante. Você entregar, por exemplo, uma praça novamente pra população, como a Praça Alencastro, é extremamente importante. É a qualidade de vida daquele cidadão, é a história da nossa cidade. Então ele é tão importante quanto outras necessidades da nossa cidade. Só que essa, nós temos a possibilidade de casar o útil ao agradável. O útil que é a praça, e o agradável que é pagar menos por ter esse patrimônio de volta. E a contrapartida da iniciativa privada, muitas vezes, passa pela propaganda da marca, mas muitas vezes é muito mais por um desejo de ajudar e de envolver a marca, o nome do dono da empresa, com aquilo que é importante pra sociedade.

Quando eu vou vender um projeto, eu não vendo o projeto. Eu vendo a importância do projeto para a sociedade, e o quanto é importante pra sociedade enxergar a marca daquela empresa como parceira dela. Então, quando eu vou vender um ponto de ônibus container pra uma empresa, eu não vou vender pra empresa que ela vai ter o nome dela lá, pura e simplesmente. Nós temos que vender pra empresa a imagem que o cidadão vai ter daquela marca, investindo dentro de um projeto que é tão importante pro cidadão que precisa todos os dias. Então é mais do que o cara tirar, simplesmente, 30 mil reais, 40 mil reais pra fazer um container. É ele valorizar a marca dele valorizando o cidadão que utiliza a marca dele. Então, é você vender justamente isso, vender a possibilidade da marca estar vinculada diretamente com o cidadão e com a sociedade que ela vive, seja ele daqui, ou seja ele nacional. Quando é nacional, você proporciona a marca nacional ter uma identidade com o cidadão que mora aqui na nossa cidade. E fazendo isso, vai sobrando mais tempo e mais dinheiro para o poder público municipal investir em outras áreas que são menos atrativas para a iniciativa privada e são muito importantes, como é o caso da saúde, algumas áreas da educação, da assistência social, e tantas outras áreas que a responsabilidade é do município.

Então eu acredito que a iniciativa privada, dentro do poder público, é importante e, em certos casos, essencial pra que o poder municipal possa gerir melhor as suas contas, e entregar serviços de melhor qualidade pro cidadão.

OC – Naquela coletiva ainda foram apresentados vários outros projetos, como por exemplo o desejo de trazer o Museu de Cera, de fazer um restaurante giratório, de trazer a Cow Parade. Tem alguma coisa que foi apresentada e não vai dar pra fazer, ou tudo vai dar pra fazer?

JL – Olha, nós já temos algumas coisas que avançaram. O BusTour que foi apresentado, já está legalizado e andando na cidade, o museu de cera, nós já recebemos aqui o empresário por duas vezes, já está sendo feita a pesquisa pra que mostre a visibilidade, inclusive os locais que ele já andou e já viu. O empresário ficou extremamente animado com a cidade, com a vontade do prefeito Emanuel de ter aqui. Talvez não se faça o Museu de Cera, mas se faça alguma coisa parecida, porque tudo depende da viabilidade econômica, até porque não é um projeto que a Prefeitura vai bancar, é um projeto que a iniciativa privada vai vir explorar, como é o caso do BusTour. Então, pode ser que daqui a pouco se fale num museu interativo, ou alguma coisa tecnológica, ou o próprio museu de cera... Enfim, pode ser uma outra situação, mas dentro da mesma linha. Justamente valorizando a questão turística da nossa cidade.

O restaurante giratório, o projeto arquitetônico está pronto, o projeto da revitalização do Morro da Luz também está pronto, nós agora estamos na fase de cálculo estrutural, porque é uma torre de 150 metros de altura. Imagine que vai ficar ao lado do Dom Bosco, já é um ponto alto da cidade, e do ponto zero do Dom Bosto, mais 150 metros de altura. Então é extremamente alto. Então está sendo feito o cálculo estrutural disso, e também outro projeto, que só tem dois técnicos especialistas no Brasil, que é o cálculo do vento. Como ele é muito alto, precisa ter o cálculo do vento pra dar, evidentemente, a segurança necessária que precisa pra um projeto deste tamanho. E estamos na fase, paralelamente, dos financiamentos, também pra esse projeto. Como eu disse aqui, foram varias viagens a Brasília, com várias audiências, buscando exatamente isso, os recursos necessários pra essas obras.

Então foram, evidentemente, vários projetos que foram mostrados naquele dia, e tem outros - porque como eu te disse, são muitos – que nem foram mostrados, mas nós já estamos encaminhando. Nós temos agora um projeto que vai ser mostrado, que não foi mostrado, que é o projeto ‘Aqui tem história’, que serão revitalizados doze monumentos da cidade, monumentos históricos da cidade, como é o caso do monumento dos Bandeirantes, entregues novamente pra sociedade, de forma que seja iluminada artisticamente, da forma que se deve, limpos, uma área extremamente adequada pra que o cidadão possa ir lá tirar foto, registrar e conhecer a história da nossa cidade, e, paralelo a isso, será feita uma integração com os alunos da rede municipal, em que todos eles receberão um folder que mostra como se fosse um ‘mapa da mina’, cada monumento desse será representado no local em que ele está na cidade, e com doze figurinhas pra que o nosso cuiabaninho possa ter mais identidade, conhecer mais esses monumentos. Ali vai ser retratado do que se trata, quais são as referências daquele monumento, e todas as escolas estarão, dentro de um calendário, vindo visitar esses monumentos com o bustour. Então é um projeto que vai envolver a rede municipal de ensino, junto com os monumentos da nossa cidade, que hoje, infelizmente, não estão nas melhores condições. Esse projeto será lançado nos próximos dias.

Nós temos outro projeto, também, que é o Cuiabá 300 imagens, um projeto que vai mexer com toda sociedade cuiabana. Nós devemos lançar ele agora nos próximos dias, que você vai tirar uma foto, com seu celular, de qualquer lugar da cidade que você achar que é bacana, vai marcar via hashtag pelo instagram, #Cuiabá300Imagens, e existe uma curadoria que vai fazer a escolha das 300 melhores fotos. E dessas 300 melhores fotos, doze vão formar um calendário que será impresso e distribuído em toda a cidade. E as três melhores fotos terão uma premiação. E as 300 fotos vão virar um catálogo da nossa cidade, que o prefeito vai poder presentear chefes de estado, visitantes, comerciantes, industriais, enfim, aquelas pessoas que vierem na nossa cidade. E também, dessas 300 fotos sai uma exposição que será feita na Arena Pantanal nos dias do aniversário da cidade.

São vários projetos que foram apresentados que estão em andamento, outros não foram apresentados, por ser bastante mesmo, mas agora nós estamos com um pacote, que foi apresentado nessa semana pro prefeito, de dezoito projetos que já estão com cronograma, data de início, pra ser lançado. Inclusive carnaval, aniversário da cidade, réveillon...

OC – Estes projetos como o do restaurante – falo do restaurante porque parece que é o mais grandioso – eles são pro mandato ou pra ser entregues até o aniversário de 300 anos?

JL - Pro mandato. Talvez a revitalização do Morro da Luz [seja pro aniversário], a torre com certeza é pro mandato. Nessa torre, além do restaurante, nós vamos ter o Memorial dos 300 anos e a Cápsula do Tempo.

OC – E ele será em parceria com a iniciativa privada?

JL – Na verdade a obra é com dinheiro ou do Governo Federal, que é o que estamos tentando, ou via financiamento. E aí depois vai ter a concessão pra que a iniciativa privada explore.

OC – Pra colocar o restaurante?

JL – Pra colocar o restaurante, o memorial, enfim. E aí ele paga um royalty pra Prefeitura pra que a gente possa ter o retorno desse investimento. Outro, também, que foi lançado e que já vai começar, também está dentro do pacote dos 300 anos, é a Orla 2, que foi lançada na quinta-feira. Também um projeto que quando nós iniciamos o projeto não estava pronto, então foi uma cobrança. Eu lembro que eu falava pra vocês assim: a Secretaria dos 300 anos é uma secretaria meio, nós não somos uma secretaria de entrega. Mas é uma secretaria que vai cobrar e fazer com que os projetos saiam efetivamente do papel. E essa cobrança passa por projetos, financeiro, legal - que é a licitação – e a entrega. Então todas elas passam pela Secretaria De Planejamento, pelo IPDU, pela Secretaria de Fazenda, pela Secretaria de Obras, pela Secretaria de Meio Ambiente... e a Secretaria dos 300 anos tem exatamente aquilo que o prefeito disse que queria que fizesse: a interlocução de todos esses projetos, pra que não ficassem soltos. E que a prioridade fossem esses projetos. Porque muitas vezes, como eu dizia também, o secretário de obras tem outras prioridades. Então a Secretaria dos 300 anos, a função dela é exatamente essa, pegar todos esses projetos que são difíceis, complicados e caros, e tirá-los do papel. Cobrar o secretário, cobrar os engenheiros, cobrar a questão do financiamento, ir a Brasília atrás de recursos, preparar toda a situação pra entregar e falar, olha, vamos embora. Está pronto, vamos fazer. É esse o papel da Secretaria dos 300 anos que o prefeito nos deu. A meta é cumprir com o conograma até 2020. Aquilo que a gente conseguir antes, golaço. E evidentemente a gente quer cumprir antes. O Pronto Socorro vai ser antes. É uma questão de gestão, está além da Secretaria dos 300 anos, mas tudo aquilo que a gente pode fazer pra melhorar a gestão dos projetos, que está ligada à gestão dos 300 anos, é papel da Secretaria dos 300 anos fazer a gestão, buscar a solução do problema que for, seja ele financeiro, técnico, de projeto, licitação, enfim. Buscar a saída pra que esse projeto saia efetivamente do papel e possa beneficiar a população. E isso a gente tem feito e tem entregue. Os resultados estão mostrando que a Secretaria, depois de quase um ano, já deu a sua contribuição, vem dando a sua contribuição com trabalho bastante intenso. Ontem eu até estava brincando com o Prefeito, que eu acho que eu só perco pra ele, porque a gente sai da Prefeitura, e não sou só eu, são todos os colaboradores, os servidores da Secretaria... não temos horário pra sair. Porque muitas vezes você tem prazo legal, situações que são impeditivas inclusive de chegar as 18h e você falar, chega, não vou mais. Feriados, por exemplo. Nós estamos cansados de trabalhar no feriado pra preparar documentação pra mandar. E faz parte. Não é mérito nenhum isso. Não é nem me vangloriando em nenhum momento. Eu estou, na verdade, justificando o quanto é importante esse comprometimento, e a gente recebe agora o resultado disso, que é, por exemplo, a licitação do Mercado do Porto, a licitação da Orla 2, do cais do Porto, aí nós temos também, já em andamento, as licitações e os financiamentos dos dois viadutos, então é tudo fruto do trabalho de equipe, que está inclusa a Secretaria dos 300 anos, e todas as outras secretarias que também se empenharam, se policiaram pra que estes projetos estivessem na fase em que estão. Então agora é acompanhar o restante desse processe e entregar pra sociedade estes que já estão na agulha, e continuar o trabalho daqueles que faltam algumas ações pra que eles também se tornem alvo da agulha pra que a gente possa entregar, também, pra sociedade.

9 comentários

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  • Zeca
    16 Jul 2018 às 11:44

    Assim como as obras da copa, essas também não acontecerão! Mato Grosso infelizmente continua um dos estados mais atrasados do Brasil

  • André
    16 Jul 2018 às 09:32

    Nossa, quase impossível ler essa reportagem, tanta repetição e bajulação, sei não viu. Mas quanto ao resto entendo que a condução deste "Projeto Cuiabá 300 anos" está muito ruim, tinha que ser prático e eficiente e virou político. Tem muita coisa que pode ser feita que não seja grandes obras, grandes intervenções, etc. Nunca vi chamarem a população para participar dele, a população que é a verdadeira dona da cidade e que vai usufruir dela. Decisão sob 4 paredes não foi a melhor escolha.

  • Rocha
    15 Jul 2018 às 19:59

    Agora me responde espertão ! Quem quer ser parceiro do poder público? Eu não quero !!

  • laylla kayanne feitosa de albuquerque
    15 Jul 2018 às 18:06

    é muito fácil, colocar uns cartaz, uma gravura na parede, mais toda vez que contrato um artista aquele almenageado nunca é contratado, como ele vive, das graças de Deus.

  • Arnaldo Leite Albuquerque
    15 Jul 2018 às 18:00

    tem muita gente defendendo um Estado pequeno, mais para os outros, mais quando lhe clava ma unha é o Estado que cura. Assim é fácil defender estado pequeno, desde que ele continue sendo grande para meus interesses, abram olhão povão.

  • Augusto
    15 Jul 2018 às 15:44

    Na orla do Porto, tem uma figura folclórica com a viola de cocho em frente de um restaurante. Muito bom isso ! Pois retrata a nossa cultura. Contudo, poderia existir mais homenageando personagens como: gege, de bolofo, Liu Arruda e suas crias, dunga, Dante, Eurico Gaspar... e espalhar pelos pontos turísticos da cidade. Acredito que o custo não seria tão absurdo assim !

  • Altamira da Costa Guimarães
    15 Jul 2018 às 13:48

    Isso mesmo pra nao falatem que o Prefeito Emanuel Pinheiro e Equipe está desviand.o recursos. Parabéns as empresas que darão apoio a esta modalidade.

  • Pedro luis
    15 Jul 2018 às 09:59

    O engraçado é que ninguem fala em diminuir o tamanho do estado. Esse monstrengo que foi criado é o responsável por não ter dinheiro para a prefeitura investir. Sou a favor das parcerias, desde que a prefeitura reduza os impostos de quem participar. O que não pode é a iniciativa privada fazer o que é de responsabilidade da prefeitura, que arrecada muito para esse fim. O orçamento de Cuiabá para 2019 é de 2, 3 bilhões de reais. Para onde vai todo esse dinheiro?

  • Tobias de Aguiar
    15 Jul 2018 às 09:20

    Qualquer, repito, qualquer iniciativa que leve à diminução do Estado será a única saída para a sobrevivência das famílias de MT. Produtividade, aplicabilidade da qualificação do servidor à sua atividade fim. Um Estado repleto de Doutor es de carteirinha. Fim dos aumentos de salário fora da realidade. Ou seja, trazer os direitos do trabalhador da iniciativa privada ao setor púublico. FIM DA MAMATA!

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