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Preenchimento de glúteo com PMMA caiu em desuso por ser perigoso, diz cirurgião plástico

Da Redação - Isabela Mercuri

16 Jul 2018 - 15:19

Foto: Reprodução/Internet

Preenchimento de glúteo com PMMA caiu em desuso por ser perigoso, diz cirurgião plástico
Conhecido popularmente como ‘metacril’ ou PMMA, o polimetil-metacrilato é um plástico rígido, transparente e incolor, que há alguns anos tornou-se popular em procedimentos estéticos de preenchimento, as chamadas bioplastias, principalmente nos glúteos. De acordo com o cirurgião plástico Elson Adorno, no entanto, a prática caiu em desuso por tratar-se de um produto não absorvível pelo corpo humano e, consequentemente, um procedimento arriscado. 

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“Porque que chama tanta atenção esse PMMA? Porque como ele é um produto não absorvível, ela dá volume e não absorve. Não precisa reaplicar”, explica Adorno. O cirurgião, no entanto, afirma que o procedimento pode ter consequências a curto e a longo prazo. “A curto prazo, pode ter complicações quanto a técnica, se injetar  [o PMMA] em local indevido - por exemplo, dentro de um vaso sanguíneo - pode  causar uma embolia, pulmonar ou cardíaca, e levar o paciente a óbito”.

Mesmo quando as complicações não acontecem prontamente, o corpo humano pode rejeitar o produto anos depois. “Às vezes a paciente utiliza o produto, porém só terá complicações após cinco anos ou dez anos. O organismo pode ter uma reação, por trauma local, processo inflamatório e evoluir para infecção naquele local”, explica. 

Em casos mais graves, o paciente pode chegar a ter abcessos, ou seja, ‘bolas de pus’, no local onde foi feito o preenchimento.  Nestes casos, a solução é fazer uma drenagem deste pus. “Imagina, fazer um corte no glúteo para retirar todo material infeccioso?. Como o produto não é absorvível, ele gruda na musculatura, no subcutâneo, as vezes é necessário debridamento [remoção de tecidos desvitalizados], pode vir junto a parte muscular, o tecido celular subcutâneo, transformando o procedimento feito para fins estéticos em cirurgia reparadoras. Ao fazer um tratamento de infeção o objetivo não é estético, mas retirar todo tecido inviável para tirar o foco de infecção do paciente resultando em perdas de tecidos importantes ”. 

Estas lesão, então, deve ser reparada com outra cirurgia, mas muitas vezes o resultado não fica com o melhor resultado estético. “São algumas coisas que não são faladas na consulta, durante a aplicação desse procedimento. E, às vezes, os pacientes fazem sem nenhuma orientação, e sem nenhum conhecimento prévio do produto. Porque realmente aumenta o bumbum, fica bonito, só que às vezes pode ter problemas desastrosos, ou levar até ao óbito”, alerta Adorno. 

Mesmo com tantas não recomendações , a aplicação é popular, na opinião do cirurgião, por não ser uma intervenção cirúrgica. O preenchimento é feito por meio de seringas, ou no próprio consultório, ou em um hospital.

Qual a opção? 

Depois que o PMMA caiu em desuso – surgiram outras técnicas de preenchimento mais aceitas como a de ácido hialurônico para face. Em locais como o glúteo, no entanto, este preenchimento é inviável, porque seria necessária uma quantidade muito grande de produto para atingir o resultado que se quer. 

“Nós, cirurgiões plásticos, temos como primeira opção o enxerto de gordura, da gordura [advinda de lipoaspiração] , também tem um certo grau de absorção. Outra opção , para pacientes que são magras e não têm gordura para uma doação de enxerto, ai os implantes de silicone”. 

Nestes casos, somente cirurgiões plásticos podem fazê-lo. “Quando se fala de cirurgias plásticas e estéticas, temos profissionais que são os recomendados, médicos que se especializam mais nesse assunto, que são os cirurgiões plásticos especialistas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. O problema é que a gente vê alguns médicos que não são nem cirurgiões plásticos nem dermatologistas fazendo esses procedimentos. Inclusive as duas especialidades que mais fazem procedimentos estéticos, não recomendam  esses procedimentos [de preenchimento com PMMA]. Pra você ver, se fosse bom, cirurgiões plásticos e dermatologistas estariam fazendo. Mas não são as primeiras opções nossas, pelo risco, pelas complicações. E o problema é que eles fazem e, lá na frente, esses médicos - não cirurgiões plásticos nem dermatologistas, mas que se dizem esteticistas - encaminham o paciente com complicação para os especialistas, pra nós resolvermos o problema, por exemplo uma cirurgia plástica reparadora, que eles não fazem. Eu sempre penso que quando um profissional se habilita a fazer um procedimento, ele tem que estar preparado pra fazer a reparação. Se tiver alguma complicação, ele precisa dar assistência e resolver o problema.  Não é que com um cirurgião plástico, com um dermatologista, não tenha complicação. Todo procedimento tem risco de complicação, nós também podemos ter. Mas são complicações que temos que estar preparados pra resolver, e sempre colocar o paciente ciente do risco envolvido”, finaliza. "Sempre procure profissionais da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica ou Dermatologia para fazer procedimentos estéticos".

Dr. Elson Adorno (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Caso em Cuiabá

No último domingo (15), a bancária de Cuiabá Lilian Calixto faleceu após realizar um procedimento estético no Rio de Janeiro. A suspeita é de que o procedimento tenha sido um preenchimento com PMMA, que causou uma embolia pulmonar e, consequentemente, sua morte. O caso, no entanto, ainda está sob investigação.
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