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Berço sustentável

Porque uma caixa de papelão pode ajudar a criar crianças de forma segura e com noções de igualdade

Da Redação - Isabela Mercuri

17 Jul 2018 - 10:59

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Jordana, e a filha Eloá dentro do berço sustentável

Jordana, e a filha Eloá dentro do berço sustentável

A cuiabana Jordana Vitória Nunes de Souza, 18, deu a luz à sua primeira filha, Eloá Vitória, no último domingo (15). Na manhã desta terça-feira (17), deixou o Hospital Beneficente Santa Helena (HBSL) e foi para sua casa, levando em suas mãos o que há de mais seguro para a criação de sua filha: uma singela caixa de papelão.

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Implantado em 1930 na Finlândia, a distribuição de kits com o ‘berço sustentável’, feito de papelão, era inicialmente somente para famílias de baixa renda. O país tinha números alarmantes de morte infantil. A partir da década de 40, a distribuição foi ampliada para todas as parturientes, e o país tornou-se o melhor do mundo para ser mãe, de acordo com ranking divulgado pela ONG Save the Children. O Brasil ficou em 76º lugar, atrás de vizinhos como Peru e Equador.

Em Cuiabá, a 11 mil quilômetros de distância da Europa, o projeto foi implantado nesta terça-feira (17), por uma parceria entre o Hospital Santa Helena e a Unimed (por meio de seu braço social, o Pró-Unim). O idealizador da iniciativa é o cardiologista, clínico geral e presidente do HBSL, Marcelo Sandrim. Nos próximos três meses – pelo menos – todas as parturientes do Santa Helena receberão o berço e um ‘kit’, com um colchão próprio, um lençol, um brinquedo, uma caixa de lenço umedecido e um pacote de fraldas de pano, assim que forem para casa.

“O objetivo desse projeto não é diminuir mortalidade, é proteger a criança. Na realidade o ‘Primeiro Berço Caixa do Tesouro’ é uma filosofia de vida. A gente quer, com o primeiro berço, fazer com que a família se mobilize mais nos cuidados da criança, e, como eu vou explicitar mais à frente, a gente tem com o primeiro berço a ideia de igualdade social. Todos nós nascemos nus e sem nada, só com quem estiver ao lado. Até sozinho com a própria mãe, ou com a família. E não precisamos de um berço de ouro. Nós precisamos de apoio, amor, carinho e dedicação. Este é o significado, e nós vamos mostrar, porque diminui a mortalidade e os riscos para a criança”, afirmou o médico durante o lançamento.

Marcelo Sandrim, idealizador do projeto (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

De acordo com ele, a caixa de papelão é ideal porque não permite o movimento da criança. Na madrugada do último domingo (15), um bebê de um mês morreu em Cuiabá, em decorrência de um sufocamento. Na ocasião, ele dormia na cama com a mãe, que acabou colocando o braço sobre seu rosto. “Tem dois condões o projeto, o bercinho de papelão humilde. Primeiro lugar, nesse caso, seria o esmagamento, sufocação, quando colocado na cama [com os pais], que é um hábito que deve ser abolido. Ele protege um número razoável. E pelo fato da criança, no bercinho, que não tem muito espaço pra mobilidade, não conseguir se virar facilmente, evita a morte principalmente por sufocação pelo travesseirinho, pela roupa de cama, pelo próprio colchão”.

Além dos cuidados com a saúde e da prevenção da morte súbita, o berço de papelão também emprega a ideia de igualdade social e, depois que a criança não cabe mais nela, pode tornar-se uma caixa de memórias.

Suzana Palma, diretora de mercado da Unimed Cuiabá, comemorou a parceria. “Não existe crescimento de nada, se você não promover o crescimento do entorno da cidade. A Unimed, é o maior plano de saúde do estado de Mato Grosso, e nossa área envolve 19 municípios. Esses 19 municípios oferecem pra gente a nossa renda, a nossa sustentabilidade. E não tem como a gente ir pra frente se não conseguir devolver pra essa comunidade algo que também seja bom. O que a gente acredita que é bom, a gente vai atrás. E este é um dos projetos do nosso programa de ação social”.
Suzana Palma (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)  

Segundo a diretora, a Unimed Cuiabá entrou na parceria com a parte econômica, de confecção e distribuição das caixas e dos produtos que vem dentro, e que também serão distribuídos para as parturientes, além de também ter auxiliado no treinamento da equipe, para que possam explicar sobre o uso para as mães. “Todas as mães que saírem daqui, independente se for SUS, plano de saúde ou particular, vão receber esse kit que com a caixa. Nós também estamos incentivando o uso da fralda de pano, que é sustentável e mais fisiológica para a criança do que a descartável. Porque a descartável, pra não deixar vazar secreção, urina, fezes, tem um revestimento plástico, então com muita frequência causa dermatite na criança. Já essa fralda de tecido não faz isso, primeiro porque tem furinhos, ela ventila melhor, e tem uma vantagem: se sujou, tem que trocar imediatamente, enquanto a fralda descartável, às vezes, você espera um pouco. Isso faz com que os pais troquem toda hora. ela só é mais trabalhosa pros pais”.

Rubens Carlos de Oliveira Junior, presidente da Unimed, explicou que o custo do projeto para a Unimed foi de R$130 mil, e a intenção é que ele seja estendido por mais tempo, caso consigam outros parceiros. “Este final de semana vocês noticiaram a morte de um bebê por causa de sufocamento, e a Unimed Cuiabá, como uma empresa cidadã, comprou a ideia do Hospital Santa Helena de dar um passo a nível social pra estar junto, estar preocupado com a sociedade como um todo”, disse.

Rubens (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

André Palma, presidente do Pró-Unim, afirmou que a iniciativa é mais uma das parcerias de sucesso. “Poder contribuir com esse projeto nessa parceria, oferecer segurança efetiva e prevenção à síndrome da morte súbita da criança lactente, através de uma simples caixa que simboliza o primeiro berço sustentável enaltece mais os projetos do Pró-Unim, e nos sentimos honrados em fazer parte deste sonho”.

Eloá (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)
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