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Quarta-feira, 30 de setembro de 2020

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Público escolhe acompanhar o espetáculo de dança ‘Espaços Invisíveis’ como ciclistas, pedestres ou em plataforma móvel

Estadão

01 Ago 2013 - 17:30

Você pode ir de bicicleta, pegar uma emprestada lá mesmo, subir em uma plataforma móvel ou seguir caminhando. Cada um escolhe como vai lidar com Espaços Invisíveis, a quinta produção da companhia Damas em Trânsito e os Bucaneiros, que estreia hoje e fica até o dia 18 de agosto no subsolo do Paço das Artes, na Cidade Universitária.

Dirigido por Alex Ratton, o trabalho nasceu de uma exploração espacial dos ritmos urbanos, e as possibilidades de deslocamento que são oferecidas à plateia pretendem evocar a diversidade da locomoção nas cidades. Em entrevista ao Estado, Alex conta que inspiraram-se também no livro de Ítalo Calvino, As Cidades Invisíveis: “Mas não fizemos a sua releitura nem a sua transposição, pois o que nos interessava era buscar uma cidade mais lúdica e menos funcional do que aquela na qual vivemos”.

A criação veio das 15 intervenções artísticas que realizaram nos arredores da Galeria Olido, na Av. São João, em São Paulo, local onde ensaiam. “Aquele entorno é praticamente uma continuação da nossa sala de trabalho, porque nos permite investigar relações com as pessoas que passam.” Alguns momentos dessas performances serão projetados em um telão e em dois pontos do subsolo existirão fones de ouvido contendo relatos sobre essas vivências.

O trabalho começa com cinco solos simultâneos e distribuídos pelo espaço. Cada bailarino escreveu uma carta para alguém querido, depois elas foram trocadas, e a tarefa foi transformar em dança o que imaginava sobre a emoção desse outro. “Neste tipo de trabalho, o bailarino precisa ter muita disponibilidade para o contato com o outro, precisa também de uma qualidade de escuta bem apurada, pois cada um precisa saber ouvir e respeitar o outro, e necessita ter estabelecido alguma forma de relação com a música, pois todos tocam algum instrumento.”
Carolina Callegaro, Ciro Godoy, Clara Gouvêa, Laila Padovan e Larissa Salgado, os cinco intérpretes-criadores, assim como o músico convidado, Gregory Slivar, que compôs a trilha, espalham-se pelo local, buscando maneiras de se relacionar com os três tipos de público (os que circulam a pé, de bicicleta ou nos praticáveis móveis). E todos tocam ao vivo. O elenco cuida de acordeom, bateria, percussão e escaleta, enquanto Gregory fica no piano.

Também bailarino, Alex Ratton, mesmo dentro da cena, não dança nesta montagem. “Trabalhamos com criação coletiva, com tudo muito discutido e conversado, e sinto que é importante meu olhar de fora para mantermos nossa coerência. Aos poucos, fui descobrindo esse lado meu de dirigir, e com ele me realizo muito durante nosso processo de criação”, explica.

Damas em Trânsito e os Bucaneiros surgiu em 2006, no Estúdio Nova Dança, no Bexiga, em São Paulo, reunindo quatro meninas (as damas) e Alex Ratton em torno do interesse comum em explorar a técnica do contato-improvisação e a possibilidade de construir uma dramaturgia a partir dela. Em seguida, chegaram dois rapazes (os bucaneiros). O grupo produziu Puntear (2008), Duas Memórias(2010) e Lugar do Outro (2011).

Os figurinos, assinados por Fause Haten, nasceram de novos usos para peças que já existiam, misturando feminino, infantil, masculino, esportivo, punk etc. A luz foi criada por Cristina Souto.

ESPAÇOS INVISÍVEIS
Paço das Artes/USP. Av. da Universidade, 1, 3814-4832.
5ª a sáb., 21 h; dom., 18 h. Grátis (ingressos 1 h antes). Até 18/8.

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