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Mato-grossense doa rim para livrar marido de sessões de hemodiálise: "é muito compensador"

Da Redação - Isabela Mercuri

18 Dez 2018 - 14:06

Foto: Arquivo Pessoal

Cleber e Lurdes

Cleber e Lurdes

Os dois se conheceram na noite de Natal, há 32 anos. A moça, vinda do interior de São Paulo, já nem voltou pra casa: se casaram em seis meses. Em 2018, já com dois filhos e uma longa história juntos, ela pôde dar sua maior prova de amor, um pedaço de si mesma, que salvou a vida do marido e o livrou de três sessões de hemodiálise semanais. A doação de rim aconteceu em agosto, mas só no início deste mês que Aparecida Dias de Melo, 53, e Cleber Luis de Melo, 54, conseguiram voltar para casa, em São José dos Quatro Marcos, a 308km de Cuiabá, após uma jornada de esperança, luta e, principalmente, amor.

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“Eu [o] conheci quando eu vim passear em Cuiabá na casa da minha irmã. Eu morava em Pereira Barreto, estado de São Paulo, e vim num final de ano, dia 12 de dezembro”, lembra a esposa, que é conhecida como Lurdes. “No dia 24, a irmã dele morava perto da casa da minha irmã, e fizeram uma festa lá perto. Uma vizinha deles era muito conhecida da família dele e me chamou pra ir. E lá eu o conheci, na véspera de natal. A gente logo começou a namorar. E não demoramos não, com seis meses a gente casou”.

No início, o casal vivia em Cuiabá, mas logo Cleber foi transferido para o interior, onde trabalhou a vida inteira como técnico agrícola num campo experimental da Empaer. Lurdes é técnica em enfermagem. Foi em 2010 que os primeiros sinais de deficiência renal começaram a aparecer, primeiro com sintomas como ácido úrico alto.

Cleber aceitou tomar alguns remédios que os médicos de Quatro Marcos receitavam, mas quando a esposa marcou consulta em Cáceres e ficou constatado que ele estava ‘perdendo os rins’, ele não quis continuar o tratamento. “Ele não aceitava. Achava que ia conseguir sarar com chá caseiro, que não ia precisar de hemodiálise, que não ia precisar de transplante”, lembra a esposa.

Passaram-se cerca de sete anos, até que em 2016 os sintomas ficaram ainda piores. Cleber começou a ficar fraco, e no dia 23 de dezembro Lurdes o ‘arrastou’ para Cuiabá. “Chegou lá, fez os exames e o médico disse pra ele que ele estava morrendo. Pra ele fazer hemodiálise”.

Mais uma vez, Cleber não queria fazer o tratamento, mas foi convencido pelos filhos e pela esposa. Já nessa época, Lurdes já disse para o médico que se disponibilizaria a doar um rim para ele. Em Cuiabá, no entanto, o médico disse que não aconselhava. E foi em Cáceres que ela encontrou uma médica disposta a ajudar. “Ela falou: vamos fazer todos os exames, se você não tiver nada, não tiver problema de pressão... e eu não tinha. Aí ela fez todos os exames, fez o mapa do coração, mapeou tudo, e encaminhou a gente pra Rio Preto [interior de São Paulo], porque aqui em Cuiabá ainda não tem transplante”.

Enquanto isso, o marido fazia sessões de diálise que duravam quatro horas, três vezes na semana, em Cáceres (uma hora e meia de viagem de onde moram). Foi um ano e meio de tratamento até que fosse realizada a cirurgia. Neste meio tempo, Lurdes ouviu todo tipo de comentário, desde os que diziam que ela era louca, até os que diziam que ela era muito corajosa. Ao final do processo, o último exame foi o da compatibilidade: “A doutora fez, chamou a gente e até falou: olha, é muito rara a compatibilidade dela pra você. Deu além do que a gente esperava”.

A cirurgia aconteceu no dia 28 de agosto, e foi um sucesso. Hoje, Cleber não precisa mais fazer hemodiálise, mas ele e Lurdes seguem em acompanhamento para o resto da vida. Quando perguntada se não tem medo de se arrepender, ela nega: “Não tenho. Nem um pouquinho. Eu fiz de coração (...) Foi por amor a ele, e principalmente pra salvar uma vida. Porque é muito compensador pra mim olhar nele agora e ver como ele está. É  muita recompensa. Não sei nem como explicar. Acho que Deus coloca as pessoas certas na vida das outras”, finaliza.


Chegada de Lurdes e Cleber a Cuiabá

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