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DANCETERIA

“Tinha gente que chorava pra entrar”, diz filho do proprietário da Yes Bananas, sucesso dos anos 90 em Cuiabá

Da Redação - Isabela Mercuri

13 Jan 2019 - 09:10

Foto: Arquivo Pessoal

Fila para entrar na Yes Bananas

Fila para entrar na Yes Bananas

O ano é 1991. O dance music toca em todas as rádios, e três amigos, Heihatiro Roberto, Cleber e Pietro têm a brilhante ideia de levá-lo para dentro de uma danceteria, num bairro afastado do centro de Cuiabá: o CPA 2. Assim nasceu a ‘Yes Bananas’, boate que funcionou por dez anos, seduziu clientes de todas as partes e, até hoje, mexe com a nostalgia dos moradores da capital mato-grossense. Em seu auge, o Yes Bananas recebia atores globais, DJs premiados e era o ‘point’ da cidade.



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“Tinha gente que chorava pra entrar, porque estava lotado e não tinha como. Eles falavam: ‘não, pelo amor de Deus...’ e tinham que esperar alguém sair. Tinha gente que ficava até umas três horas da manhã esperando. Era uma coisa incrível”, lembra Heihatiro Roberto Kanashiro Junior, 39, filho de um dos proprietários e conhecido como ‘Dj Robertinho’, já que também chegou a ‘agitar a pista’ na danceteria.

'Dj Robertinho' (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Quando seu pai e os sócios abriram as portas da boate, Robertinho tinha apenas onze anos. Mas não demorou muito para se encantar pelas mãos ágeis dos ‘disco jóqueis’ da casa, seus parceiros DJ Jairo e DJ Fabiano, e dizer que queria aprender a ser um. A música, no entanto, também já estava no sangue, já que seu pai era técnico de som e trabalhou por muito tempo com a banda Popilom e a dupla Henrique e Claudinho (na época, ainda sem Pescuma).

“Eu comecei a frequentar [a Yes Bananas] quando tive interesse de começar a tocar... De 13 pra 14 anos. Meu pai me levava e eu ficava admirado de ver os DJs tocando. Gostava de ver aqueles caras que mexiam com iluminação, fazendo aquelas coisas de LJ”, lembra. Foi aos dezesseis, depois de algum treino, que Robertinho passou a tocar, realmente, na Yes Bananas, e a vivenciar o ambiente da danceteria.

Para ele, o sucesso da casa se devia às novidades. Era seu pai, pessoalmente, que viajava para São Paulo e trazia vinis de músicas que ainda nem eram conhecidas em Mato Grosso. Foi ali, por exemplo, que ele viu nascer a onda do ‘tribal music’, e onde ele mesmo apresentou ao público o Techno, a contragosto até mesmo dos sócios de seu pai.



“Naquela época, em 1998, eu conheci um estilo de música eletrônica. Meu pai trouxe os vinis, mas antes disso eu vi um DJ tocando em uma loja no [shopping] Goiabeiras. E eu vi esse cara tocando e falei: que som da hora! Tem que tocar na danceteria!”, lembra. O som era do ‘The Prodigy’, e pouco tempo depois ele encontrou um vinil do mesmo grupo na Yes Bananas, e quis colocar. “Mas fui criticado pelos outros DJs. Eles falaram “Não toca isso... Isso não tem nada a ver com a casa. Esse som nunca vai virar aqui”. [Mas] eu falei: “Esse som é do futuro, já tenho informações”.

Antes de colocar alguma coisa nova pra tocar, ele já tinha a técnica: falava para o público que aquele era o som do futuro, que estava tocando na Europa e nos Estados Unidos. Às vezes, dava certo. Às vezes, alguns desciam da pista e iam para o bar ao ar livre. No entanto, depois de um tempo, aceitavam. Foi assim com o Techno também.

“A Yes bananas era diferente. Tinham outras danceterias muito boas, mas a Yes Bananas tinha uma coisa diferente... era o clima, aquela coisa bem eclética de estilo de música que tocava, e a gente sempre renovava. Meu pai ia direto pra São Paulo, ficava escutando o som lá, e trazia coisas super diferentes. Até hoje eu tenho contato com DJ de São Paulo, com o cara que era dono da loja de discos que vendia vinil pro meu pai”.

A danceteria funcionava às sextas, sábados e domingos, sendo que o domingo era dia de matinê. Em frente, ficava o ‘Arnaldo’s Drinks’, e ao lado o ‘Mac’s Burgers’, que lotava depois das festas de matinê. Os dois também já não existe mais no local.

Periodicamente, a casa trazia shows, como dos grupos ‘Caçulas do Samba’, ‘Dois a Um’ e ‘Cuiabá Samba Show’, convidados especiais, como atores globais e a Joana Prado, a ‘feiticeira’ que também estava em seu auge, e tinha festas especiais, como as de réveillon e o ‘Arraiá do Caju’, festa anual voltada para o público LGBT, que tinha como hino a música “Fire Up”, do grupo Funky Green Dogs.

Joana Prado, a 'feiticeira', e Dj Robertinho (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2002, após muito sucesso, a Yes Bananas fechou as portas. Segundo Robertinho, não houve nenhum grande motivo. “Foram mudando muitas coisas... e o público do CPA foi indo mais pro lado do centro, e aquela coisa foi acabando”.

Relembrando

Para matar as saudades dos ‘órfãos’ da Yes Bananas, os antigos DJs da casa criaram, em 2011, a festa ‘Relembrando Yes Bananas’. Na primeira edição, que aconteceu em um clube, até mesmo a cena dos ‘choros’ se repetiu, já que algumas pessoas não conseguiram entrar na casa, que era pequena e lotou.

Depois disso, a festa passou a ser realizada no Sesi Park. Há três anos, depois do fechamento do clube, ela também parou. “Mas agora eles voltaram, então acho que esse ano tem!”, comemora.

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