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Mais barata, eficiente e humanizada: entenda porque a ‘medicina integrativa’ é a nova aposta dos especialistas

Da Redação - Isabela Mercuri

25 Jan 2019 - 17:03

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Mestre em Ciências Médicas por Harvard, David Steuer está em Cuiabá para Workshop

Mestre em Ciências Médicas por Harvard, David Steuer está em Cuiabá para Workshop

Foram cinco anos de sofrimento. Cólicas, dor no estômago, diarreia desenfreada. Quando acontecia, dona Aniceta Oliveira da Silva, hoje aos 84 anos, corria para o hospital, onde tomara um soro, um remédio pra dor, e logo era mandada de volta para casa. Foi com ajuda do filho que decidiu procurar uma clínica de terapias integrativas e complementares, há cerca de um ano e meio. Ali, sob os cuidados do naturopata e homeopata não-médico Luiz Manoel, passou a fazer os chamados ‘tratamentos alternativos’ e, hoje, já se sente muito melhor.

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“Eu comecei a tratar pelo intestino, tinha infecção. Vinha fazendo tratamentos, mas não deu certo. Uns quatro cinco anos fazendo acompanhamento, mas não tinha êxito. Não tinha jeito. [Eles] passavam remédios, que tomei por muito tempo, mas no final não estava valendo de nada”, contou ao Olhar Conceito, em uma entrevista concedida dentro do consultório de Luiz, na clínica Vitalle, em Várzea Grande. O local – privado – é especializado e dedicado à medicina integrativa, e oferece tratamentos de constelação familiar, barras, reiki, a iridologia, homeopatia, acunpultura, hidrovitallis (detox pelos pés), dentre outros.

Aniceta (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Logo que dona Aniceta chegou ao local, Luiz percebeu que ela precisava de uma desintoxicação. “Ela tinha infecção intestinal, falta de absorção de vitaminas e minerais, bastante infecção, e estava bem desidratada também”, conta. “O primeiro passo que eu fiz foi fazer um trabalho de desintoxicação com alimentação e alguns fitoterápicos, homeopatias... e como pegou um sistema muito complexo, que é o gástrico-intestinal, o emocional da pessoa também é afetado. Ela não estava dormindo bem, estava com dor de cabeça, espasmos, dores no corpo por todos os lados... aí começamos a fazer a desintoxicação de tantos medicamentos que ela já tinha tomado. Corrigimos a alimentação, e fizemos um plano de ação pra melhorar a questão emocional”.

Para avaliar o corpo de Aniceta, o terapeuta utilizou a Iridologia, ou seja, o estudo da íris. “A íris tem vários sinais que mostram todos os problemas que nós sentimos, tanto comportamento, emocional, físico, energético... tudo que nós passamos fica registrado na íris”, explica. Para isso, ele tirou uma foto dos olhos da paciente na primeira consulta, e comparou com um mapa onde é possível avaliar as áreas mais afetadas. Com isso, ele começou o tratamento, e obteve sucesso.

Aliceta e o filho prestam atenção nas orientações do terapeuta (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

“A realidade é que na situação que minha mãe estava levando, a gente achava que já estava chegando o final [da vida]”, lembra o filho Adilson Oliveira, 50. Segundo ele, alguns familiares até se posicionaram contra a ideia de fazer os tratamentos integrativos, mas a insistência de dona Aliceta foi essencial.

Mudança de paradigma

Apesar de bastante conhecidos, os tratamentos complementares e integrativos ainda sofrem muito preconceito, tanto dos pacientes quanto dos médicos tradicionais. Foi pensando em mudar este paradigma, após um problema familiar, que o americano David Steuer decidiu viajar o mundo falando sobre o assunto. Formado em medicina, odontologia, mestre em ciências médicas, com especialização em cirurgia e PHD em neuroquímica, medicina natural, nutrição, nutrição esportiva e medicina chinesa, ele se tornou o profissional mais gabaritado na área nos Estados Unidos, e, hoje, pode falar com propriedade e sem medo de ser contestado por ‘achismos’.

Tudo começou quando ele, já médico, não conseguia ajudar o filho. Ele tinha um problema no sangue, que começou dentro do cérebro. A pressão abaixava super rápido, e resultava em uma dor de cabeça terrível, dificuldades para andar e desmaios. “Estávamos indo pro hospital duas vezes por semana, foi super difícil”, lembra. “Na época eu já estava indo para os melhores hospitais, pagando caro pelos tratamentos... Eu fiz tudo que eu podia para ajudar meu filho, mas não tinha solução. Então comecei a procurar no mundo inteiro por opções que eu poderia oferecer para ele”.

Foi principalmente com a descoberta dos óleos essenciais que David conseguiu ajudar o filho. A partir daí, ele não parou mais de estudar e se aprofundar no tema. “Como medico tradicional eu tinha certas limitações, e eu não podia fazer muito mais do que aquela caixa de informações que nos é dada”.

Desde que se especializou, o médico decidiu que levaria este conhecimento para outros lugares do mundo. Foi por isso que, nesta semana, chegou a Cuiabá para participar do 1º Painel Internacional sobre alternativas naturais eficazes em tratamentos médicos, psicológicos e terapêuticos, e do Workshop sobre utilização e prescrição de produtos terapêuticos naturais, com foco nos profissionais e estudantes da área da saúde das terapias integrativas, proprietários de clínicas e do comércio de produtos naturais.

“Eu quero fazer uma mudança no mundo. Eu gostaria de ajudar os sistemas, por exemplo, aqui em Mato Grosso... Eu gostaria de amplificar essa educação para que os médicos possam realizar um sonho de tratar pacientes de forma integrativa, sem ficar com medo”, afirma.

Segundo David, a medicina integrativa, além de ser mais simples e barata para o paciente, também o é para o sistema público. “E uma das coisas mais importantes é que, dentro da família, quando os pais são saudáveis, o código genético que vai ser passado para o filho vai ser mais saudável. Vai ser mais puro. Se não começarmos a integrar essas outras formas de reparo para o sistema genético, vamos ter uma população que, a cada geração, fica mais e mais doente. Então o problema, para o governo, por exemplo, vai aumentar a cada geração. Ou seja, não estamos tratando somente nós, mas as gerações futuras”.

Sonia Mazzeto, presidente do sindicato dos terapeutas de Mato Grosso (Fonoaudióloga, terapeuta, coordenadora e pesquisadora do projeto Expedição cura, que busca alternativas de plantas para dependência química e musicoterapeuta), foi uma das idealizadoras e organizadoras do workshop. Segundo ela, Cuiabá é, hoje, uma referência em medicina integrativa, já que oferece este tipo de tratamento por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Sônia Mazzetto (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

“E a gente vê o avanço dos dois lados. Um por levar isso pra população já pela gestão pública, e a gestão pública já estar contratando terapeutas, ainda de uma maneira de contratação e não concurso, mas contratando. Num primeiro momento, pra começar esse movimento interno dentro da gestão, eles procuraram pegar os funcionários que já eram funcionários de carreira e ver quem é que já praticava estes tratamentos”, explica. Agora, a luta é para que o acesso chegue também a outras cidades do estado. “A intenção do sindicato é começar a trabalhar com os conselhos de saúde, buscar via legal com a Câmara dos Vereadores, e fazer com que isso se torne realidade pra que a população tenha esse alcance”.

A medicina alternativa foi institucionalizada no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2006, após a publicação da 'Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)'. De acordo com a assessoria da Prefeitura, em Cuiabá as práticas começaram em 2004 com o ‘Programa de Plantas Medicinais e Fitoterápicas’ (Fitoviva), e se tornaram lei municipal em 2007. Já a Unidade de Referência em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (URPICS), localizada no Horto Municipal, foi criada em 2014 e, neste ano, transformou-se em 'Política Municipal de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde', por meio da Resolução nº 23/2017. Ali, passaram a ser oferecidos tratamentos de reiki, yoga, auriculoterapia, homeopatia, dentre outros.

Para David, no final das contas, o que importa é perceber que a medicina integrativa tem, por objetivo, ser mais humanizada e oferecer mais alternativas aos pacientes. “Como medico, nosso trabalho é escutar as pessoas. Aprender quais são as áreas que eu posso ajudá-las, e quais são as opções que elas provavelmente vão usar, e quais são as opções que elas provavelmente não vão usar. Por exemplo, têm certas pessoas que tem um grande medo de agulha. Se eu falar pra ela receber uma injeção todos os dias, ela não vai receber, e nunca vai completar o tratamento. Mas se eu a conheço, se eu tenho amor por ela, vou oferecer outra opção que eu sei e conheço que ela vai utilizar. E quando isso acontece, ela fica mais saudável”, finaliza.

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