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a violeta

Revista mato-grossense era feita somente por mulheres em 1916

Da Redação - Isabela Mercuri

24 Mar 2019 - 14:42

Foto: Arquivo

Revista mato-grossense era feita somente por mulheres em 1916
Tanto no acervo da Superintendência do Arquivo Público de Mato Grosso (SAP-MT) quanto na Hemeroteca da Biblioteca Nacional é possível encontrar exemplares da revista ‘A Violeta’, a única organizada, redigida e dirigida só por mulheres em Mato Grosso. A publicação, que circulou entre 1916 e 1950, era feita pelo o Grêmio Literário Júlia Lopes de Almeida, e tinha periodicidade quinzenal.

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A assinatura, segundo informações de sua capa, custava 1$000 por mês em Cuiabá, e 1$200 fora da capital. A revista representou a abertura de espaço para que mulheres escrevessem sobre os mais variados temas, como literatura, saúde, sociedade, política, e a defesa da escolarização e profissionalização do sexo feminino.

De acordo com a assessoria do estado de Mato Grosso, o corpo editorial da revista é formado por mulheres letradas pertencentes às classes média e alta da sociedade, a maioria delas de famílias tradicionais, entre escritoras, professoras, funcionárias públicas e donas de casa.

Desde o início, o Grêmio Literário homenageou a escritora carioca Júlia Lopes de Almeida, romancista carioca que tem extensa lista de obras publicadas. Ela colaborava como patrona da revista, à distância.

A publicação continha contos, poesias, colunas sociais, artigos de opinião, notícias, e textos assinados por pseudônimos. A edição 32 de 1918, por exemplo, traz um artigo que lembra a data de 13 de maio, dia em que houve a abolição, em 1888, como a "página mais atraente do livro de ouro da história do Brasil". O artigo é assinado por uma escritora intitulada apenas de Solange.

“No coração dos verdadeiros patriotas não se deverá apagar a lembrança da princesa Isabel, tão justamente cognominada a Redemptora. E especialmente a mulher brasileira, ao lembrar-se de tão glorioso nome, deve com razão orgulhar-se”, dizia parte da publicação.

Dentre as principais cronistas da revista, estão Maria Dimpina Lobo Duarte, que assinava como ‘Arinapi’, e Maria de Arruda Müller, que assinava como ‘Mary’.

Em um de seus textos, Mary apresenta um retrato do cenário educacional da época, e defende os professores interinos, que exerciam o magistério há anos, mesmo sem o diploma. A intenção da autora na edição 180, de julho de 1930, era valorizar os educadores e contribuir para que continuem trabalhando para estancar o alto índice de analfabetismo do período.
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