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Depois de desenhar para grandes marcas, multiartista catarinense instala galeria e escola de arte no centro de Cuiabá

Da Redação - Isabela Mercuri

28 Mar 2019 - 17:07

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

Depois de desenhar para grandes marcas, multiartista catarinense instala galeria e escola de arte no centro de Cuiabá
São apenas vinte e sete anos de vida, mas, ouvindo Rubiana Reolon contar sua história, parece muito mais. Nascida na cidade de ‘Saudades’, em Santa Catarina, a multiartista despontou no meio da moda, sem nunca abandonar seu objetivo final, que era viver das artes plásticas. Morou em Blumenau, Buenos Aires e São Paulo, e há um ano mudou-se para Chapada dos Guimarães para seguir um amor. Desde então, após uma experiência holística na cachoeira, instalou uma galeria-exposição no centro de Cuiabá, onde dá aulas das diversas técnicas que domina: aquarela, guache, carvão, óleo sobre tela, muralismo, estamparia, e tudo mais que sua imaginação ansiar.

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“Desde sempre gostei. Eu riscava paredes... minha avó morava ao lado de uma olaria, e nessa olaria eu ia roubar pedaços de barro, tijolos molhados pra fazer esculturas, então isso sempre esteve muito vivo”, conta Rubi ao Olhar Conceito. “Por morar numa cidade de interior, a gente sempre foi muito livre, ia pra dentro da mata, criava fantasias mentais... e eu reproduzia tudo isso através do desenho e da pintura. Sempre esteve na minha essência”.



A cidade onde vivia – de nove mil habitantes - não tinha nenhum curso de artes, mas ficava próxima a um polo têxtil, e era lá que estava, também, uma grande indústria dos mesmos donos do Fila Brasil, onde Rubi conseguiu seu primeiro emprego. “Trabalhei na expedição da empresa. E existia o desenvolvimento de produto dentro dela, porém levou um tempinho até eu conseguir chegar nesse local. Apresentei meu portfólio, e logo fui para o desenvolvimento de produto. Trabalhei com desenho e criação, dentro da marca Fila”.

O primeiro emprego foi apenas o pontapé inicial de uma carreira de sucesso. Após três anos, a catarinense foi morar em Blumenau, onde trabalhou como estilista e, depois, como designer de superfície, no universo da estamparia. Dentre as marcas famosas para quem desenhou, está a ‘Antix’, conhecida pelo cuidado com suas estampas, além de importantes nomes da moda infantil.

Após cinco anos, Rubi decidiu ir para Buenos Aires para expandir seus horizontes. “Lá tinham váras artistas que eu conhecia, e eu fui pra ter curso com elas, de pintura em porcelana, de desenvolvimento de cerâmica, bordado... eu senti uma necessidade extrema de expandir meu universo criativo, então fui em busca de experiências que me levassem pra outros lugares além do que eu já conhecia”, lembra.

De volta para o Brasil, ela continuou trabalhando na mesma empresa de antes, mas migrou para o home Office, o que lhe deu a oportunidade de mudar-se para São Paulo e investir ainda mais em diferentes tipos de cursos. “Foi um ano inteiro em que eu me dediquei principalmente aos estudos de arte. A parte da estamparia eu deixava para a noite. Fazia cursos o dia inteiro, aos finais de semana também”.

Foi neste ano que ela conheceu um homem que mudaria seu destino por completo. “Conheci um cuiabano que estava há dez anos em São Paulo, e a gente se apaixonou à primeira vista, foi uma loucura. Em menos de dois meses depois ele falou: o que você acha de ir pra Cuiabá?”. Ela, que nunca tinha pisado em Mato Grosso, aceitou a proposta.

Os dois chegaram em fevereiro de 2018, e desde então vivem entre Chapada dos Guimarães e a capital, onde Rubi instalou sua galeria e escola de arte. Antes disso, no entanto, passou por uma experiência transcendental, que a fez, inclusive, criar uma nova linha de telas. “Eu fiz uma terapia holística com a Vera, e quando eu fui pra esse momento eu falei: que seja um marco, uma transformação. Fui aberta pra que coisas novas viessem, e deixei que coisas fluíssem, fossem embora”, lembra.

“No final da terapia uma garça real apareceu. Eu nunca tinha visto na vida. Ela apareceu na beira cachoeira, e a Vera falou: ela é muito arisca, ela não fica aqui por muito tempo. E a gente foi se aproximando e ela foi ficando. Eu fiquei extasiada”. Depois desta experiência, Rubi pintou a garça, e começou a se interessar ainda mais pela pintura de pássaros, o que se transformou em uma pequena exposição, localizada dentro de sua galeria.

Garça real (à direita de Rubi) e o par, em cima; Exposição 'Jardins da Alma'

“A exposição que eu tenho aqui se chama ‘Jardins da Alma’, e a linha de raciocínio que permeou essas obras foi sempre uma análise do contexto em que a gente está inserido, no sentido emocional. De que maneira a gente tem alimentado a nossa alma? A gente tem se permitido abrir as asas e voar, e permitir a nossa criatividade, nos expressarmos com segurança?”, questiona. “A proposta do meu trabalho é fazer exatamente isso, fazer com que as pessoas entrem nesse espaço e se permitam, através de outra pessoa - porque eu acho que fica mais leve - sonhar, e se teletransportar pra um universo criativo, um universo lúdico, dos sonhos. Eu acho que isso aqui, esse espaço, essa galeria, é um convite ao sonho, é um convite a ir além do que a gente está no piloto automático no dia a dia”.

Galeria e Escola de Arte

A galeria de Rubi fica no centro de Cuiabá. Ali, ela guarda alguns de seus estudos, mas exibe também uma série de telas que estão à venda. Em quatro horários durante a semana, ela também dá aulas de arte para grupos de no máximo oito pessoas.

Apesar de ser em grupo, garante a artista, o tratamento é individual. Cada pessoa decide quantos meses quer fazer e qual técnica quer aprender. Aos sábados, ela oferece também um curso de estamparia, que tem duração fixa de dois meses.
 
“[Para] as minhas alunas que vem aqui, 50% do que eu passo é técnica, e 50% é programação neurolinguística, porque as pessoas entram aqui bloqueadíssimas. Elas não têm coragem de fazer uma linha no papel em branco, e esse desbloqueio através da arte reflete na vida como um todo. E eu tenho certeza absoluta, porque eu vi casos muito interessantes”, garante.

Encomendas

Além das telas expostas na galeria, Rubi também as faz sob encomenda. Ela realiza as obras em qualquer técnica, inclusive em paredes, um ramo que tem crescido. “Desenvolvo muito em salas de estar, espaços comerciais, quartos de bebês... é um veio que tem dado certo, estou muito feliz com essa vertente interessante, e vai de encontro com o que eu desenvolvo, com o meu estilo e com o que o cliente sempre solicita”, explica. “Gosto muito porque eu sou uma pessoa que, enquanto estou desenvolvendo a obra, estou em constante análise, então eu faço das obras que desenvolvo uma ferramenta de autoconhecimento. E os murais são interessantes porque eu estou com o corpo inteiro. É um movimento muito intenso de sobe e desce, agacha, estende, levanta... é bem interessante, é uma obra mais viva”.

Mural dentro da galeria de Rubi (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

O trabalho sob encomenda, muitas vezes, não é visto com bons olhos por outros artistas. Para Rubi, no entanto, ele é tão intenso e verdadeiro quanto os outros. “De maneira alguma uma encomenda pra mim é menos verdadeira. Eu faço meu ritual artístico, ouço as minhas músicas, acendo minhas velas, faço todo meu ritual e aquilo é muito intenso. Tem obras que eu tenho que parar, sentar e começo a chorar. É muito interessante porque, de uma maneira, a encomenda me conecta com alguém. E eu acho que é muito rico no processo artístico”, afirma. “Acho que a gente precisa reinterpretar tudo isso. Porque eu não acho justo, até com os artistas, eles não se permitirem viver uma vida empreendedora”.

Na galeria, Rubi também vende seus lenços, que são feitos manualmente e são praticamente exclusivos. A produção de estamparia, no entanto, está relativamente parada. “Hoje eu faço esporadicamente, quando é um projeto que eu me identifico muito. Mas 90% do meu tempo, hoje, eu dedico aos cursos de arte”.

Um dos lenços de Rubi (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)

Exposição

A próxima exposição que Rubi participa será ‘Jardim do Éden’, na ‘Sic Bartão’,  Museu do Movimento Cristão Contemporâneo. “Eles não tratam da figura de Deus de uma maneira clichê ou muito característica. Então as minhas obras vão ter um contexto, porque o nome da exposição vai se chamar ‘Jardim do Éden’, mas eu vou revelar as minhas pesquisas de desenvolvimento pessoal e coisas que estão alinhadas ao que eu acredito”, finaliza. A mostra será, provavelmente, em setembro. Para saber mais, acompanhe o Instagram do museu AQUI.

Serviço

Rubi Reolon
Galeria: Rua Desembargador Ferreira Mendes, 233, Centro Sul (necessário agendamento)
Informações: INSTAGRAM / (49) 99914-4396

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