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Plano de gestão pode transformar Centro Histórico de Cuiabá no primeiro sustentável do mundo

Da Redação - Isabela Mercuri

21 Ago 2019 - 08:10

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Plano de gestão pode transformar Centro Histórico de Cuiabá no primeiro sustentável do mundo
As discussões sobre o Centro Histórico de Cuiabá já se arrastam há muitos anos. Desde 2002, por exemplo, já se falava sobre o rebaixamento dos fios elétricos. O tombamento pelo Iphan data de 1987, mas basta andar pelas ruas para ver que a situação não é das melhores. Tentando – mais uma vez – mudar a realidade, um grupo de ‘Amigos do Centro Histórico’ organiza uma série de ações envolvendo o poder público e a sociedade. Uma delas é um plano de gestão, que deve ser entregue no próximo mês de março, e tem por objetivo transformar o espaço no primeiro Centro Histórico Sustentável do mundo – o que abre portas para recursos internacionais para tirá-lo do papel.

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Quem está à frente desta iniciativa é o arquiteto Eduardo Quileto – que há muitos anos luta pelo Centro Histórico. Em dezembro de 2018 ele assumiu a coordenação nacional da Parceria para Ação pela Economia Verde (PAGE, na sigla em inglês), uma iniciativa global do PNUMA, da OIT, do PNUD, da UNIDO e da UNITAR (agências da Organização das Nações Unidas – ONU), e iniciou um professo de contratação de licitação em cima de um termo de referência internacional, para que algumas entidades pudessem assumir o plano de gestão para o centro histórico. Quem venceu foi a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Academia de Arquitetura e Urbanismo (AAU).

A ideia, seguindo a linha da PAGE, é que o plano seja de um Centro Histórico Sustentável - que seria o primeiro do mundo. Para isso, é necessário que a Prefeitura de Cuiabá contrate a empresa inglesa ‘BRE Global’, que emite o selo de sustentabilidade.

Até o momento, a Prefeitura já assinou um memorando de entendimento com a empresa, mas falta a efetiva contratação. “Isso abre portas para recursos internacionais, porque a gente sabe que o projeto pode ser lindo, mas a prefeitura não tem dinheiro, o Estado não tem dinheiro... então seria um projeto lindo, sem recursos”, explica o arquiteto.

A partir da entrega do Plano de Gestão em março, mais um pequeno prazo para que ele seja certificado como sustentável, o próximo passo seria buscar estes recursos, para tirar as ideias do papel. “A ideia é ter esse selo, e abrir portas para conseguir recursos internacionais para a gente fazer um trabalho no Centro Histórico como um todo. Porque o trabalho que está sendo feito são trabalhos pontuais. O prefeito tinha me chamado no início de 2018 porque ele queria que a gente fizesse alguma coisa. Mas eu disse, prefeito, o que o senhor está fazendo é acupuntura no Centro Histórico. É uma coisinha aqui, outra ali, isso não resolve o problema do Centro Histórico, é muito maior...”, lamenta Eduardo.

Hoje, no entanto, os pensamentos estão alinhados. Francisco Vuolo, secretário de Cultura, Esporte e Turismo, contou ao Olhar Conceito que a vontade do prefeito é deixar um plano diretor para o Centro Histórico, voltado para os vieses social, econômico e arquitetônico-estrutural. “Desenhando isso, nós temos condição de deixar algo que tenha, independente da gestão que vá assumir a posteriori, a continuidade das ações. Esse é o grande desafio, que infelizmente ao longo dos anos se perde. Entra um gestor, define ações pontuais, e entra outro, entende que aquilo não é interessante, muda... e essas mudanças constantes fazem com que não tenhamos um desenho de onde nós queremos chegar, em especial, com o Centro Histórico”.

PAGE

A Parceria para Ação pela Economia Verde (PAGE, na sigla em inglês) é uma iniciativa global criada pelas agências da Organização das Nações Unidas (ONU): a Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e o Instituto das Nações Unidas para Formação e Pesquisa (UNITAR). Ela surgiu durante a Rio+20, em 2012, quando se discutia mudanças climáticas.

“As cinco agências da ONU se reuniram e perceberam que não adianta mitigar as mudanças climáticas tratando só a questão ambiental e a questão social, porque o desenvolvimento econômico deveria estar dentro desse processo”, explica Eduardo.

No início, a parceria era feita somente com países. Em 2016, no entanto, foi feita uma parceria com o governo de Mato Grosso (coordenado pela Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social), que se tornou o primeiro estado sub-nacional a ser parceiro do projeto.  



A ideia do Plano de Gestão sustentável foi apresentada na última sexta-feira (16), durante um debate entre a Page em Mato Grosso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Geográfico (Iphan) e a Prefeitura, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer. O debate foi uma ação da Semana do Patrimônio Histórico, organizada pelos Amigos do Centro Histórico de Cuiabá.

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