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Artesã cura síndrome do pânico com crochê e transforma hobby em profissão

Da Redação - Isabela Mercuri

26 Ago 2019 - 09:05

Foto: Olhar Direto

Lauanny

Lauanny

Quando a fluminense Lauanny Teixeira, 24, mudou-se para Cuiabá acompanhando o marido que foi transferido, passou por alguns dos momentos mais difíceis de sua vida. Lidando com a perda recente da avó e de um sobrinho, ela se viu sozinha na capital mato-grossense, e acabou desenvolvendo síndrome do pânico. Depois de passar por um médico que queria ‘lhe entupir de remédios’, ela buscou uma segunda opinião, e ouviu que terapias alternativas e trabalhos manuais poderiam lhe ajudar. Foi assim que começou a fazer crochê. Hoje, três anos depois, o ‘hobby’ se transformou em profissão. Em seu ateliê, ela produz bolsas, cestos, amigurumis, tapetes e o que mais pedirem, além de dar cursos para ensinar as técnicas que aprendeu sozinha.

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“Minha mãe é costureira, então já está na veia essa coisa da manualidade, e minha avó bordava à mão”, lembra a artesã. “Um dia eu fui visitar a minha mãe, estava folheando uma revista de molde e vi uma bolsa de abacaxi feita em crochê. E eu fiquei doida...”. A primeira vontade foi a de fazer a bolsa para si mesma, o que ela conseguiu após muitas tentativas e horas assistindo a tutoriais no Youtube (e depois de pedir para o marido, de aniversário, uma agulha e linha). Quando deu certo, passou a ocupar seu tempo com a prática.

“Comecei fazendo bolsas pra mim, mais pra ocupar a cabeça mesmo, porque eu ficava sozinha em casa, e tinha medo até de sair na rua - quando eu mudei pra Cuiabá todo mundo me falou que era mega violento, então eu pensava que ia sair na rua e levar uma facada”, brinca.

Nos encontros sociais com amigos do marido, suas bolsas passaram a chamar atenção, e Lauanny aceitou algumas encomendas sem maiores pretensões. “Um dia uma moça me perguntou se eu fazia tapetes. Eu nunca tinha feito nenhum tapete na vida, mas falei faço, faço sim... fui pro Youtube e aprendi, e foi assim, meio sem querer, que foi surgindo”.

Os novos produtos surgiram à medida que eram encomendados. Os amigurumis, por exemplo, foram pedidos de sua irmã, quando ela engravidou. E em outubro de 2018, uma amiga lhe questionou porque não ministrava aulas. “Eu respondi: mas eu dar aula? Eu acho que sei tão pouco... e ela respondeu: “Mas pense que o que você sabe, tem gente que não sabe. Então você pode ensinar”. E eu comecei a dar aula, e vi que poderia sim virar um negócio”.

Desde então, Lauanny tem feito tudo sozinha: contabilidade, venda, marketing, organização das aulas, fotografia dos produtos, venda em feiras, e o que mais precisar. “eu acho que, muitas vezes, nós mulheres somos menosprezadas, dizem que não somos capazes de ser multitarefa ou de estar a frente de um negócio, então eu sempre tento trazer essa mensagem, de que a gente pode ser e fazer o que a gente quiser, e ser bem sucedida nisso”, afirma.
 
Atualmente, a artesã tem o crochê como principal fonte de renda, e se sustenta com o seu trabalho. No entanto, ainda sofre tanto com os que não valorizam os produtos – reclamam que é caro, por exemplo – quanto com os que a menosprezam por esta escolha. “As pessoas acham que eu faço crochê por hobby porque meu marido me sustenta, então eu posso ‘me dar ao luxo’ de fazer isso por terapia, como se eu não sobrevivesse, não ganhasse dinheiro com isso”, lamenta.

As aulas de Lauanny são ministradas todas as quintas-feiras no Goiabeiras Shopping, e ela participa de diversas feirinhas pela cidade. Além disso, também aceita encomendas, até mesmo do que nunca fez, já que gosta de “se sentir desafiada”.

Para sua surpresa, muitas das alunas e alunos começam as aulas pelo mesmo motivo que ela começou a fazer crochê, após momentos difíceis. E ela garante que dá certo. “Eu não digo que foi só o crochê, porque também fiz outras terapias alternativas, mas acho que o crochê foi determinante, porque até pra criar ligação com outras pessoas, eu usei do crochê pra também conhecer novas pessoas, me comunicar melhor”, finaliza.



Serviço

Ateliê Lau Teixeira
Informações:  (22) 9 9836-8928
INSTAGRAM

14 comentários

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  • Edvania pergentino
    04 Set 2019 às 11:09

    Que legal também estou aprendendo fazer crochê acho linda essa arte

  • Eliane Silveira Santos
    31 Ago 2019 às 08:12

    realmente arte é uma terapia, quando faço crochê, eu viajo junto com a agulhas e linhas, eu esqueço todos os problemas q mim envolve.

  • Eliane Silveira Santos
    31 Ago 2019 às 08:12

    realmente arte é uma terapia, quando faço crochê, eu viajo junto com a agulhas e linhas, eu esqueço todos os problemas q mim envolve.

  • Debora
    30 Ago 2019 às 16:43

    Parabéns, querida estou passando por dificuldades tbm,e o crochê ajuda e muito a nos mantermos calmas e conscientes para enfrentarmos a vida

  • Aparecida Linda
    27 Ago 2019 às 19:03

    Vc nunca me enganou, sabia que era forte e corajosa! Você vai longe fia!!

  • Eliane
    27 Ago 2019 às 18:28

    Menina de ouro. Sei da sua capacidade e do seu coração. Feliz por vc estar feliz. Te admiro muuuiito.

  • Victor Afonso
    27 Ago 2019 às 15:53

    Ótima matéria! Parabéns pela grande vitória, Lauanny! Antigamente eu tinha depressão e acabava ficando muito tempo sozinho dentro do meu próprio quarto. Daí, eu vi um vídeo no youtube de crochê e isso meio que me chamou atenção, o vídeo era de um curso de crochê, acabei fazendo e isso me ajudou muito! Vou deixar o link do curso aqui, quem sabe pode ajudar mais alguém! http://bit.ly/amorpor_crocheee

  • Jussara Duarte
    27 Ago 2019 às 11:34

    Parabéns pelo trabalho lindo que você faz!!!

  • ESA
    26 Ago 2019 às 22:27

    ^_^ <3 *** LVU

  • Eliane
    26 Ago 2019 às 19:41

    Eu também tenho é ainda uma depressão profunda, e faço várias terapias. Inclusive também faço várias coisas, em crochê. Mas ainda não me sinto bem. E isso foi quando perdi minha mãe. Fiquei feliz em ler seu depoimento. Espero que eu consiga também. Um grande abraço

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