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Artista de MT deixa engenharia e enfrenta dificuldades para se dedicar à dança e produção musical

Da Redação - Isabela Mercuri

19 Out 2019 - 08:28

Foto: Divulgação

Artista de MT deixa engenharia e enfrenta dificuldades para se dedicar à dança e produção musical
A paixão de Rauan de Oliveira Antunes, 26 - mais conhecido como ‘Rau Lizzard’ – pela dança parece ter nascido junto com ele, mas foi ainda na pré-adolescência que um amigo lhe deu um MP3 com faixas de ‘dance music’ e, pela primeira vez, em casa, ele deixou o corpo ter vida própria. Os ensaios continuaram em casa, na escola, e onde mais pudesse ir, até que, na juventude, foi incentivado pelos pais a fazer uma faculdade. Não deu certo. No quarto semestre de engenharia civil, enquanto trabalhava como corretor imobiliário, ele ‘largou tudo’ para se dedicar à arte. Começou também a fazer produção musical – mesmo sem nenhum incentivo ou estrutura técnica – e hoje sonha em ser um grande DJ, produtor e dançarino, e levar as diferentes vertentes da arte para seu palco. Na verdade, ele sabe que, apesar de tudo, “já chegou lá”.

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Enquanto em casa os familiares ouviam lambadão, pagode e sertanejo, Rau ouvia o CD que ganhou de seu amigo, e conhecia um novo universo, pelo qual ficou apaixonado. Na escola, aprendeu a dançar break com um colega, e em casa os treinos continuavam. “Pra mim era o meu momento, e desde que eu comecei, até hoje, eu sempre consegui ver uma plateia, ver pessoas me assistindo, e isso sempre me provocou a dançar mais, mesmo estando no meu quarto, mesmo ninguém vendo”, conta.

A dança lhe deu novos amigos, e Rau chegou a pedir ao pai para mudar de escola para poder desenvolver sua arte. Ele concordou, e o matriculou no Colégio Isaac Newton, onde havia uma Academia de Artes. Ali, ele passou a dançar break e hip hop dance, e se destacou no grupo. Aos poucos, no entanto, teve que deixar o break para trás. “Eu comecei a observar que eu dançava muito bem a parte de cima – o ‘top rock’ – e me destacava mais. E comecei a também outros estilos como Locking, Popping, Breaking, Hip Hop Freestyle, House Dance, e Krump”, lembra. Outro motivo que lhe afastou, principalmente dos passos feitos no chão, foi a dificuldade de treinar. “O fundo da minha casa era de terra. E para poder dançar eu colocava papelão, porque às vezes eu me machucava com as pedras. Então eu parei de fazer deitado e comecei a treinar em pé, e ficou muito melhor, eu já não me machucava tanto”.

Neste meio tempo, ele conheceu o trabalho do grupo francês ‘Les Twins’, que passou a ser sua grande inspiração. Fez também curso com o coreógrafo de Los Angeles Brian Puspos, e o de Chicago, Ian Eastwood. Tudo corria bem, e Rau decidiu que iria para os Estados Unidos para seguir o sonho de ser dançarino. Mas, o visto foi negado.

Depois de bater de frente com os pais por muito tempo, ele já não tinha mais alternativa. Começou a estudar engenharia civil e a trabalhar como corretor imobiliário. Foi a única vez na vida que ficou afastado da arte, por dois anos. Até que decidiu trancar o curso. “Eu parei porque eu estava vivendo uma vida que não era minha. Eu visava o dinheiro, mas vi minha felicidade acabar”.

A música

Quando desistiu da faculdade, ele voltou a treinar a dança, mas sentiu que faltava algo mais para se destacar. Pensou em cantar, mas logo descartou a possibilidade. “Eu pensei, e se eu produzisse música? Eu gosto de música instrumental, eu gosto de ouvir instrumentos solando, já participei de fanfarra tocando percussão... acho que vou tentar. Quem sabe”.

O primeiro passo foi como DJ. Rau conseguiu uma controladora de presente de um amigo, e começou a treinar em casa. “[Estava] sempre pesquisando música. Eu não ouvia mais hip hop, trap... estava ouvindo só música eletrônica. E nessas pesquisas, eu queria ver o que os DJs estavam tocando”, conta. “Hoje em dia, os DJs mais conhecidos são os que produzem suas próprias músicas. E eu descobri isso”.

Foto: Lucas Bólico

A partir daí, nasceu mais uma ideia na cabeça do artista: a de produzir as próprias músicas, tocar como DJ e dançar. Para isso, trocou seu mixer e sua controladora, que usava como DJ, por um computador de um amigo – que nem era tão bom. E passou a pesquisar no Youtube como poderia produzir. 

Com muita dificuldade, Rau descobriu as técnicas criar suas músicas. Ouviu muitas críticas quando começou a mostrar o resultado para os amigos, mas nunca desistiu. Na persistência, chegou até mesmo a terminar uma faixa, a ‘sentidos’, sem ouvi-la por completo, porque o computador travava sempre.

Hoje, já lançou um remix autorizado e uma autoral, ‘Adapted’. A próxima, ‘Charm’, será lançada no próximo dia 8 de novembro em todas as plataformas digitais. Mesmo com todas as dificuldades, ele não pensa em desistir, e revela o que o motiva: “Ver as minhas músicas criando vida, assim como eu crio vida quando eu danço, quando eu passo todo o sentimento que eu sinto, que a música pede. Pra mim, ver a minha música melhorando a cada dia é demais. Eu cheguei lá. Eu já consegui. Isso que é o mais incrível, e isso que me motiva. Eu cheguei onde queria, daqui para frente é lucro. Porque o impossível era fazer a música”, finaliza.



Serviço

Conheça o trabalho de Rau Lizzard no YOUTUBE, SOUNDCLOUD e SPOTIFY.

11 comentários

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  • Bainho
    21 Out 2019 às 08:55

    Mario Toledo, realmente artistas são os que você mencionou e alguns outros. Os demais são comerciantes dos passos, da voz, e dos pincéis.

  • Chico Bento
    21 Out 2019 às 08:54

    Fábio, quando adolescente meu sonho assim como o seu era ser médico. A condições financeiras de minha família não me foram favoráveis. Fiz outra faculdade, me casei e constituí minha família. Quando meu filho mais velho já estava fazendo sua primeira faculdade fora de minha cidade, tive a oportunidade de fazer outra, encarei, me formei e ainda fiz uma pós graduação. Enfim, não conquistei patrimônio, mas sou muito feliz com minhas profissões e minha família.

  • pseudônimo
    21 Out 2019 às 08:19

    Te apresento o Brazilian Dream. Uma variedade de ideais de liberdade não concretizados, que excluem a chance para o sucesso e prosperidade, ínfima mobilidade social para as famílias e crianças, raramente alcançada através de trabalho em uma sociedade cheia de obstáculos e preferências. (livre adaptação do american dream). Verdadeira Multidão de Pessoas sobrevivendo uma vida de sonhos abandonados para não passar fome. A história não é nova.

  • jose murtinho
    20 Out 2019 às 07:45

    Quando eu era pequeno, queria ser jogador de futebol. Treinei em clubes em categorias infantis, passei por peneira e tudo mais. Quando completei 16 anos meu pai falou: vai estudar ou jogar bola (eu nunca tinha deixado de estudar). Hoje sou formado, pós-graduado, tenho um bom trabalho, família que amo e sou o "cara certinho", tradicional. Mas sempre fico pensando como seria se tivesse seguido meu sonho. Não deixe de tentar seguir seus sonhos, rapaz!!!

  • Fábio
    19 Out 2019 às 20:08

    Sabe companheiro ... Chega um dia na vida que a gente cresce e precisa acordar dos sonhos. Eu sonhava em ser médico. Lutei bastante tempo pra conseguir. Quando vi que não ia dar certo troquei de opção e hj sou feliz. Vc pode ter a dança como hobe... as vezes não deu profissionalmente.

  • Olívia
    19 Out 2019 às 16:50

    Todo mundo tem dificuldade na vida, em qualquer profissão.

  • Paolo
    19 Out 2019 às 11:47

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  • someone
    19 Out 2019 às 11:01

    great! never give up of your dreams. Believe in yourself

  • Paulo
    19 Out 2019 às 10:49

    Fez sua escolha fião...SE VIRA.

  • Maria
    19 Out 2019 às 09:56

    Parabéns, menino. Não entendo bulhufas de música eletrônica, mas entendo de gente que persevera, não desiste dos sonhos. Vai pra cima, sempre!!!

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