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Segunda-feira, 06 de julho de 2020

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Ritual e enterro simbólico: saiba o que o Santuário de Chapada faz após morte de elefantes

da Redação - Isabela Mercuri

14 Jan 2020 - 10:29

Foto: Reprodução / Santuário de Elefantes

Corpo de Ramba

Corpo de Ramba

Desde que foi inaugurado em 2016, o Santuário de Elefantes Brasil, localizado em uma comunidade próxima a Chapada dos Guimarães, já recebeu cinco moradoras. Duas delas, Guida e Ramba, já faleceram. A primeira, pouco mais de dois anos depois de chegar, e a segunda, apenas poucos meses. Ambas foram enterradas no Santuário e, antes disso, toda equipe realizou uma espécie de ritual funerário junto aos outros animais.

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O Santuário compartilha quase todas as informações das moradoras em sua página no Facebook. No entanto, em respeito aos que não queriam saber mais informações da morte ou ver fotos, a equipe criou uma página ‘secreta’, onde relatou todo o procedimento.
 
Segundo os responsáveis, Ramba e Guida foram enterradas em lugares que eram significativos para elas. Para isso, é necessário mover os corpos com tiras de elevação. A própria equipe que cava o túmulo e também coloca a terra sobre o corpo, o que, segundo eles, também é simbólico. “Há algo muito reconfortante em ter alguém que amou o elefante fazendo todo esse trabalho – todo movimento é feito com o máximo cuidado e respeito”, afirmam.

Local onde estão enterradas  

Ritual
 
Quando um elefante morre, a primeira preocupação da equipe é com os outros animais que permaneceram vivos, principalmente com os que eram mais próximos ao que faleceu. No caso de Ramba, sua amiga mais próxima era Rana. “Logo depois que percebemos que Ramba havia falecido, trouxemos Rana para ver sua amiga. Sem saber se ela sabia ou não, queríamos ter certeza de que ela sabia definitivamente e garantir que ela entendesse. Rana seguiu muito bem, mas quando ela chegou perto do riacho, ela parecia hesitante, o que nos fez pensar que havia uma chance que ela já sabia”, relatou a equipe.
 
Os funcionários, então, aguardaram o tempo necessário até que Rana percebesse e aceitasse a morte da amiga, mas também se preocupando com os limites determinados pela necessidade de realizar uma necropsia. Maia também visitou o corpo, mas Lady, a outra moradora, ainda não consegue andar longas distâncias.


Maia e Rana com Ramba  

O ritual continuou e, enquanto Rana ficou com Ramba, a equipe cavou seu túmulo. As tiras de elevação foram posicionadas no corpo, mas as amigas ainda ficaram juntas durante toda a noite. O corpo foi removido às 6 horas da manhã, e Rana saiu com facilidade. “Apenas como observação, nós tivemos um elefante no passado, no estado de Tennessee (EUA), que não estava pronto para ir, e as coisas foram adiadas, para grande aborrecimento de alguns envolvidos, mas é o que acontece”, lembra a equipe.
 
Com o corpo de Ramba já no túmulo, patologistas e agências estaduais realizaram a necropsia – o que é feito por de saúde e de segurança. Depois disso, ela foi coberta de terra. Enquanto a necropsia era realizada, Rana foi cuidada e recebeu feno, palmeiras, mangas e outras frutas cortadas junto com a água de coco de e a água comum de Ramba.

“Uma vez que ela [Ramba] está quase toda coberta, exceto o rosto, a equipe de atendimento chega e se despede, coloca flores, comidas favoritas e outras coisas na sepultura. Depois que ela é completamente coberta, feno, flores e outros alimentos são depositados em cima de seu túmulo para quem a visita, e assim Rana foi devolvida. Rana inicialmente foi até onde Ramba havia falecido, cheirando a área, mas depois foi até onde ela estava enterrada e ficou de pé sobre a amiga”, contam.

Os resultados da necropsia levam de 6 a 8 semanas para sair, e não há garantia de que haverá uma causa definitiva para a morte. Ainda segundo a equipe do Santuário, feno, palmeiras e outras guloseimas serão deixadas periodicamente nos túmulos de Ramba e de Guida. “Afinal, sabemos que suas irmãs vão parar e saborear um lanche enquanto visitam”, explicam.

Santuário

O Santuário de Elefantes Brasil foi criado pela publicitária Junia Machado. Sua preocupação com estes animais é antiga e, após muita pesquisa, em parceria com a ONG Elephant Voices e com o Santuário do Tenessee, ela encontrou a área para realizar seu sonho.
 
Sua implantação e funcionamento contam com apoio de duas instituições internacionais dedicadas a elefantes. A Global Sanctuary for Elephants (GSE) dá suporte à implantação de santuários e treinamento para tratadores. A ElephantVoices pesquisa comportamento de elefantes na natureza.
 
Toda a manutenção do projeto vem de doações e a colaboração pode ser feita de diversas maneiras e com qualquer valor.

4 comentários

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  • Curupira
    14 Jan 2020 às 13:24

    Nem todos os elefantes são da África, sabia??? Temos elefantes também na Ásia, e apesar disso, eles estão aqui, na América do Sul, já se perguntou porque???? Quantos aos animais silvestres do nosso país, se houver a redução do desmatamento, a abolição da caça e a extinção dos incêndios florestais, isso proporcionará um salto na preservação de nossos animais, entenda isso!!!!

  • Paolo
    14 Jan 2020 às 12:27

    Animal tem rosto?

  • TEDA
    14 Jan 2020 às 11:29

    ONÇA PINTADA JACARÉ , LOBO GUARA TAMANDUA BANDEIRA SERA QUE NÃO SERIA MELHOR CUIDAR DOS NOSSOS ANIMAIS, OU SERA QUE ALGUEM ESTA TENDO ALGUM BENEFICIO PRA CUIDAR DE ELEFANTES DA AFRICA

  • Zeca
    14 Jan 2020 às 10:58

    Cemitério o campo santo, nunca santuário!

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