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Quarta-feira, 28 de outubro de 2020

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Não é falta de Deus: depressão tem tratamento e cura; Veja onde conseguir atendimento social!

da Redação - Isabela Mercuri

19 Jan 2020 - 15:34

Foto: Olhar Conceito

Eduarda (esq.) e Laís (dir.)

Eduarda (esq.) e Laís (dir.)

Falta de Deus, falta de fé, falta de força de vontade. Quem já passou por um problema de saúde mental, com certeza já ouviu uma dessas justificativas de quem tentava ajudar. Mas não é nada disso. Depressão, ansiedade, bipolaridade e outros transtornos são doenças psíquicas, e assim como as doenças de qualquer outra parte do corpo, tem tratamento e cura. E o melhor: acessível até mesmo a quem tem baixa renda.

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Segundo as psicólogas Eduarda M. Figueiredo, 28, e Laís Bandeira, 33, que atendem no espaço Casa Jardim, é necessário acabar com o preconceito em relação aos tratamentos psicológicos e ter a consciência de quem são os profissionais corretos a cuidar da mente. “Para se ter uma ideia, hoje a maioria das medicações é receitada por não especialistas, como ginecologistas e dermatologistas. E o profissional que deveria receitar é o psiquiatra”, lamenta Eduarda, que é formada pela Univag e especialista em traumas, EMDR e brainspotting.

Laís, formada pela Unic, especialista em gestão de pessoas, área clínica, e terapia EMDR, afirma que, apesar de o número de pessoas com doenças como depressão e ansiedade ter aumentado, é benéfico que se fale sobre o assunto, e que se dê a atenção necessária. “Até então não se falava muito sobre questões emocionais, não havia esse cuidado com saúde, com emoções”, comenta.

Para a psicóloga, os novos tempos têm empurrado as pessoas cada vez mais para baixo, com cobranças excessivas, urgências nas respostas, comparações impossíveis propostas pelas mídias sociais. Como consequência, a população adoece e, além da depressão e ansiedade, desenvolve uma série de outras patologias de ordem emocional – como bipolaridade e esquisofrenia – que podem levar ao suicídio.  

A boa notícia é que um diagnóstico como este não é uma sentença de morte, e nem de sofrimento eterno. “As pessoas não tem só o desejo de morrer, o que se tem é o desejo de parar de sofrer, e eles acham que esse é uma via diante da desesperança. Mas é importante salientar que não se precisa esperar chegar nesse fundo do poço”, garante Laís.

O primeiro passo é procurar tratamento com as pessoas certas: psicólogos e psiquiatras. Além de médicos de outras especialidades receitando remédios psiquiátricos, outra tendência atual é da população procurar coaches, por exemplo, ou somente o CVV. “Não que o coach não funcione, mas não é tratamento, não é para nenhum tipo de transtorno”, explica Eduarda. “[E] o CVV é um manejo emergencial para a pessoa não cometer o suicídio, mas depois, o transtorno permanece na pessoa, e precisa ser tratado”.

Quando procurar ajuda

A psicologia é extremamente vasta, e existem diversas linhas com as quais o paciente pode se identificar mais ou menos. Segundo Laís, não é necessário se autodiagnosticar com depressão ou outro transtorno para procurar ajuda. “A terapia serve tanto para quem já tem uma doença emocional, quanto para quem tem um assunto com o qual se sente desconfortável. Por exemplo, uma decisão importante, um conflito familiar, um relacionamento que não está legal... este é o momento. Não precisa estar depressivo para procurar ajuda”. Agindo desta forma, a terapia pode se tornar até uma prevenção para que algo mais grave não aconteça.

Quem está por perto também pode ajudar, mostrando-se disponível. Quando um familiar ou amigo se torna estranho, distante, muito triste o tempo todo, deve-se saber o que falar. “Quando a gente fala ‘você precisa levantar daí e cuidar da sua vida’, esse é um jeito de falar que coloca a pessoa para baixo. Mas quando você oferece ajuda mostrando apoio é totalmente diferente”, garante Laís. Esta ajuda pode vir até mesmo com o agendamento de uma consulta com o profissional indicado.

Não é falta de Deus

Segundo as psicólogas, um grande número de cristãos tem chegado ao consultório, com o peso de se sentir menos crente por não conseguir a cura somente com a fé. No entanto, mesmo partindo de um pensamento bíblico, essa ideia não se sustenta.

“Partindo deste pressuposto cristão, Deus é tão maravilhoso que ele revelou ao mundo a ciência, criou os psicólogos, psiquiatras, médicos diversos para cuidar da gente. É tão idiota falar que isso é falta de Deus, que é como dizer para alguém que tem cárie, que se tem cárie por falta de Deus”, afirma Laís. “A fé sem obras é morta. E um jeito de a gente colocar em prática a fé é se movimentando em direção à cura. Se você quer cura para a sua vida, o ideal é buscar saúde, com uma série de hábitos: fazendo exercício físico, se alimentando bem, cuidando do que se escuta, dormindo bem, e cuidando da saúde emocional”.

Genética

Os transtornos emocionais são transmitidos geneticamente, mas isso, segundo as psicólogas, também não é uma sentença. “Existe o fator genético e também o fator ambiental e relacional”, garante Laís. “O ambiente em que a gente está pode ser uma chave importante. Mesmo que eu não tenha a predisposição genética, se eu vivo num ambiente mais tóxico, posso ser influenciado. Mas o inverso também é verdade! Mesmo que eu tenha uma predisposição genética, se eu desenvolvo dentro da minha rotina hábitos de saúde emocional eu posso prevenir e proporcionar à minha família também a possibilidade de ter saúde”.

O ideal, segundo as profissionais, é se atentar aos sinais e sempre procurar ajuda. “A gente não cuida dos nossos dentes? A gente não cuida do nosso cabelo? Tudo isso faz parte de nós, é autocuidado. As emoções não estão fora de nós, elas fazem parte de nós também, acontece tudo aqui dentro”, afirma Laís. “As emoções fazem parte de um órgão, assim como o estomago, um cérebro também é um órgão. Às vezes a gente se esquece disso. A gente fala muito em mente e fica subjetivo, mas não é. Cuidar das emoções é cuidar do cérebro”, completa Eduarda.

Levando isso em consideração, há uma saída. “A pessoa que sofre tem a sensação de que não vai passar, mas tudo que a gente trata, melhora. Aquela sensação ruim, aquela angústia, aquela vontade de morrer melhora, ela passa. E quando antes começar a tratar, mais fácil fica de conseguir a cura”, finalizam.

Serviço

Tratamentos psicológicos a preços simbólicos são desenvolvidos em:

Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) - (65) 3615-8492
Universidade de Cuiabá (Unic)
Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) - (65) 3688-6130
Faculdade de Cuiabá (Fauc)
Centros Integrados de Atenção Psicossocial (CAPS) - informações AQUI e AQUI
Centro de Ensino, Pesquisa, Diagnóstico e Intervenção Psicológica - (65) 3025-2025

Diversos psicólogos também oferecem alguns horários a preços simbólicos.

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