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Mercado de TV da América Latina é um dos que mais crescem no mundo, diz executivo da BBC

Agência Brasil

21 Ago 2013 - 18:00

A crise que afeta a economia global, principalmente os países mais desenvolvidos, não está atingindo na mesma intensidade o mercado latino-americano de produtos televisivos, que vem demonstrando crescimento nos últimos anos, resultado de políticas econômicas de redistribuição de renda. Os bons índices econômicos da região têm atraído a atenção da empresa de comunicação pública britânica BBC, que pretende aumentar os investimentos para melhorar a presença entre os latinos.

A avaliação é do presidente de Mercados Globais da BBC Worldwide, Paul Dempsey, que participou no Rio de Janeiro de uma apresentação dos produtos da empresa britânica, como parte do evento Showcase Latin America 2013. “Nós vamos investir mais no mercado latino-americano. Uma das nossas maiores ambições é levar nossos conteúdos aos lugares que mais crescem no mundo. E a América Latina certamente é uma das regiões de crescimento mais vibrante, com uma grande população, uma classe média emergente, uma prosperidade crescente e com apetite para o tipo de conteúdo que nós produzimos”, disse Dempsey.

O executivo reconheceu que a crise agravada a partir de 2008 provocou estragos nos mercados internacionais e forçou a empresa a se adequar à redução de orçamento, mas tomando o cuidado de não perder na qualidade de seus programas. Com 20 mil funcionários, a BBC tem disponível cerca de 50 mil horas de programação para serem comercializadas. “A BBC teve que se tornar mais eficiente nos últimos anos. A crise financeira global reduziu os fundos da empresa, mas nós temos tentado proteger a qualidade e a quantidade de serviços. Temos trabalhado duro para reduzir qualquer ineficiência, de forma que, embora os fundos não tenham crescido, a audiência não perceba isso, o que tem sido um grande desafio.”

O vice-presidente executivo e diretor-geral para América Latina e Mercado Hispânico dos Estados Unidos da BBC, Fred Medina, reafirmou a intenção do grupo em aumentar sua presença na região. “É mais do que uma preocupação. É um compromisso. Embora nos mercados maduros, como Europa e Reino Unido, o crescimento tenha diminuído entre 1% e 2% [por causa da crise econômica global], na América Latina o crescimento continua. A classe média está consumindo e quer televisão paga, música, filmes, educação, viagens. Esta área do mundo tem uma estabilidade que não existe em outras partes”, ressaltou Medina.

De acordo com ele, a BBC é o quinto produtor de conteúdos no mundo, atrás apenas da Sony, Warner, Fox e Disney, em número de horas de produção por ano. Os principais gêneros são drama, documentários de religião, comédia e produções sobre ciência e história natural, música, crianças e comportamento.

Um dos gêneros mais destacados da empresa britânica é o de documentários sobre natureza. Para 2014, a BBC estreará a série Wild Brazil, resultado de três anos de filmagem no país, ao custo aproximado de R$ 7,5 milhões. A produtora da série, Lucinda Axelsson, disse que o objetivo é retratar os bichos e a natureza do país fora da região amazônica, o que resultará em três episódios, de uma hora cada, de um total de 700 horas gravadas.

“Nos concentramos em três espécies de animais brasileiros, a lontra, o quati e o macaco-capuchinho. Seguindo essas famílias, nós aprendemos sobre o Brasil e o meio ambiente do país, incluindo as enchentes, os incêndios e as mudanças de estação”, contou Lucinda, que é responsável por uma equipe de dez pessoas.

Formada em antropologia, Lucinda trabalha há 25 anos em televisão, sendo dez anos voltados para o mundo selvagem. Wild Brazil será a maior produção já feita pela BBC sobre a natureza brasileira. Um dos maiores desafios da equipe foi conseguir gravar uma onça, no Pantanal.

“Nós nunca havíamos filmado uma onça. Eu disse que a equipe tinha seis semanas para gravar o animal. Depois de seis semanas e 60 mil libras [R$ 225 mil], não tínhamos encontrado nenhuma onça. Aí eu dei só mais uma semana e finalmente conseguimos encontrar o animal. Ficamos gravando mais duas semanas e foi ótimo. Nós viajamos 10 mil milhas [16 mil quilômetros], mas valeu a pena”, relatou. Além do Pantanal, a equipe filmou no Piauí e na Serra da Canastra.
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