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Quinta-feira, 02 de julho de 2020

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Sem carne nem sabão disponíveis no supermercado, brasileira que vive na Hungria enfrenta quarentena com 4 filhos pequenos

Da Redação - Isabela Mercuri

18 Mar 2020 - 11:10

Foto: Arquivo Pessoal

Tatiane (detalhe) e a prateleira vazia do supermercado

Tatiane (detalhe) e a prateleira vazia do supermercado

Com apenas 58 casos do novo Coronavírus (COVID-19), uma morte e duas pessoas recuperadas (dados da John Hopkins), a Hungria, país do leste europeu, já tomou todas as medidas emergenciais para proteger a população. A brasileira Tatiane Quitério, 40, que nasceu em São Paulo, mas morou muitos anos em Cuiabá, está em ‘quarentena’ com seus quatro filhos, de 3, 5, 8 e 10 anos de idade, na cidade de Budapeste. O marido segue trabalhando com treinamentos, mas a rotina da família está totalmente mudada. Na última semana, inclusive, não conseguiram encontrar carne, sabonete, farinha ou açúcar no supermercado.

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“Aqui nós não temos muitos casos, mas o governo tem uma preocupação muito grande, principalmente com as crianças”, contou a Olhar Conceito. “Há duas semanas eles tiveram uma reunião incluindo vários outros países para decidir em coletivo o que deveria ser feito. Os países que tivessem mais casos seriam mais rígidos, e os outros tomariam precauções mais básicas”. Segundo Tatiane, mesmo antes do decreto oficial do governo – que veio há três dias – as próprias escolas já pediram aos pais que, se pudessem, não levassem mais seus filhos para as aulas.

Mãe “full time”, como se denomina, Tatiane já era acostumada a passar o dia cuidando das crianças. Com eles dentro de casa, no entanto, a rotina é totalmente diferente. O que ajuda é o suporte da escola. “Até os kindergardens [pré-escola] estão mandando as atividades online pra gente, ideias do que fazer, de recortar papel, pintura, artesanato, essas coisas. E os mais velhos, que estão na segunda e quarta série, já iniciaram as aulas online”, conta. “De manhã a professora manda as atividades do dia, uma tarefa, texto, leitura, interpretação... A carolina [de 10 anos], que já está na 5ª série, faz a tarefa e manda pra professora. O Joaquim, que é menor, faz matemática, leitura, interpretação de texto, essas coisas”.

Filhos fazem atividades da escola e também as que a mãe propõe (Foto: Arquivo Pessoal)

As atividades são enviadas para os professores, que guardam um arquivo dos alunos, tudo para minimizar o que terá que ser reposto nas férias. Já na próxima segunda-feira, começarão as aulas via videoconferência. “A professora vai estar lá numa sala falando e eles vão estar todos conectados e tendo duas horas de manhã e uma a tarde. Porque aqui as escolas são das 7h45 até as 16h, esse é o horário escolar, então eles vão dividir esse tempo com as atividades e tarefas”.

Estocando tudo

Desde o início dos rumores sobre o coronavírus na Europa, há cerca de três semanas, a família de Tatiane começou a estocar alguns alimentos. Na semana passada, já não encontrou mais carne nas prateleiras. “No sábado de manhã eu fui num hipermercado que tem do lado da minha casa, que é gigante - vende até carro lá dentro - e não tinha carne, não tinha produtos de limpeza, não tinha luvas de limpeza, não tinha sabonete. Agora meu marido acabou de chegar do mercado e disse que tem tudo, está normal, só não tem carne e sabonete de mão de nenhum tipo, porque realmente as pessoas levaram a sério, se alguma coisa realmente for acontecer as pessoas estão preparadas”.

Para a brasileira, uma questão muito importante neste tempo de quarentena será cuidar da saúde mental, tanto dos adultos, quanto das crianças. “Eu tenho o privilegio de ser uma mãe que fica em casa, então eu já sei [o que fazer]. A gente faz bolo, a gente pinta, hoje coloquei eles pra pintar vasos no jardim, eles estavam semeando sementes para fazer a horta, essas coisas. Mas tem os pais que estão em casa e tem que continuar trabalhando já fica mais difícil manter uma linha de atividades e tal, e manter as crianças ocupadas”, lamenta.

Como solução para manter a sanidade mental, ela aconselha, primeiro, a ficar longe das mídias sociais. “Essas coisas que têm Fake News, tem fofoca, tem discussão. É um estresse a menos pra você. E leia as fontes seguras das embaixadas, do Ministério da Saúde e do Governo. Outra coisa também é as crianças. Elas têm que estar cientes do que é o vírus, o que pode causar, e a obrigação deles que é somente lavar as mãos muitas vezes, o tempo inteiro. E o resto eles não tem que saber”.

Para poupar seus quatro filhos, por exemplo, ela restringe o acesso à internet, e só conversa com o marido sobre o assunto quanto os dois estão sozinhos. Como ele ainda está trabalhando, as crianças também tem uma nova regra de só abraçar o pai depois que ele tomar banho e tirar a roupa que estava usando na rua. “É um trabalho realmente conjunto em parceria com os pais, a escola, o vizinho, todo mundo está tentando tirar o melhor disso pra que ninguém enlouqueça, porque ficar em casa nessa situação é complicado”, lamenta.

A Hungria fechou as fronteiras e, agora, somente os húngaros conseguem entrar no país, como medida de segurança.

4 comentários

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  • Paolo
    18 Mar 2020 às 21:49

    E o KIKO??

  • San
    18 Mar 2020 às 17:00

    Tem muita gente que vai pras "zeuropas" da vida e ficam tirando selfie de tudo e minimizando, zombando, esculhambando o Brasil... aí acontece uma pandemia dessa quer vir correndo pra cá infectado... .. tá aí chegou aqui o troço! (Obs: esse comentário não tem relação ao caso da mulher e seus 4 filhos que moram na Hungria)

  • Margot Menezes
    18 Mar 2020 às 12:25

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  • Chico Bento
    18 Mar 2020 às 11:34

    A população da Hungria é de menos de 10 milhões de habitantes. Fácil de combater o desabastecimentos. Além disso a sua população é bem educada, para enfrentar a escassez. Agora no Brasil, com 210 milhões e um dos povos mais mal educados do mundo, sei não heim?

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