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Segunda-feira, 19 de outubro de 2020

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“Infelizmente aqui o governo demorou para agir, o que causou pânico”, conta cuiabano que vive em Londres

Da Redação - Isabela Mercuri

19 Mar 2020 - 09:47

Foto: Arquivo Pessoal

Carlos é advogado e continua indo ao escritório

Carlos é advogado e continua indo ao escritório

Somente o Reino Unido tem mais de 2644 casos do novo coronavírus – número desta quinta-feira (19). A capital da Inglaterra, Londres, é uma das mais atingidas. No entanto, mesmo assim, foi somente há uma semana que o cuiabano Carlos Tiago Fortunato, 36, que vive lá há dez anos e é advogado, percebeu o início de uma preocupação maior da população e do governo. Até hoje, ele segue trabalhando no escritório, mas evita os horários de pico do metrô, enquanto sua família está em quarentena dentro de casa.

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“Eu moro no leste de Londres, e na minha região já tem mais de 30 casos, e só em Londres já tem mais de 470 casos. Mas esses dados atualizam todos os dias, então não da para afirmar quantos tem com certeza. Eu tenho três filhos, meus filhos não estão indo na escola, estão em casa em quarentena junto com a minha esposa... e por mais que o governo não suspendeu as aulas, as administrações locais deixaram a decisão para os pais, e nossa decisão foi não levar as crianças para a escola como precaução”, contou ao Olhar Conceito.

Carlos mudou-se para Londres há dez anos em busca de mais estabilidade. Hoje, é cidadão britânico, e conta que não pensou em voltar para o Brasil quando a pandemia começou a se alastrar pela Europa. “Mas tenho muitos clientes que estão voltando para o Brasil e outros que estão pensando em voltar, além das conversas que a gente tem dentro da comunidade brasileira”, afirma.

“Nós acreditamos que estamos no mesmo barco, tanto nós que estamos na Europa, na Inglaterra, como nossos parentes que estão no Brasil. O que nós pedimos é que tomem as medidas cabíveis para precaver e não espalhar o vírus. Nós sabemos que na Europa em comparação ao Brasil tem um sistema de saúde bem mais avançado, mas não penso que é o suficiente. Essa é uma pandemia que está pegando vários países de surpresa, então acreditamos que estando no Brasil ou aqui na Inglaterra a preocupação é a mesma. Nós temos a preocupação de não perder nossos entes queridos”, lamenta. “Infelizmente aqui o governo demorou para agir, o que causou um pânico na população... mas agora o governo já está tomando as medidas necessárias. Entretanto, a população, pelo menos aqui na Inglaterra, não sabe o que fazer muito bem devido a esse atraso do pronunciamento do governo, e o que nós desejamos é que no Brasil as pessoas comecem a agir logo, porque é muito sério esse vírus”.

Supermercados

Supermercado em Londres (Foto: Arquivo Pessoal)

Desde o último dia seis de dezembro, o sobrinho de Carlos, Lucas de Carvalho, decidiu também ir para a Inglaterra – sem saber o que estava por vir. Segundo ele, apesar dos pronunciamentos do governo e do alto número de casos, pubs, restaurantes e o transporte público continuam funcionando normalmente.

Nos supermercados, a situação é um pouco diferente. Pela manhã, é possível encontrar produtos. Mas à tarde, eles já somem das prateleiras. “Fui fazer compra essa semana e não tinha arroz, macarrão, atum, peito de frango, ovos... Eles colocam todos os dias, mas está esgotando rápido. Papel higiênico não tem, e eu não entendo qual a relação do papel higiênico com o vírus, mas não tem mais, vários produtos de limpeza”, conta.

Lucas pensou em desistir e voltar para casa, visto que ainda não tem emprego fixo na Inglaterra, mas teve que deixar este plano para trás quando as fronteiras se fecharam. “O vírus não vai matar todo mundo, não é um apocalipse, mas ele vai afetar a economia, vai afetar o modo de vida das pessoas, e o que o governo tem que fazer é minimizar esse dano o máximo possível, porque o dano será causado, isso é inevitável, mas podem existir medidas que podem minimizar os danos e tentar ajudar a população ao máximo nesse período de dificuldade, e é isso que eu espero para o Brasil, e também espero daqui”, finaliza.

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