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Domingo, 25 de outubro de 2020

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De Berlim, brasileira faz todas as compras online para que a mãe não saia de casa em Cuiabá

Da Redação - Isabela Mercuri

20 Mar 2020 - 11:00

Foto: Arquivo Pessoal

Izis

Izis

Quinto país com mais casos confirmados do novo coronavírus no mundo, a Alemanha tem, nesta sexta-feira (20), 16.290 pessoas infectadas, 44 mortes e 115 recuperados (dados da Johns Hopkins University & Medicine). Enquanto tenta se prevenir em Berlim, a cuiabana Izis Filipaldi, 39, conta que não entrou em pânico, mas faz o possível para cuidar de si e de sua família, mesmo que de longe. Para sua mãe, que mora em Cuiabá, por exemplo, ela faz todas as compra pela internet, de farmácia a supermercado, e manda entregar na porta de sua casa.

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Em Berlim, segundo Izis, as coisas começaram a mudar há cerca de três semanas, quando algumas pessoas passaram a ter o chamado ‘panic buying’, e ir aos supermercados buscar produtos para estocar. A cuiabana é engenheira da computação e trabalha para um banco. Há uma semana e meia, está se adequando ao home office.

Ela, inclusive, chegou a pensar em voltar para o Brasil quando o vírus começou a se alastrar. “Foi oficializado o home office na sexta a noite, mas fui olhar meu seguro saúde e ele só vale dentro da união europeia. E eu olhei no meu seguro de viagem, e ele não cobre pandemia. Muitas pessoas não sabem disso. Então se eu for e depender do SUS, eu não consigo receber o pagamento do meu salário, se eu ficar doente no Brasil. Eu vou ser atendida pelo SUS, mas não teria cobertura de salário”, conta.

A solução, então, foi cuidar dos familiares à distância. “A gente não tem controle nem aqui... e eu acho que pandemia é uma situação que nenhum país vai ter controle mesmo. Mas o que eu faço com a minha mãe: eu comprei algumas vitaminas essenciais pra ela e eu falei pra ela não sair de casa, porque eu vou comprar todos os remédios e a comida que ela precisa pela internet e mando entregar lá”.

Izis vive sozinha, e tenta manter uma rotina saudável para atravessar este momento de crise. “Eu saio de manhã cedo pra correr, porque se não meu corpo fica balançado. Acho que o mais importante agora, além de seguir as recomendações da Organização Mundial de Saúde, é a gente cuidar da nossa mente e corpo. O que eu posso dizer pra você: eu não tive panic buying, mas comprei vitaminas, suprimentos minerais e alimentação [saudável]. Comprei mais gengibre, fígado, que tem complexo B... eu mudei minha dieta pra fortalecer meu sistema imunológico”.

Quando vai fazer sua atividade física, a cuiabana consegue perceber a dimensão que tudo tomou. No último domingo, saiu e não viu quase ninguém na rua o que, segundo ela, mostra que as pessoas estão tomando consciência. Idosos que estão acostumados a caminhar para tomar banho de sol agora o fazem da sacada. (Foto à esquerda: ônibus fechado durante quarentena)

“Eu espero muito que as pessoas entendam que isso é muito sério. A gente tem cálculos matemáticos seríssimos, de cientistas renomados, de que está confirmado que a gente tem que evitar sair para reduzir a curva exponencial, pra gente chegar no ponto de inflexão. A gente está numa escalada logarítmica do vírus, e quanto menos a gente se colocar em contato com as pessoas, mais rápido a gente vai atingir o ponto de inflexão dessa curva e vai diminuir o potencial do vírus se espalhar”, declara.

Para se cuidar, ainda, ela vai ao mercado bem cedo - quando está mais vazio e ainda tem quase todos os produtos - e tenta passar o menos tempo possível para fazer suas compras. A prevenção é a melhor forma de lidar com o vírus que, segundo a chanceler alemã Angela Merkel, é o "maior desafio desde a Segunda Guerra Mundial".

Apesar de tudo, Izis tenta manter a calma. “Depois que a Merkel disse que provavelmente 70% da populacao pode contrair o coronavírus eu fiquei mais conformada, pois  achei isso muito honesto da parte dela. Ela se expôs a isso”, finaliza.

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