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Domingo, 25 de outubro de 2020

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Brasileira na República Tcheca: proibida de sair sem máscara e sem álcool gel há dois meses

Da Redação - Isabela Mercuri

23 Mar 2020 - 09:46

Foto: Reuters

Brasileira na República Tcheca: proibida de sair sem máscara e sem álcool gel há dois meses
Com apenas 1165 casos do novo coronavírus (COVID-19) confirmados, a República Tcheca adotou medidas drásticas para evitar a propagação. Patrícia Regina Mrkvička, 39, professora de inglês que vive na cidade de Mlada Boleslav, a 50 km de Praga, conta que a população está proibida de sair na rua sem máscaras, e que ela já não encontra álcool em gel para comprar há dois meses. Além disso, as fronteiras estão fechadas e os tchecos que precisam voltar são todos testados.

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Patrícia mora na Europa há mais de dez anos. Decidiu quando conheceu seu atual marido durante um intercâmbio. Hoje tem dois filhos, um de cinco e um de dois anos de idade. Segundo ela, o primeiro caso foi confirmado no país há cerca de três semanas e, desde então, o governo tem tomado medidas drásticas.
 
“Na primeira semana o governo tcheco determinou o fechamento das escolas, universidades, cinemas, teatros, vários ambientes públicos, porque acredita que o isolamento vai achatar a curva de infecção”, disse ao Olhar Conceito. “Com 74 casos eles decidiram tomar essa atitude, e mesmo assim os números foram subindo. Na segunda semana, fecharam os shoppings centers, restaurantes, e só ficou farmácia e supermercado abertos”. Hoje, o Brasil tem mais casos que a República Tcheca, com 1.619.
 
No país onde Patrícia vive hoje, aconteceu apenas uma morte. No Brasil, já foram 25. “Está sendo controlado. Essa semana, a partir do último sábado, saiu um decreto que nós não podemos sair na rua sem a máscara, sem o respirador. Nós temos que usar a mascara, e eu só estou indo pro supermercado e farmácia, estou estocando bastante comida em casa porque eu não quero ficar circulando. É o único lugar que eu vou uma vez por semana, no máximo. Ontem em Praga mil pessoas foram multadas porque não estavam usando a máscara”, conta. Quem não consegue comprar as máscaras, está fazendo em casa, com tecido.
 
O marido de Patricia, que é engenheiro industrial em uma empresa que presta serviços à Škoda, montadora de carros, está trabalhando dois dias de casa, e nos outros ele vai a um escritório próprio, onde fica sozinho. A montadora em si, que emprega 30 mil pessoas, está fechada temporariamente.
 
Desde que o surto começou a ficar sério na Itália, o povo checo já começou a se precaver, conta Patricia e, por isso, há dois meses ela já não encontra álcool em gel para comprar. Como alternativa, usa desinfetantes ou vinagre para higienização das mesas.
 
França

Fatima e a filha (Foto: Arquivo Pessoal) 

Em situação ainda mais complicada, a França tem 16.720 casos confirmados e 676 mortos. A catarinense Fatima Pavesi Becker, 37, mudou-se para a região da Bretanha, na França, há dois meses, vindo da Hungria, e nem imaginava o que estava por vir.

“Há cerca de três meses, quando estávamos preparando pra mudar pra França, eu estava olhando as notícias da China e me preocupei pois nossa conexão era Budapeste/Paris/Rennes. Então fui atrás de máscara e álcool em gel e naquela semana em Budapeste era férias das universidades de medicina, e então já não tinha mais máscaras. Ali senti um certo medo tomando conta das pessoas”, contou ao Olhar Conceito.
 
Ela, que é analista comercial, mora com o esposo e com a filha de quatro anos, e está de quarentena dentro de casa. Com tudo o que acontece, sente vontade de voltar ao Brasil. “Na real, desde que mudamos pra Budapeste temos muita saudade de nossa cidade, de nossos amigos e familiares, nossa cultura, nossa comida. E agora nesta fase dá mais certeza que iremos voltar e logo que pudermos. Mas, agora temos que passar esta fase aqui e superar tudo com saúde”, lamenta.  
 
Em relação aos parentes que ficaram no Brasil, ela alerta: “Ainda não caiu a ficha da guerra que estamos vivendo. Tenho amigos que me mandam mensagem perguntando se é real isso tudo que passa na TV. Eu respondo que é sim, é até pior, pois não contam a toda a verdade”, finaliza.

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