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Quarta-feira, 15 de julho de 2020

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Confeiteiros apontam queda de 60% na venda de ovos de Páscoa e apostam em delivery

Da Redação - Isabela Mercuri

01 Abr 2020 - 15:14

Foto: Arquivo Pessoal

Ovo de Páscoa de Paulo Berne

Ovo de Páscoa de Paulo Berne

Para quem trabalha com doces, bolos e confeitos, a Páscoa é normalmente a melhor época do ano para fazer vendas. Não em 2020. Com a pandemia de um vírus desconhecido, a compra de ovos de chocolate ficou em segundo plano para muita gente e, em Cuiabá, pequenos empreendedores já começaram a sentir a queda de até 60% em relação a anos anteriores. A alternativa é inovar em sabores diferentes, preços convidativos e, o principal: delivery para que ninguém tenha que sair de casa.

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Kelle Cristina, por exemplo, está à frente do ‘Cuiabaneria’ há cerca de um ano, mas trabalha com confeitaria há muito mais tempo. Desde janeiro deste ano, começou a comprar matéria prima para seus ovos de Páscoa. “Assim que comecei  a divulgar a Páscoa fiz vários orçamentos, que depois do coronavírus não viraram encomendas. Na Cuiabaneria esse era um índice bem baixo”, lamentou ao Olhar Conceito. 

Kelle Cristina (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto) 

















Ovos 'delícia de morangos' e palha italiana de maracujá (Fotos: Cuiabaneria)

Antes da pandemia, ela não fazia entregas, e precisou da ajuda de uma amiga e do irmão para se adaptar à nova realidade. “Estou terminando de incluir, de última hora, opções menores e mais em conta. A pandemia não afetou somente o período mais lucrativo da confeitaria, como a sobrevivência dessas mulheres que vivem informalmente... na Cuiabaneria temos kit mini festa, para 3 a 5 pessoas. Sobremesas como palhas italianas e brownies, além de bolos caseirinhos”, conta.
 
A jornalista Laura Meireles, que começou a fazer brownies depois de ficar desempregada, também sentiu a diferença. Sua criação, os ‘ovos de brownie’, fizeram sucesso em 2019, mas neste ano as vendas caíram 60%.

Ovo de brownie (Foto: Laura Meireles) 

“Eu já estou pensando na Páscoa desde janeiro. Desde o início do ano tenho estudado novos recheios e fazendo testes de combinações”, conta. O que a tem salvado é o feedback positivo dos clientes, que ela publica para encorajar novas vendas.
 
Outra aposta é em estender a Páscoa para depois do dia 12 de abril. “Vou estocar parte dos materiais específicos com o tema (caixa de ovos, por exemplo) e continuar a produção mesmo depois do domingo de Páscoa”, garante.
 
A entrega, Laura só fará em último caso, para que tenha mais tempo para preparar as encomendas. Os preços, infelizmente, ela teve que alterar. Temos apenas um tamanho de ovo, cerca de 400g. Infelizmente o preço da matéria-prima sofreu reajuste e eu tive que repassar ao consumidor parte deste aumento. Em relação ao ano passado, a minha margem de lucro será menor, mas o que eu desejo é mostrar a qualidade do meu produto e fidelizar meus clientes para que eles sempre peçam ovos de brownie e brownies em momentos especiais”, completa.
 
Paulo de Tarso Berne Junior, 26, ia viver sua primeira Páscoa desde que decidiu, há um ano, se aventurar pelo mundo da confeitaria. O planejamento também vem desde janeiro, com cursos e estudos, e a compra dos materiais, ingredientes e embalagens começou em março. “A expectativa era maior antes da pandemia. Também houve queda em relação a outros produtos não relacionados à Páscoa”, lamenta.
 
No entanto, as medidas para minimizar os prejuízos foram tomadas com antecedência. “Estoquei uma grande quantidade de ingredientes para não precisar ficar saindo de casa, passei a ter cuidado redobrado com a higiene e substituí os produtos tradicionais por alternativas menores. Já para a Páscoa continuei com o mesmo planejamento de antes, mas agora oferecendo também a opção de entrega dos ovos para as pessoas que preferem ficar em casa. No restante, segui com a divulgação como planejado e continuo acreditando que o investimento vai valer a pena”, completa.

A confeiteira Julia Góes, que preparava sua segunda Páscoa, chegou a pensar em desistir – mesmo tendo comprado embalagens e utensílios para a ocasião desde fevereiro. Foi o incentivo dos clientes que lhe deu forças para continuar, mesmo com a perspectiva de uma queda de 40% nas vendas.
 
Como solução, ela também investiu em entregas (via iFood) e decidiu incentivar que as pessoas deem ovos de presente. “Incentivo que, mesmo com a distância, esses momentos de demonstração de carinho ocorram e as pessoas que possam alegrar umas as outros, com momentos mais doces, mesmo com a distância física, enviando presentes”, completa.

Ovo da Bajú Confeitaria (Foto: Arquivo Pessoal)
 
Julia também criou opções a mais de tamanhos, como ovos recheados, de colher, mini ovos e barras recheadas. “Acredito que a maior variedade de formatos e preços vai sim ajudar nesse período”.

Serviço

Cuiabaneria
(65) 99348-8879
INSTRAGRAM

Laura Meireles
(65) 99686 4186 
INSTAGRAM

Paulo Berne
(65) 99200-1201
INSTAGRAM

Bajú Confeitaria
(65) 98117-3244
INSTAGRAM

1 comentário

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  • Dudu Mendes
    01 Abr 2020 às 15:49

    Bem feito à esses empresários. Coronavirus está ensinando lição aos coxinhas.

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