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Quarta-feira, 23 de setembro de 2020

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Sombras ganham vida no festival de bonecos com o grupo japonês Kakashi-za

Da Redação - Stéfanie Medeiros

28 Ago 2013 - 15:01

Foto: Stéfanie Medeiros

Sombras ganham vida no festival de bonecos com o grupo japonês Kakashi-za
A fila na porta do Cine Teatro Cuiabá ia até o final do quarteirão. Faltava meia hora para o espetáculo “Sombras de mão”, do grupo japonês Kakashi-za, começar, mas os assentos da platéia estavam todos ocupados. A fila era de pessoas que ainda não haviam pegado o ingresso e tentavam a sorte de um lugar de última hora.

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Mas para aqueles que conseguiram entrar, a espera valeu a pena. Três campainhas e as luzes se apagaram. O burburinho de pessoas conversando parou. E no palco, o mascote do Sesi Bonecos do mundo e um bobo da corte em pernas de pau explicavam para as crianças e adultos o que é o festival e suas propostas.

“Liberdade aos bonecos!”, exclamava a mascote. De pelúcia amarela e cabelos rosa, o Sesi boneco parecia ter vida própria, inclusive tirando sarro de seu “bonequeiro”. “A visão daqui de cima é Dantesca”, dizia ele, referindo-se à careca da pessoa que lhe dá vida. Ressaltou ainda que quem fazia todo o trabalho era ele, mas quem recebia o salário “é essa criatura que fica aqui embaixo, tentando disfarçar sua existência com essa barraquinha preta”.



A plateia, já completamente envolvida pelas piadas do bobo da corte e do Sesi boneco, aplaudia e ria. E então, Mr. Shadows (“Sr. Sombra”), também conhecido como Seiki Ishii, 42 anos, entrou no palco junto com Natsumi Sakuramoto, 27, Manaka Ichinose, 34, e Kayo Kykumoto, 28. E começou o teatro de sombras de mão.

DAS SOMBRAS COMO LINGUAGEM UNIVERSAL

Em um português difícil de entender, o grupo anunciava e explicava cada história antes de começar a executá-la. Usando as mãos, a cabeça, o braço e de sons próprios, os quatro artistas das sombras deram vida a histórias
clássicas, como “O patinho feio”, de Hans Christian Andersen, e a cenas da cidade, da selva, da floresta, bem como a contos próprios, da viagem do pingüim Pen-to e sua namorada Pen-ka e dos gorilas apaixonados.



“Nós escolhemos as histórias que podem nos dar mais possibilidades de incluir uma quantidade maior de personagens”, explicou Seiki. Segundo ele, clássicos como “O patinho feio” entram no repertório pela facilidade de se incorporar os cisnes, mas também pela riqueza que estes pássaros trazem ao visual do espetáculo.

O grupo ainda convidou a platéia a conhecer um pouco da cultura japonesa, apresentando o chá da tarde em uma sala tradicional e canções para crianças.

“É um show de sombras, mas nós queremos que o público sinta o que os personagens da história sentem”, explicou a produtora do grupo, Satomi Shimizu, enquanto traduzia o japonês de Seiki, Natsumi, Manaka e Kayo Kykumoto.



E este era o principal ponto do espetáculo: apesar de o grupo Kakashi-za e a platéia não falarem a mesma língua e serem de países diferentes, todos se entendiam na linguagem universal do teatro de sombras.

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