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Rondonopolitana cria selo literário para dar espaço a autores negros em Mato Grosso

Da Redação - José Lucas Salvani

14 Dez 2020 - 10:41

Foto: Reprodução

Rondonopolitana cria selo literário para dar espaço a autores negros em Mato Grosso
A rondonopolitana Abayomi Jamila, de 26 anos, criou uma selo literário para dar espaço a autores negros, pessoas LGBTQIA+ e mulheres no estado de Mato Grosso. Itan teve a primeira edição de sua revista literária divulgada no final de novembro e Abayomi contou ao Olhar Conceito sobre os bastidores da produção, como também sobre a criação do selo e as dificuldades de trabalhar sem apoio financeiro de terceiros.

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​"Eu vejo no selo literário uma grande possibilidade de criação de novas narrativas sobre as experiências de nosso território. Eu acho que é um modo de reescrever a história de nosso estado de alguma maneira. Existe algum silenciamento que a gente tem aqui relacionados a nossa condição. É muito pouco falado e silenciado", explica.

Parte da motivação em criar o selo Itan se deu pelo fato de não encontrar qualquer identificação nos livros que consumia. As obras literárias possuem referências a ruas, bairros, cidades, lugares em geral que pouco conversam com o regionalismo mato-grossense. A situação se complica principalmente por ser uma mulher negra, dificultando ainda mais encontrar alguma identificação nos personagens que protagonizam os livros que já leu.

“Existe uma invisibilidade, inclusive regional, em relação ao que é produzido em nosso estado. Pensando na minha experiência, enquanto pessoa que cresceu no estado de Mato Grosso, que tem toda experiência territorial e afetiva nesse espaço, eu gostaria muito de me encontrar nos textos que eu lia. Na literatura que estava ao meu alcance quase não encontrava isso”.

O selo Itan vem sendo idealizado desde meados de maio. Tudo começou com uma publicação no Twitter, quando expôs o quão bacana seria caso existisse um selo mato-grossense que pudesse dar espaço as pessoas LGBTQIA+, negros e mulhres. Ela então chamou Beatriz Passos, do Coletivo Mato-grossense de Jornalismo Independente (Com_Texto), perguntou se tinha interesse sobre a materialização do projeto e foi surpreendida pela própria Beatriz, que disse que já planejava conversar com ela sobre o selo.

No total, 14 autores foram selecionados para participar da primeira edição da revista literária. Cada autor contribuiu com um texto literário. As páginas são compostas por uma breve apresentação sobre o autor, seguido de seu texto. Colaboraram para esta edição: Adham Dantas, Allie Barbosa, Guto, Julia Portella, Jacinaila Ferreira, Luana Soares, Lupita Amorim, Maria Clara Bertúlio, Matheus Soares, Pacha Ana, Rodolfo Dume, Tayná Meirelles, Verônica de Oliveira e Wesley Rocha.

“O meu desejo sempre foi criar um espaço auto-referenciado para a publicação de pessoas negras no estado de Mato Grosso. Se você olhar nossa revista, ela não tem um formato específico, no sentido do que é colocado. Existem vários formatos de texto porque a nossa preocupação preliminarmente era que as pessoas encontrassem nesse espaço uma afirmação de sua própria escrita”, conta.

O selo Itan foi criado em meio a pandemia do novo coronavírus. Sem financiamento, o projeto sofreu algumas dificuldades ao longo do caminho, como o fato da entrega atrasar porque as pessoas envolvidas possuem outros trabalhos, impossibilitando que pudessem focar na edição. Apesar das dificuldades, Abayomi acredita que o fato de não ter que responder a um patrocinador possibilitou para que os envolvidos tivessem mais liberdade e autonomia.

“Não teve um real empregado nesse projeto. Todas as pessoas trabalharam de forma voluntária porque acreditaram de fato na ideia da proposta e se sentiram afetadas. Muitas das pessoas tem uma relação profunda com a escrita e com a literatura. Essas coisas que mexem com nossos aspectos acabam nos mobilizando”, conta.

A primeira edição da revista literária Itan pode ser conferida aqui. Para seguir o selo Itan nas redes sociais, basta clicar aqui.

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