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Superstições e lendas cuiabanas: sexta-feira 13 é marcada pelo místico há séculos

Da Redação - José Lucas Salvani

13 Ago 2021 - 15:00

Foto: Grupo Tibanaré

Encenação do Grupo Tibanaré em Cuiabá

Encenação do Grupo Tibanaré em Cuiabá

Não passar debaixo da escada. Abrir guarda-chuva dentro de casa. Quebrar o espelho. Essas são algumas das superstições mais tradicionais entre os brasileiros que evitam ao máximo realizar tais ações ao longo do ano, principalmente na sexta-feira 13, enquanto outros agem com ceticismo e não se importam. Em 2021, a data acontece apenas uma vez, em agosto.

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É quase impossível determinar como a sexta-feira 13 ganhou a fama de trazer azar, mas há quem diga ter vindo da época de Cristo. Charles Panati, do livro "Extraordinary Origins of Everyday Things", explica que a associação acontece por conta do número de pessoas na Última Ceia, Jesus e seus 12 apóstolos, e pelo fato de ter sido realizada um dia antes da crucificação do Salvador, em uma sexta-feira.

A cultura pop também contribuiu para que a data ganhasse uma atmosfera sombria. “Sexta-Feira 13”, lançado em 1980, traz a icônica história de Jason, por exemplo, um assassino usando uma máscara de hockey e um facão. O sucesso foi tamanho que a produção se tornou uma franquia com 12 filmes e um videogame online que coloca o jogador na pele do assassino.

Devido a fama de trazer má sorte, alguns costumes se tornam "proibidos" de serem realizados na data, para evitar mais problemas. Quem acredita, evita passar por debaixo de escadas, não abrir guarda-chuva dentro de locais fechados, não servir refeição para 13 pessoas (em referência a Última Ceia) ou não deixar que varram seus pés.

Lendas urbanas

As lendas urbanas também ganham força na data. Na capital mato-grossense, as mais famosas são: procissão das almas, minhocão do pari, negrinho d’água e noiva de branco. Historiador e pesquisador, Moisés Mendes Martins Júnior conta algumas dessas lendas no livro “Revendo e Reciclando a Cultura Cuiabana”.

“O ‘Minhocão do Pari’ diziam que era uma cobra com cabeça grande, que lançava os canoeiros na beira do rio e afundava”, exemplifica o historiador ao Olhar Conceito.  Apesar de ser uma lenda, Moisés conta que existiam algumas características reais, que podem ter influenciado para o nascimento da história.

“No pari mesmo tinha uma coisa que era real. No fundo do rio tinha uma espécie de enxofre, que quando a lua aparecia, a luz da lua batia naquela substância química que tinha lá no fundo e subia borbulhando até o nível da água”. Além disso, o fator do amedrontamento também teve influência: o medo do minhocão afastava, por exemplo, as crianças dos rios.

Outra lenda que marca a cultura cuiabana é de uma mulher mascarada que assombrava os carnavais da capital mato-grossense. Em um baile, um cuiabano qualquer avistou uma bela moça mascarada e a chamou para dançar - na versão do historiador Aníbal Alencastro, a dama se chama Isadora. Porém, ao descobrir ser quase meia-noite, a mulher se desespera e diz que está indo embora, mesmo com uma chuva que havia começado a cair.

Já apaixonado, o homem empresta uma capa de chuva e decide acompanhá-la na volta, mas é surpreendido ao deixá-la em frente ao Cemitério Piedade, um dos principais de Cuiabá, localizado atualmente próximo ao Instituto Federal de Mato Grosso. Ao ser questionada, a moça responde que este é seu lar.

No dia seguinte, intrigado, o homem retorna ao cemitério com um amigo e encontra uma sepultura com o mesmo nome da moça. O susto vem quando descobriu ser a mesma mulher que se apaixonou ao ver que sua capa de chuva estava dobrada em cima da sepultura.

A história é tão conhecida por cuiabanos que já teve algumas reinterpretações ao longo dos anos. O conto da mulher mascarada pode ser encontrado no próprio livro de Aníbal, “Cuyaba: história, crônicas e lendas”, como “Minha Namorada do Além”, e também já foi tema de intervenção artística em 2018. De qualquer forma, caso aconteça de você encontrar uma mulher mascarada e ela pedir para ser deixada em um cemitério, já saiba: você topou com Isadora.
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