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Sábado, 25 de setembro de 2021

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Descobriu condição tardiamente

Moradora de VG com duas vaginas defende educação sexual nas escolas: “não é falar sobre sexo”

Da Redação - José Lucas Salvani

24 Ago 2021 - 14:30

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto

Moradora de VG com duas vaginas defende educação sexual nas escolas: “não é falar sobre sexo”
Desde que a massagista Maisa Rodrigues, de 27 anos, ou simplesmente Isa, resolveu tornar público que possui duas vaginas (útero didelfo), se tornou cada vez mais constante pessoas curiosas com perguntas inconvenientes. Para ela, certos questionamentos não existiriam caso houvesse uma boa educação sexual nas escolas.

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“Há um problema sério em relação à educação sexual. Há um problema seríssimo. Sou totalmente a favor de uma educação sexual na escola. Não é falar sobre sexo. É sobre educação sexual. É totalmente diferente. As pessoas [me] perguntam: Isa, você urina pelas duas cavidades vaginais? Gente, nós fazemos xixi pela uretra. Há uma distorção na educação totalmente errônea”, conta ao Olhar Conceito.

Isa descobriu sua condição tardiamente, aos 17 anos. A descoberta aconteceu depois de uma relação sexual com o ex-marido, após alguns meses do casamento. Por conta das dores, Isa optou buscar, pela primeira vez, um ginecologista, em Cáceres (a 219 km de Cuiabá), para entender melhor o que estava acontecendo. Se tivesse aulas de educação sexual, poderia ter descoberto sua condição antes, por isso incentiva que mães de pessoas com úteros didelfos sejam aliadas.

“Chegou a menstruação, [tenha] muito diálogo e acompanhamento médico se possível. Vai mexer muito com o psicológico dela. Vai demorar para ela raciocinar o que está acontecendo. Entrou na fase da relação sexual, [também é preciso] conversar. É ela se conhecer, se sentir autoconfiante - porque uma mãe precisa ser amiga. (...) Quando tem o apoio de uma mãe, nessa condição, e autoconhecimento, tudo muda para melhor”.

Natural de Rondônia, Isa começou a se questionar sobre a possibilidade de falar mais abertamente de sua condição nas redes sociais por acreditar que poderiam ter outras pessoas ou adolescentes passando pelo mesmo e também por querer que elas não descobrissem tardiamente, assim como ela. Então, há cerca de um ano, começou a publicar os primeiros vídeos no Instagram e TikTok, onde acumula mais de 10 mil e 76 mil seguidores, respectivamente.

A massagista conseguiu atingir o seu objetivo. Diariamente ela recebe relatos de pessoas que possuem filhas que estão na mesma situação que a dela. Uma das mães, inclusive, tem uma filha de dois anos com útero didelfo.

“O mais recente caso, que eu fiquei com muita amorosidade, foi uma mãe com uma filha de dois anos. Ela descobriu na barriga, por um exame de rotina. Ela descobriu a mesma condição: dois canais vaginais e dois úteros. Ela veio falar comigo porque ainda tinham muitas perguntas na cabeça dela. Ela perguntou: Isa, qual a dica e o conselho que você me dá? O mais importante que falo, independente da idade, é: procure um ginecologista de confiança”.
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