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Segunda-feira, 25 de outubro de 2021

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Semana da Pessoa Com Deficiência

Influencer de Cuiabá compartilha rotina como mãe de crianças com Down e autismo

Da Redação - Michael Esquer

25 Set 2021 - 07:51

Foto: Arquivo Pessoal

Bia, a filha Maria e Enzo.

Bia, a filha Maria e Enzo.

Na semana em que se celebra a luta das pessoas com deficiência, para Bia Bombarazzo, 24 anos, moradora de Cuiabá e mãe de duas crianças, de 1 e 7 anos de idade, ambas com síndrome de Down, sendo uma delas também diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), são muitos os motivos para comemorar. Há seis anos, a fotógrafa utiliza as redes sociais para compartilhar a trajetória de desafios e aprendizados alcançados com duas maternidades atípicas. 

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“Nossa caminhada nunca será fácil, isso é um fato. Entretanto, conhecemos um lado da vida que poucas pessoas conhecem, a empatia e amor ao próximo. Tenho certeza que tudo que plantarmos uns pelos outros, ainda em vida, nos será dado no céu”, contou a jovem ao Olhar Conceito durante esta semana.
  
De acordo com o Movimento Down, a síndrome é causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Com isso, as crianças, os jovens e os adultos com a síndrome podem ter algumas características semelhantes e estar sujeitos a uma maior incidência de doenças, mas apresentam personalidades e características diferentes e únicas.

“A gestação do Enzo [filho mais velho] foi conturbada, pois não foi planejado, e logo que descobri a gravidez, já descobri a T21 [síndrome de Down], então para assimilar tudo na época, foi um pouco difícil. Minha segunda gestação [a da Maria], assim como na primeira, também descobri a T21 na gestação, mas como foi uma gravidez planejada, e como já sabia como era lidar com a T21, foi bem mais tranquilo”, conta Bombazaro. 

Mãe atípica em dose dupla, a fotógrafa teve o diagnóstico dos dois filhos ainda durante a gestação. Uma ultrassom de translucência nucal (TN), exame que detecta a quantidade de líquido na região da nuca do feto e aponta o risco de apresentar síndrome de Down, detectou alterações. Com isso, ela foi submetida, em ambas gestações, a um procedimento de amniocentese, que confirmou o diagnóstico.  

“A gente fez a amniocentese que é um exame mais aprofundado, que ele dá exatamente o que a criança tem. Então aí eu tive a confirmação e nos dois casos foi assim. Aos dois meses de gestação, quando eu fiz o exame da TM, deu alterado e eu fiz a minha amniocentesem, que concluiu a síndrome de Down”, explicou a fotógrafa.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA), por sua vez, diagnóstico que Enzo, o filho mais velho da influencer, também recebeu aos 6 anos, reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância.

Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-5, pessoas dentro do espectro podem apresentar déficit na comunicação social ou interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, como movimentos contínuos, interesses fixos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais.

"Os primeiros sinais foi a demora pra começar a falar e a obsessão por objetos especifícos. Ele só gostava de brincar com os mesmos brinquedos", relata Bombazaro. "Receber o diagnótisco, pegar o papel na mão, foi dolorido, porque querendo ou não, é mais um universo novo que a gente tem que se encaixar". 
 
Enzo foi diagnosticado com TEA quando tinha 6 anos. (Foto: Arquivo Pessoal) 

A criação da página

A página no Instagram, Com Enzo e Maria, foi criada no ano de 2015 por Bia. Naquele ano, a mãe atravessava a maternidade atípica do primeiro filho Enzo. A principal motivação, explica, foi a de compartilhar os desafios e aprendizados que ela, enquanto mãe atípica de primeira viagem, enfrentava com o filho. 

“Com o nascimento do meu primeiro filho com síndrome de Down, [eu] queria compartilhar a maternidade atípica, mostrando minha rotina e dia a dia”, relatou. “Nunca [imaginei] que faria tanto sucesso], mas sempre trabalhei para que isso acontecesse, e, sugestivamente, dar uma qualidade de vida melhor a eles”. 

No início, ela relembra que foram várias as reações ao conteúdo que compartilhava. Por um lado, por aqueles que já conheciam sobre o assunto e por outro dos que não sabiam nada sobre a síndrome de Down ou TEA. Em geral, entretanto, Bia caracterizou a reação como bem receptiva. 

“Na época, compartilharam muitas ideias, ajudei e também recebi ajuda. De forma geral, também existem curiosos que não entendem muito sobre o assunto, mas são todos bem vindos pois o objetivo é que todos aprendam”, enfatizou. 

Atualmente, o perfil administrado por Bia tem mais de 58 mil seguidores, e logo na descrição a mãe faz questão de esclarecer o conteúdo: “compartilhando a maternidade atípica em dose dupla T21+TEA”. T21 é outra forma de nomear a síndrome de Down e TEA é a sigla para transtorno do espectro autista.

“Nele mostro meu dia a dia, rotina como mulher, assuntos sobre maternidade e assuntos de maternidade atípica que é o meu foco maior. Todos aqui em casa já trabalham no ramo publicitário com campanhas e comerciais”, comentou Bombazaro. 

“Não deixem de ter um olhar de empatia por pessoas que têm sede de viver"

Em 2019, um levantamento feito pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 8,4% da população brasileira, acima de 2 anos, tem algum tipo de deficiência. O boletim apontou ainda que entre os que são maiores de 14 anos e têm idade para trabalhar, apenas 28,3% estão inseridos no mercado de trabalho. 

O número é reflexo de uma sociedade que ainda não desenvolveu políticas de inclusão capazes de assimilar a capacidade das pessoas com deficiência. Esses desafios, por exemplo, começam ainda na infância, onde crianças com síndrome de Down sofrem com estigmas e preconceitos, conforme explica Bia.
 
“Já tive algumas situações desagradáveis, comentários ofensivos sobre a aparência e sobre o desenvolvimento cognitivo”, relatou. Por isso, a mãe pontua que existe um vazio institucional no que diz respeito à conscientização dos direitos das pessoas com deficiência. 

“Falta mais conhecimento sobre todos os tipos de deficiência. Mais panfletos educativos relacionados aos PcD [Pessoa com Deficiência]. As pessoas nunca saberão se nunca lhes forem apresentadas [esta situação]”. 

Para a sociedade, ela endereça uma mensagem que aprendeu, sobretudo, com seus filhos: “Não deixem de ter um olhar de empatia por pessoas que têm sede de viver, se incluir no meio social, de serem aceitas e tratadas com respeito! Isso é o desejo de todos". 
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