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Sábado, 28 de maio de 2022

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'Hermanos, aqui estamos'

Documentário expõe situação de vulnerabilidade de refugiados venezuelanos em Cuiabá

Foto: Jade Rainho

Documentário expõe situação de vulnerabilidade de refugiados venezuelanos em Cuiabá
Intensificado em 2018, o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil tem impactado muitas cidades brasileiras que recebem refugiados da crise econômica, política e humanitária que vive a Venezuela. É sobre a jornada desses imigrantes que trata o documentário de curta-metragem, “Hermanos, aqui estamos”, de Jade Rainho, ainda sem data de lançamento.

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“Ele aborda um tema presente e necessário em nosso tempo, ajudando a retirar da invisibilidade cidadãos venezuelanos que se exilaram forçadamente em nosso país e Estado em busca da sobrevivência de suas famílias, compondo hoje uma minoria social que se encontra em condições de extrema vulnerabilidade e comprometimento de direitos humanos básicos”, pontua Jade.

Segundo a cineasta, "além de possibilitar o reconhecimento humano e identitário dessas pessoas, o filme trabalha para desfazer os véus da ignorância e do preconceito gerados pela desinformação e o distanciamento em relação a sua situação de vida. O cinema documental tem um papel fundamental em criar pontos de contato entre distintas realidades, atuando como uma potente ferramenta de sensibilização e transformação social”.



A luta sob a perspectiva feminina

Os personagens do documentário também anseiam por políticas públicas e regularização de documentos. Muitas vezes, não conseguem legalizar sua situação para conseguir um emprego, por falta de documentos. Mas certamente que a luta contra o preconceito é uma das mais árduas. Para expor as nuances, a diretora escolheu a perspectiva feminina.

“Não queremos pedir dinheiro, mas a situação nos obriga”, diz Evelyn sobre constantes questionamentos nos semáforos de Cuiabá (MT). Outra venezuelana acolhida pela Casa do Imigrante, a adolescente Darelys relembra que há três anos a família tinha que escolher: ou comprava comida ou comprava material escolar. Ela ficou sem escola, mas logo, sem comida. Ambas, encontraram refúgio no Brasil.

Mulheres de várias idades, indígenas e não-indígenas, que tiveram que deixar a Venezuela para conseguir sobreviver, narram situações do contexto de crise generalizada neste país, crise econômica, política, humanitária e migratória.

O filme é uma produção da Cadju Filmes, por meio do selo Toda Vida é uma Obra de Arte, com coprodução da Galo de Briga Filmes. Para saber mais sobre o documentário “Hermanos, aqui estamos” acesse aqui e a conta no Instagram.

Busca por novas oportunidades



A fome e o desemprego causado pela hiperinflação, a crise política interna e externa, e o isolamento diplomático do Governo de Nicolás Maduro, marca o drama vivido por inúmeras famílias venezuelanas, que buscam melhores condições de vida para suas famílias, trabalho com carteira assinada, educação para seus filhos e acesso à saúde pública.

O Brasil se tornou o país com a sexta maior concentração global de migrantes venezuelanos. Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), há mais de 264.000 venezuelanos no Brasil. A cidade de Cuiabá, capital de Mato Grosso, também está na rota dos refugiados venezuelanos. Até março de 2020, 984 pessoas chegaram à cidade.

“É latente a falta de estrutura para recebê-los, apesar do esforço das entidades não-governamentais e do poder público estadual e municipal. A presença dessa população refugiada e migrante venezuelana passou a ser perceptível no cenário da cidade, especialmente nos semáforos e em meio às rotatórias nas proximidades dos shoppings centers”, aponta historiadora Nathalia da Costa Amedi, que auxiliou a diretora na produção.



Nestes locais, grupos de famílias se reúnem para pedir ajuda das pessoas que passam de carro. Empunhando placas de pedidos de ajuda, pedem dinheiro e/ou emprego para sustentar seus familiares. Muitos têm de levar os filhos menores dada a falta de vagas em creches.

“São tantos os percalços. As separações das famílias provocam uma desestruturação familiar. Quem vem para cá, está numa constante luta por sobrevivência e também, para poder ajudar os parentes que ficaram na Venezuela. Eles enviam dinheiro para ajuda-los”, explica a cineasta.

Alguns venezuelanos têm formação em nível superior, o que facilita a inserção no mercado de trabalho, porém, nem todos conseguem ter acesso a trabalhos na sua área de atuação, e acabam virando mão de obra barata nas cidades e trabalhando na informalidade. Uma das dificuldades enfrentadas pelas famílias venezuelanas em Cuiabá, é o acesso às creches para as crianças para que os pais possam trabalhar. Esse fato motivou a criação de uma associação para acolher imigrantes que chegam à Capital.

Com informações de assessoria.
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