Olhar Conceito

Sábado, 28 de maio de 2022

Notícias | Política Cultural

DESDE 2002

Criada para ocupar espaços, Casa das Pretas é reconhecida como protagonista em causas sociais pelo Prêmio Jejé de Oyá

Foto: Instituto Mulheres Negras

Criada para ocupar espaços, Casa das Pretas é reconhecida como protagonista em causas sociais pelo Prêmio Jejé de Oyá
A Casa das Pretas, do Instituo Mulheres Negras (Imune), foi escolhida pelo júri da premiação Jejé de Oyá - Aos Personagens Negros como o vencedora da categoria Impacto Social, como instituição protagonista nas causas sociais. Antonieta Luisa Costa, fundadora do instituto, contou ao Olhar Conceito que no ano de 2002, por conta da falta de espaço das vozes das mulheres negras em MT, criou-se o Imune com objetivo de retomar e ocupar lugar de fala e os espaços que, até então, eram formados prioritariamente por homens.  

Leia mais: 
Salão especializado em cabelos crespos e cacheados, Crisálida é reconhecido por protagonismo na identidade negra

“Tínhamos os espaços formados prioritariamente pelos homens, para os homens e com os homens. Nós estávamos nos movimentos, mas sempre em situações subalternas. A gente que preparava as salas, fazia limpezas e a comida, mas nas discussões políticas estávamos sempre fora. Então o imune surge aí nessa perspectiva de retomar e garantir nosso lugar de fala diante da sociedade de MT”, pontuou.  

Além disso, o instituto levou em consideração os dados estatísticos referentes à violência contra mulher, principalmente a negra. Antes, por meio do grupo cultural Filhas de Oxum, as ativistas levavam a divulgação da cultura negra às comunidades por meio da dança afro e de questões identitárias.  

Com o passar do tempo, buscou-se, então, trabalhar com política. “Conseguimos fazer isso muito bem e foi uma ótima escolha. Mas como trabalhar sem dinheiro? Optamos por rodas de conversas e oficinas, que a gente já fazia nas comunidades. Íamos nas comunidades para poder desenvolver e trabalhar o diálogo, na perspectiva das mulheres nos municípios de MT. E também pontuar mulheres negras é porque eram quem estava nos piores estados de exclusão em MT e no brasil”, acrescentou Antonieta.  



A concepção de levar as discussões para as comunidades deu certo e o instituto optou por realizar suas atividades dessa maneira. Sentando, discutindo, ouvindo, pensando perspectivas do sistema político da educação, segurança pública, emprego e renda especificamente voltao às mulheres negras.  

“O instituto vem fazendo isso, ele atende várias comunidades. Com a pandemia, começamos também a atender na perspectiva de pensar as pessoas que estavam passando por dificuldades. Criamos o projeto quarentena negra do imune para recolhermos roupas e alimentos, desde o começo da pandemia. Atendemos mais de 6 mil famílias pelo programa”. 


Com base nos dados estatísticos do 15º Anuário de SEgurança Pública do Brasil, que apontou MT como estado líder no número de feminicídios e que, destes,66% são mulheres negras, o Imune tem buscado cada vez mais atender àquelas negras que não são atingidas por políticas públicas.  

“E é isso que imune faz. Ele quer discutir, quer chamar atenção para nossas mulheres da importância de estarmos preparadas para o enfrentamento de combate ao machismo, racismo, misoginia e a todas formas de intolerância correlatas a violência que as mulheres sofrem. É nessa perspectiva que o imune trabalha”. 



Como uma forma de impulsionar e dizer às mulheres negras, militantes e ativistas dos movimentos sociais e direitos humanos que elas podem sim preencher seus espaços e ocupar seus lugares de fala, o Prêmio Jejé de Oyá é visto como importante para a visibilidade das causas do Imune. Ainda, Antonieta pontuou que a premiação é uma forma de se manter no caminho certo das ações de cobrança e inclusão dessas mulheres.  

“Então quando a gente recebe essa premiação, temos certeza que estamos no caminho certo, a gente reforça essa luta. a gente consegue retomar as energias para continuar essa luta que não é fácil, que é dolorida e chega a pesar para todas nós”, finalizou.  

O reconhecimento do Imune vai além das premiações e, neste ano, virou lei.  N° 6.782 de 10 março de 2022, a lei declara de utilidade pública municipal o Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso. O título de utilidade pública é concedido a entidades, fundações e associações civis como forma de reconhecê-las como instituições sem fins lucrativos e prestadores de serviço à sociedade. 

Casa das Pretas fica localizada na Praça Conde de Azambuja nº 25 Praça da Mandioca - Centro Histórico - Centro Norte, Cuiabá - MT 
Entre em nosso grupo de WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet