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Quinta-feira, 18 de agosto de 2022

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De Cuiabá pro mundão

"Com sacrifícios temporários, se conquista resultados permanentes", diz cuiabana de 18 anos aceita em 15 universidades dos EUA

Foto: Arquivo Pessoal

O esforço árduo da cuiabana Júlia de Paula Silva, de 18 anos, lhe rendeu aceitação em 15 universidades dos Estados Unidos, quando ela ainda cursava o ensino médio no país. Sob os ensinamentos da mãe, Euzeni Paiva de Paula, ela carregou consigo que com sacrifícios temporários, se conquista resultados permanentes. “Sempre tento fazer o melhor que eu posso em todas as tarefas, sempre foi assim. Minha mãe me deu como exemplo que era para eu fazer o melhor que eu podia em absolutamente tudo”, contou ao Olhar Conceito.

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Pela American Heritage School, na Flórida, a estudante encerrou seus estudos de ensino médio e se formou com cerimônia no dia 21 de maio. Agora, aguarda o mês de agosto para iniciar sua carreira acadêmica em psicologia na University of South Florida, em Tampa.

No ato de ser diplomanda, Julia levantou um cartaz escrito "Família, formei” e “De Cuiabá pro mundão”. Entre as frases, uma bandeira do Brasil. Ela contou que a escola proibiu manifestações na hora de receber o diploma. "Eu dobrei e coloquei na manga do vestido. Porque, po, minha família tava toda feliz assistindo online sem poder estar lá. Eu tinha que fazer alguma coisa". 
 
Após período exaustivo em que se dedicou completamente aos estudos, Julia decidiu cursar psicologia. A ideia inicial da estudante era prestar faculdade de direito, tendo como fonte de inspiração sua mãe, Ezeni Paiva, que é servidora do Tribunal de Justiça, mas diante de novas oportunidades, sua escolha mudou de direção.
 
“Como aqui eu tive oportunidade de fazer aulas que abordam cursos de faculdades, fiz uma aula de direito e tomei conta que tinha um interesse mais voltado para a parte psicológica do direito. Assim que bateu a pandemia, eu comecei a pesquisar mais sobre psicologia, aproveitei uma aula ofertada pela minha escola e gostei”.
 
“Fiz aulas, cursos e vi, depois de 30 mil afirmações diferentes para dizer que era psicologia. Eu vi que era realmente aquilo que eu queria e é de fato uma coisa que sou apaixonada”.
 
 
Início da jornada
 
Ainda no Brasil, onde estudou no Plural e Notre Dame, ela sempre alimentou o sonho de morar fora e construir uma carreira em outro país. “Sempre tive essa vontade, mas não acreditava muito que era algo que eu conseguiria, até ver pessoas próximas a mim, indo”.
 
Desde que chegou nos EUA, em 2018, ela passou por uma escola em Boston e depois, foi para American Heritage School, localizada na Flórida. O que lhe motivou a sair do Brasil foi a vontade que sempre teve de morar fora e um intercâmbio que fez.
 
Para se formar, a escola que cursou ensino médio exige 120 horas de serviços comunitários. Então, Julia alinhou seus estudos com serviços em museus, ajudando na limpeza, planejamento e auxílio em eventos. Fora isso, havia as aulas a nível de faculdade que exigiam muito tempo, além das atividades extracurriculares.
 
“Foram muitas coisas para gerenciar ao mesmo tempo. Quando cursamos o último ano aqui, aplicamos para as faculdades durante o ano acadêmico e tendo que manter as boas notas, cumprir requerimentos como o de serviço comunitário, e também as atividades extracurriculares”.
 
Julia foi Vice Presidente de Membership Motivation, para o Governo Estudantil. Na ocasião, gerenciava o Instagram do clube de psicologia, atuava como Presidente da subdivisão brasileira do clube multicultural, além de representar no InterClub Council. Ainda geriu as tarefas como embaixadora de uma organização responsável por trabalhar com a saúde mental entre os jovens.
 
“Isso fora as sociedades de honra (NHS, NEHS, SNHS, NSHSS). Então adicionar todo o processo de aplicar para as faculdades, em que temos que escrever múltiplas redações que respondem às perguntas diferentes feitas por cada universidade, juntamente com aulas nível honors e AP (Honras e Equivalente a aulas de universidade) me exigiu muito”.
 
Como morava longe da escola, Julia acordava por volta das 5h e se mantinha na labuta entre os estudos e extracurriculares até mais ou menos 00h. Às vezes, para cumprir suas missões, tarefas, eventos e reuniões, ela não conseguia dormir e aproveitava os finais de semana para descansar.

“Meu alarme 5h30 estava apitando. Se eu conseguia dormir meia noite estava no lucro”.

Quando foi aceita pelo país para cursar o Ensino Médio, ela logo percebeu que os critérios são diferentes, mais puxados, e de tensa luta, principalmente para alunos internacionais que concorrem com o resto do mundo.

Diante disso, se entregou o melhor que podia em todas as tarefas para cumprir todo o processo percorrido entre cursar o ensino médio e passar nas faculdades.

Foram quinze instituições que aceitaram a aplicação de Julia. Além das medalhas e honrarias que recebeu pelo seu esforço, ela concluiu o ensino médio com nota máxima, A+.
 
1 University of South Florida (FL); 2. University of San Francisco (CA); 3. High Point University (NC); 4. Seton Hall University; 5. Mercer University; 6. Florida International University (FL); 7. University of South Carolina (SC); 8. American University (WA); 9. George Mason University (VA); 10. Lynn University (FL); 11. Saint Thomas University (FL); 12. University of Tampa (FL); 13. University of the Pacific (CA); 14. Marymount University; 15. The George Washington University foram as universidades que aceitaram a aplicação da estudante.



“Queria só agradecer a todos que me apoiaram e até quem falou que eu não ia conseguir, porque me deu uma motivação maravilhosa”, disse a estudante com a sensação de alívio pelas várias noites sem dormir entre seus estudos, atividades extracurriculares, serviços comunitários e clubes.
 
Motivações
 
Sem sair aos finais de semana para festas com os colegas e sempre trancada no quarto para os estudos, Julia carregou os ensinamentos da mãe em todos esses momentos – que segundo ela, é sua maior fonte de inspiração.

“Minha mãe sempre me disse e me ensinou duas coisas muito importantes. Que a coisa mais importante que eu posso ter na vida é o conhecimento, pois é a única coisa que ninguém vai poder tirar de mim. A segunda, é sacrifícios temporários e resultados permanentes”.


A reportagem entrou em contato com Euzeni para entender qual a sensação de ter a filha tão nova, mas conquistando tantos méritos com apenas 18 anos. Afinal, conseguir aprovação em 15 universidades dos EUA não é tarefa para qualquer um. Exige muita dedicação.

“Júlia é muito determinada e focada, de uma disciplina e responsabilidade impar. Nunca me deu qualquer trabalho em relação a estudar, fazer as tarefas, notas das provas. eu sempre trabalhei muito, não tinha muito tempo para acompanhar diariamente a rotina dela, mas sempre fiz questão de participar das reuniões de pais nas escolas, e sempre ouvia a mesma coisa: "Parabéns pela filha, ela é uma aluna exemplar!”, disse Euzeni.

A mãe inclusive pontuou que o primeiro intercâmbio de Julia foi na Inglaterra, sozinha aos 13 anos. Mesmo com pouca idade, Euzeni se manteve tranquila com a distância, pois “eu sabia da responsabilidade dela”.

Sobre responsabilidade, fez questão de que a vida da filha nos EUA se deu de maneira independente e resoluta. “Desde que veio estudar aqui, ela sempre resolveu tudo, pois não sou fluente em inglês”.
 
Hoje morando com a filha no país, Euzeni com certeza destaca a sensação de missão cumprida.
“Júlia é uma vencedora! Tivemos muitas pessoas que nos apoiaram, ajudaram e outras tantas que criticaram. Eu passei por momentos bem difíceis para conquistar quem eu sou hoje e sou capaz de mover o mundo para minhas filhas terem uma educação de qualidade, pois acredito que o conhecimento é a nossa maior arma e nossa maior fonte de riqueza”, finalizou esbanjando orgulho.
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