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Segunda-feira, 22 de abril de 2024

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Ritual fúnebre e sagrado dos povos indígenas é realizado no Xingu com recursos do Estado

Foto: Reprodução

Ritual fúnebre e sagrado dos povos indígenas é realizado no Xingu com recursos do Estado
Ritual marcado por danças, música, canto sagrado e orações, o Kuarup, uma das mais antigas e simbólicas tradições dos povos indígenas do Parque Nacional do Xingu está sendo realizado em cinco territórios delimitados de Gaúcha do Norte e Querência. O ritual fúnebre e sagrado, que ocorre entre agosto e setembro, homenageia os familiares perdidos e encerra o período de luto das etnias.

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O Kuarup está sendo realizado com recursos da secretaria estadual de Cultura, Esporte e Lazer (Secel). A cerimônia é aberta apenas para populações indígenas e representantes de instituições convidadas. Neste mês, as cerimônias são realizadas todos os finais de semana em aldeias localizadas em Gaúcha do Norte e Querência.

No último sábado (12) e domingo (13), o ritual aconteceu na Aldeia Ipatse Kuikuro. Nos próximos finais de semana será realizado nas aldeias Nafukua, Kamayura e Yawalapiti. “Para nós, do Governo do Estado, garantir a preservação e a manutenção dessa importante prática cultural é cumprir nossa missão, pois estamos fortalecendo nossa cultura, nossas tradições e nossas identidades”, destacou o secretário adjunto de Cultura, Jan Moura.

O Kuarup ocorre sempre um ano após a morte de parentes indígenas, que são representados por troncos de madeira ornamentados e colocados no centro das aldeias. São dois dias de celebração, sendo que, no primeiro, são feitas as pinturas dos troncos e dos familiares em luto, e recepcionados convidados de outras etnias.

No segundo dia, há uma luta tradicional entre os guerreiros, que estão se preparando desde a noite anterior. Ao final, os ornamentos são retirados dos troncos e entregues às famílias em luto. As toras de madeira são atiradas ao rio, simbolizando a libertação da alma dos mortos.

A tradição inclui o ritual de iniciação das meninas moças. Elas ficam reclusas por um ano, e aparecem com franjas de cabelo que cobrem o rosto. São direcionadas aos chefes das aldeias e oferecem alimentos a eles. As franjas são cortadas, e a partir desse momento elas estão prontas para o matrimônio.

Ao final da cerimônia, os indígenas oferecem peixes aos convidados em um momento de agradecimento e união.
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