Olhar Conceito

Sábado, 13 de julho de 2024

Notícias | Perfil

parque das ruínas

Ponto turístico centenário do RJ foi casa de socialite cuiabana conhecida como ‘Marechala da Elegância’

Foto: Reprodução

Ponto turístico centenário do RJ foi casa de socialite cuiabana conhecida como ‘Marechala da Elegância’
Em uma entrevista para a revista Para Todos, de 21 de junho de 1930, a socialite cuiabana Laurinda Santos Lobo, que morreu aos 68 anos, em 1946, abre às portas do Palacete Murtinho, onde hoje é o Parque das Ruínas, um dos principais pontos turísticos do Rio de Janeiro (RJ). Na entrevista, Laurinda, que tinha grande influência cultural e política na elite carioca, conta sobre obras de arte e a vez que pediu para que Tarsila do Amaral lhe ensinasse a pintar. 


Leia também 
Locutora mato-grossense viraliza no TikTok por conta da voz: 'meu Deus quando ela abre a boca'

O Parque das Ruínas, no bairro Santa Tereza, guarda os resquícios da mansão de Laurinda que, em uma foto, aparece sentada no salão nobre do casarão, rodeada de obras de arte. Em outro registro, a socialite que ficou conhecida como “Marechala da Elegância” por conta da influência que tinha, também, na moda durante a Belle Époque carioca. 

Laurinda nasceu em Cuiabá, em 4 de maio de 1878, herdeira da poderosa família Murtinho que antes da divisão de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul dominavam o estado uno. Avô da socialite, o médico baiano José Antônio Murtinho foi presidente da província de Mato Grosso no período imperial. 

Em sua dissertação de mestrado, a pesquisadora Andresa Taís Bortoloto de Lima, explica que entre 1903 e 1930, a elite “idealizava as regras de elegância e pertencimento, no anseio de demonstrar como seria possível transformar o cotidiano apagado de uma elite tropical em um estilo de vida de luxo e gozo, e repleto de bom gosto”. 



Belle Époque Carioca 

Laurinda também se inspirava na Belle Époque, período cultural da Europa que começou no século 19, na forma de se vestir e como anfitriã do salão nobre do Palacete Murtinho, que foi palco de encontros entre intelectuais brasileiros e estrangeiros, além de ter sido ponto de encontro do movimento modernista. 

O salão da cuiabana chegou a ser o mais famoso da época. Foi em homenagem à socialite que Villa-Lobos compôs a peça Quattour - impressões da vida mundana. 

“Era descrita como ―Anfitriã sofisticada, amante das artes, colecionadora e mecenas pródiga. Sob seu comando, o palacete Murtinho se torna o mais importante salão lítero-musical da República Velha‖ (FERREZ, 1965, p. 242). Laurinda sabia receber e promover os seus saraus e seu salão ganhou fama em toda a capital federal. Era descrito como o ―mais célebre‖ e diz ainda ―onde comparecia todo o grand monde político, financeiro intelectual”. 

Os registros ressaltam que Laurinda era conhecida pela elegância. O jornalista brasileiro João do Rio foi quem cunhou a socialite como Marechal da Elegância, em um dos textos publicados na revista Rio, ele ressalta que ela sempre estava “luxuosamente vestida”. Outras fontes também citam os vestidos caros, brilhantes e que, muitas vezes, vinham de Paris. 

João do Rio também chegou a apelidar Laurinda de “Princesa dos Mil Vestidos”. Era comum que a socialite usasse safiras negras ou vermelhas, além de rubis e esmeraldas, para combinar com o tom dos vestidos. 

Palacete Murtinho 

Quando completou 16 anos, ela se mudou para o Rio de Janeiro. O Palacete Murtinho foi construído em 1920. Depois de reunir nomes como Villa-Lobos, Tarsila do Amaral e a bailarina Isadora Duncan em seu salão nobre, o casarão ficou abandonado após a morte de Laurinda, que não deixou filhos. 



Em seu testamento, a socialite deixou a casa para o Instituto Hahnemanniano do Brasil, sediado no Rio de Janeiro. De acordo com os registros, a sociedade civil de homeopatia não teria tomado posse do bem que foi invadido, saqueado e ocupado por pessoas em situação de rua. 

Há relatos de que as maçanetas de ouro da mansão foram furtadas durante o período de abandono, assim como o valioso piano de Laurinda. Segundo o Jornal do Brasil, o palacete chegou a ser ocupado por traficantes após ser casa de imigrantes. Além disso, caminhões eram vistos levando objetos de dentro do imóvel. 

Apenas em 1993, o Governo do Rio de Janeiro tombou a propriedade. Em 1997, ele foi inaugurado como Parque das Ruínas. Em julho deste ano, o espaço foi renomeado para Parque Glória Maria, em homenagem a jornalista que morreu em fevereiro de 2023.

As ruínas, que guardam a história da cuiabana que se tornou uma personalidade carioca, precisaram passar por processo de restauro e impermeabilização. Atualmente, o parque possui programação variada e é visitado por milhares de turistas. De um lado, ele dá visão panorâmica da Baía de Guanabara, enquanto do outro, é possível ver o Centro do Rio de Janeiro no alto do bairro de Santa Tereza. 

Fontes: 
DE LIMA, Taís. Laurinda Santos Lobo: roupas, estilo de vida e as memórias da Belle Époque Tropical. 2016. Dissertação (Mestrado em História) - Universidade Estadual de Maringá. 
A Marechala da Elegância, Para Todos. Rio de Janeiro, 21 de Junho de 1930. 
 
Entre em nossa comunidade do WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Assine nossa conta no YouTube, clique aqui

Comentários no Facebook

Sitevip Internet