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Sábado, 13 de julho de 2024

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‘Dos 55 netos, pegou 44’: Osvaldina foi parteira em Chapada na década de 70 e anotava partos em caderno

Foto: Reprodução

‘Dos 55 netos, pegou 44’: Osvaldina foi parteira em Chapada na década de 70 e anotava partos em caderno
Sem qualquer referência de parteiras na família, Osvaldina Maria Lechner, foi guiada pela própria intuição para começar a “pegar” os recém-nascidos na hora do parto em Chapada dos Guimarães (a 64 km de Cuiabá). A história da parteira é guardada na memória da oitava dos 12 filhos que teve, Fidelis Lechner, de 64 anos, conta que a maioria dos partos da cidade, na época em que era atuante, foram realizados por Osvaldina. 


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Em um caderno, a parteira que nasceu em Chapada dos Guimarães, em 29 de fevereiro de 1928, registrou cada uma das crianças que “pegou”, termo tradicionalmente usado para se referir ao ato de ajudar as parturientes a trazer os bebês ao mundo. 

Fidelis lamenta que as anotações da mãe tenham se perdido com o passar do tempo, mas tenta resgatar parte da história de Osvaldina como pode, puxando cada lembrança pelos fios da memória.  

“Não lembramos quando ela começou de fato. Ela pegou muitas crianças aqui em Chapada, a maioria das crianças foi ela quem ‘pegou’. Inclusive, dos 55 netos, ela ‘pegou’ 44. Se tivesse hoje o livro dela, ia tirar cópia, mas não sei onde está. Nesse livro, ela anotava os partos e as reuniões que participava em Cuiabá todos os meses”. 

Osvaldina costumava viajar para a cidade para participar de cursos na secretaria de Saúde. “Naquele prédio bem antigo que tinha em Cuiabá”, conta Fidelis. Hoje aposentada como servidora pública, ela se preparou para que a mãe também pudesse ‘pegar’ sua primeira filha na hora do parto. 

“Não ia deixar passar isso, pedi permissão à médica, fiz todo o pré-natal, mas ela quem ‘pegou’. Da minha irmã mais velha, ela ‘pegou’ os 10”. 

A oitava filha da parteira lembra que a mãe saía feliz quando era acionada para mais um parto. “Ia de pé, carro, bicicleta, moto, até de charrete, ela não tinha tempo ruim, fizesse chuva ou sol, ela estava pronta”. 

Apesar de não saber quando a mãe começou a “pegar” crianças, Fidelis guarda com exatidão o momento em que Osvaldina precisou parar. Foi forçada a deixar a profissão que escolheu por intuição depois de sofrer três AVCs. 

Debilitada, a própria história se perdeu na memória na parteira. “Ela fez partos até 1987 quando ela teve o primeiro AVC, depois foi o segundo e, no terceiro, ela faleceu. Minha mãe faleceu com 72 anos, em 1 de agosto de 2000, foi o dia mais triste da minha vida. Era a melhor mãe do mundo, a minha rainha, mãe protetora com cada um dos meus irmãos”.
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