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Sexta-feira, 12 de julho de 2024

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Requeijão mato-grossense

Da cidade para o campo: família faz caminho inverso, investe na produção de queijos e ganha prêmio em MG

Foto: Reprodução

Da cidade para o campo: família faz caminho inverso, investe na produção de queijos e ganha prêmio em MG
A produção de queijos não era uma tradição na família de Edmar Alves Trindade, de 44 anos, mas uma mudança inesperada para o sítio do pai, onde ele viveu parte da adolescência, em Nobres (a 120 km de Cuiabá), fez com que ele, a esposa e os filhos entrassem no universo queijeiro. O resultado foi a criação dos produtos próprios da Pé de Queijo, entre eles o requeijão, que foi premiado com medalha de ouro na categoria Requeijão de Corte, no 3º Mundial do Queijo do Brasil, em Araxá (MG). 


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Edmar e a esposa, Sandra Trindade, fizeram o caminho inverso quando deixaram a vida estável em Cuiabá para morar no sítio em Nobres. A mudança já era uma conversa entre o casal, mas ele conta que aconteceu de forma “turbulenta”, em 2022, após a morte da mãe por covid-19. Depois, Edmar também perdeu o pai. 

“A gente já tinha vontade de ir para o sítio, mas acelerou o processo. Só que quando chegamos lá, pensamos no que poderíamos fazer para trabalhar, minha esposa fez um curso no Senai para aprender a fazer queijo. Nisso, fizemos uma lista do que poderíamos fazer com plano A, B e C. Mas o queijo chegou e foi bem aceito”. 

De início, eles produziam queijos trufados com doce de leite e goiabada, mas não demorou para que a família identificasse a necessidade de criar mais produtos para oferecer novidades aos clientes. Sandra ficou responsável por aprender a técnica da massa filada, que é usada por eles na fábrica da Pé de Queijo. 

O processo foi desafiador e Edmar lembra de ter presenciado a exaustão da esposa que não conseguia reproduzir a receita do jeito certo. “Ela fez parte de uma comunidade de queijeiros com pessoas de dentro e fora do Brasil, com muito empenho, ela acertou a massa”. 

Os queijos da Pé de Queijo começaram a ganhar visibilidade durante a Feira Gastronômica do Sebrae na vila Bom Jardim, em Nobres, quando um chef era convidado para desenvolver pratos típicos com produtos locais. Foi assim que, por acaso, um dos queijos de massa filada da família foi parar nas mãos do chef. 
 

“Silbene do Balneário Água Doce pegou esse queijo e ofereceu para o chef desenvolver o prato, ele amou o queijo e perguntou para ela onde comprar. Ele ficou encantado e lançou o convite para participarmos da feira gastronômica, foi muito em cima, mas como somos ousados, decidimos participar, foi nosso primeiro evento. Dali começou a criar outra proporção, porque começamos a ser vistos”. 

Depois do evento, Edmar e Sambra passaram por uma mentoria de sete meses oferecida pelo Sebrae. No final, eles lançariam um lote de queijo gourmet. “Foi um desafio muito forte, mas nos empenhamos em fazer acontecer, foi desafiador porque não tínhamos recursos, mas tínhamos vontade e desejo. Começamos o trabalho, não tínhamos ponto comercial, tivemos que criar um, porque lá era só o lote. Foi tudo do zero, com muito trabalho e dedicação”. 

Recentemente, a Pé de Queijo também esteve presente na Fit Pantanal, oportunidade em que os produtos ganharam clientes cuiabanos fiéis, fazendo com que Edmar criasse uma nova rota de entrega para entregar os queijos em Cuiabá. 

Em novembro do ano passado, a família inaugurou a loja da Pé de Queijo. Lá, é possível comprar os queijos produzidos no sítio, incluindo o requeijão premiado em Araxá (MG), além de aproveitar uma degustação harmonizada. “Temos um cafézinho também. É para comer queijo de uma maneira diferente”. 

Mato Grosso na rota do queijo 

Em abril deste ano, Edmar e Sandra participaram do 3º Mundial do Queijo, em Araxá (MG). Ele conta que, assim como quando participaram da Feira Gastronômica do Sebrae, o convite para competir foi aceito às pressas após um dos integrantes do grupo, que já estava fechado, desistir da viagem. 

Requeijão foi premiado em abril deste ano, no 3º Mundial do Queijo, em Araxá (MG). (Foto: Reprodução)

“Tinha um grupo já fechado para participar, pouco antes da data a Simone Duarte, consultora do Sebrae que faz parte da comunidade do queijo, passou na loja. Minha esposa convidou ela para fazer uma degustação na loja, ela foi, provou e incentivou a participar dos eventos, porque os produtos tinham potencial. Fazemos o doce de leite também. Minha esposa recusou, disse que éramos muito pequenos”. 

Mesmo assim, ela incentivou Sandra a fazer a inscrição no mundial. Apesar da insegurança, a proposta gerou curiosidade na queijeira. “Ela não quis ir, perguntou se eu queria e eu aceitei. Peguei os documentos e mandei rápido para a Simone, porque tinha prazo para fechar. Depois, quando começamos a conversar, ela decidiu que queria ir”. 

Edmar explica que eles receberam ajuda da Prefeitura de Nobres para conseguir comparecer no evento em Minas Gerais. Quando chegaram na competição, o casal se deparou com um universo amplo e queijos que nem imaginavam existir. 

“Falaram para escrevermos um produto e tentar participar, mas ficamos pensando que nosso produto era tão pequeno ainda, porque o ser humano menospreza a si mesmo para elogiar o do outro. Mas explicaram que, se não ganhássemos, eles dariam um feedback sobre como melhorar o produto”. 

Para surpresa de Edmar e Sandra, o requeijão da Pé de Queijo foi considerado o melhor da categoria de Requeijão de Corte. “Fiquei empolgado para caramba. Mato Grosso surpreendeu, ninguém tinha expectativa de ganhar em um evento daquela proporção, na terra do queijo. Teve muito mineiro bem cotado que não ganhou. Pessoal até brincou: Minas, fica atento porque Mato Grosso está aparecendo”.
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